Prefeitura do Rio processa governo do Estado para receber recursos milionários de ISS e ICMS a que tem direito e não estão sendo pagos

Publicado em 03/07/2020 - 11:34 | Atualizado em 03/07/2020 - 12:42

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entrou com ações na Justiça e uma queixa-crime contra o Governo do Estado por este não repassar impostos (ICMS e ISS) devidos ao município.

A Procuradoria Geral do Município (PGM) impetrou um mandado de segurança com pedido de liminar na 11ª Vara de Fazenda Pública contra o secretário estadual de Fazenda do Rio de Janeiro, Guilherme Mercês, por irregularidades no repasse do ICMS.

Em relação ao ISS, a PGM entrou com pedido de antecipação dos efeitos de tutela de urgência para que o Estado do Rio seja obrigado a entregar os valores retidos indevidamente. Esse pedido foi ajuizado também na 11ª Vara de Fazenda Pública, contra o Governo do Estado.

A perda média de receita do município com a falta de repasse do ICMS, só neste ano, ultrapassa R$ 80 milhões; em relação ao ISS, são mais de R$ 50 milhões retidos pelo Estado.

– O Estado não está repassando as cotas da nossa parte do ICMS e também do ISS. Isso não pode! Isso é crime. A gente vai esperando e chega um momento que não se pode mais esperar. Não se cobra acima do que pertence ao município. Não é favor. É o que pertence ao município – afirmou Crivella.

A cobrança do ISS

No processo, a Prefeitura argumenta que o Governo do Rio de Janeiro não destinou ao município a quantia referente aos tributos de serviços prestados por empresas contratadas pelo Estado. De acordo com a Constituição Federal, é competência dos municípios a cobrança do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, o ISS. Dessa forma, não cabe à administração estadual manter para si um valor de um tributo que não lhe pertence e, muito menos, não repassá-lo à cidade do Rio de Janeiro.

Além dos pagamentos, a Prefeitura pede que o Governo do Rio seja obrigado a entregar todos os comprovantes de serviços contratados por ele nos últimos cinco anos e que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro tome ciência dos fatos para investigar o possível crime de apropriação indébita.

– O ISS é um imposto municipal que incide sobre serviços, cujas receitas são devidas ao município. Além de reter indevidamente parte desses recursos, o Estado também não está nos repassando. Já são mais de R$50 milhões retidos – informa Rosemary Macedo, secretária municipal de Fazenda.

A cobrança do ICMS

A Prefeitura do Rio tenta garantir o repasse pelo governo do Estado das parcelas de ICMS referentes à Lei estadual 2664/96. O procedimento não ocorre desde 1997, o que já acarretou só neste ano de 2020 uma perda média de receitas, até agora, de cerca de R$ 80 milhões.

Pela legislação vigente, o Estado repassa mensalmente aos municípios 25% do ICMS que recolhe. Desse montante, 75% são distribuídos de acordo com o valor adicionado pelas vendas de mercadorias nas cidades e os 25% restantes, de acordo com a Lei Estadual 2664/96. É esse o repasse que não vem sendo realizado e que impossibilitou a entrada, a cada ano, de cerca de R$ 150 milhões nos cofres públicos municipais.

– Estamos empenhando esforços para que o Estado volte a repassar 2,21% do ICMS para o município. Acionamos a Procuradoria para que ajuizasse uma ação civil contra o Estado, na tentativa de normalizar esse fluxo de receitas que contribui com a nossa fonte 100, aquela cujos recursos podem ser utilizados para qualquer fim, como o pagamento das despesas obrigatórias, por exemplo – esclarece Rosemary Macedo, secretária municipal de Fazenda.

Contingenciamento

Crivella anunciou também que será preciso fazer um corte nas despesas da Prefeitura, em função da queda de arrecadação, de R$ 3 milhões, durante a crise da covid-19, e da falta de repasses constitucionais do Estado ao Município.

Todas as secretarias e órgãos serão atingidos, exceto a Secretaria Municipal de Saúde e a RioSaúde. O objetivo do contingenciamento, segundo explicou o prefeito, é garantir os pagamentos necessários ao cuidado da saúde da população, especialmente nesse período de pandemia do novo coronavírus.

– O contingenciamento deve chegar a R$ 700 milhões. É uma luta grande. Vai ser no custeio. Saúde não está incluída. Os demais órgãos vão ter que se adaptar – disse Crivella.

 

LINK DE VÍDEO:
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