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Livro analisa vulnerabilidades e resistências das juventudes brasileiras em contextos de desigualdade
Publicado em 01/04/2026 - 15:32 | Atualizado- Início/
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- Livro analisa vulnerabilidades e resistências das juventudes brasileiras em contextos de desigualdade
Publicação reúne pesquisa realizada no Rio de Janeiro, São Paulo e Piauí. Fotos: Laryssa Lomenha / JUVRio A Secretaria Municipal de Juventude do Rio de Janeiro (JUVRio), a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) lançaram nesta terça-feira (31/3), no auditório do Museu de Arte do Rio, o livro “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades”. A obra apresenta uma pesquisa inédita que traça um panorama atual das experiências de jovens dos estados do Rio de Janeiro, Piauí e São Paulo, em um cenário marcado por profundas desigualdades sociais, agravadas pelos impactos da pandemia de Covid-19. Estiveram presentes 50 jovens dos Espaços da Juventude de Campo Grande, Jacarezinho e Madureira.
Resultado de um amplo trabalho de campo, o livro reúne análises de especialistas e relatos de jovens que vivem em contextos urbanos e rurais, abordando temas como educação, inserção no mercado de trabalho, violências, territorialidade e expectativas em relação ao futuro. A publicação busca contribuir para o debate público e oferecer subsídios para a formulação de políticas mais sensíveis às realidades juvenis no Brasil.
Com abordagem qualitativa, que considera recortes de raça, gênero, classe e território, o estudo ouviu diretamente jovens de diferentes perfis sociais. Além de evidenciar as vulnerabilidades que marcam suas trajetórias, a pesquisa destaca iniciativas de resistência, adaptação e reinvenção protagonizadas pelas próprias juventudes.
– Esse livro tocou no meu coração porque a nossa realidade não é fácil, mas nós queremos muito. E a JUVRio tem nos proporcionado ir além, com oportunidade de falar, se expressar e vencer na vida -, disse Patrick Mendes, estudante do Espaço da Juventude de Campo Grande.
Estudo das juventudes locais
A pesquisa foi desenvolvida a partir da realização de 22 grupos focais, com jovens vinculados a diferentes organizações, coletivos e movimentos sociais, tanto do campo quanto da cidade, nos três estados analisados. O objetivo foi compreender percepções sobre a vida cotidiana, oportunidades, desafios e estratégias construídas para enfrentar desigualdades estruturais.
No Rio de Janeiro, o estudo contou com parceria entre Flacso Brasil e a Secretaria Municipal da Juventude Carioca, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. O órgão é responsável pela formulação e implementação de políticas públicas voltadas à juventude carioca por meio de iniciativas reconhecidas internacionalmente como o projeto Pacto pela Juventude, os Espaços da Juventude e as Casas da Juventude. A partir de um mapeamento territorial, foram selecionadas áreas como Rocinha, Babilônia, Tabajaras, Cidade de Deus, Gardênia e Vidigal.
– No Rio de Janeiro, a gente trabalha com a convicção de que não existe política pública eficiente sem ouvir os jovens. Essa pesquisa reforça que a juventude enfrenta desafios enormes ao mesmo tempo em que busca construir soluções e caminhos viáveis dentro de suas realidades. Existem múltiplas realidades que precisam ser consideradas e a criação de políticas públicas estratégicas a partir da perspectiva desse grupo muda tudo. É esse olhar que orienta o trabalho da JUVRio -, destaca a Secretária da Juventude Carioca, Gabriella Rodrigues.
Juventude no pós-pandemia
O livro é fruto de resultados do estudo “Trajetórias/práticas juvenis em tempos de pandemia de Covid-19”, coordenado pela Flacso Brasil, com a participação de instituições brasileiras e da América Latina. A pesquisa evidenciou como as medidas de contenção da pandemia impactaram profundamente as trajetórias juvenis, exigindo reorganização da vida escolar, profissional e social.
Os dados mostram que a pandemia aprofundou desigualdades já existentes nas áreas de educação, trabalho, saúde, moradia e segurança, afetando de forma significativa jovens em contextos mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, o estudo revela como esses jovens desenvolveram estratégias de sobrevivência, novas formas de organização e mecanismos de resistência diante das adversidades.
– Esse é um livro feito por muitas mãos, inclusive dos próprios jovens e pesquisadores. É uma mostra de que é possível essa união. Essa é uma área que exige muito trabalho intersetorial e cada um destes territórios representa uma realidade das juventudes aqui presentes. É um momento de síntese de uma pesquisa que estamos construindo através dos anos. E o livro nasce do desejo de compreender como os jovens brasileiros estão vivendo e se comportando em um período histórico marcado pela superação dos estragos causados pela pandemia, pela transformação do mundo do trabalho e das tensões nos territórios -, disse a Diretora da Flacso Brasil, Rita Potyguara.
Diante dessas transformações ainda pouco compreendidas no cenário pós-pandemia, a publicação reforça a importância de ampliar pesquisas e políticas voltadas às juventudes brasileiras, considerando suas múltiplas realidades e potencialidades.
Organizado nos eixos Trabalho, Educação, Violências, Territorialidade e Tempo, o livro articula análises acadêmicas e narrativas juvenis, revelando trajetórias marcadas por desigualdades históricas, mas também por criatividade e capacidade de reinvenção.
A OEI, organismo internacional fundado em 1949, atua no fortalecimento de políticas públicas nas áreas de educação, ciência, cultura e direitos humanos nos países ibero-americanos, tendo a juventude como eixo estratégico de suas ações. Por meio de iniciativas voltadas à inclusão educacional, participação social e apoio a políticas de juventude, a organização reconhece os jovens como protagonistas do desenvolvimento sustentável e da democracia.
– Os dados da pesquisa evidenciam desafios estruturais importantes: apenas 26% dos jovens ouvidos possuem alguma atividade remunerada, e mais da metade está na informalidade. Ao mesmo tempo, vemos uma juventude majoritariamente oriunda da escola pública e marcada por desigualdades históricas, mas que demonstra enorme capacidade de adaptação e resistência. Para a OEI, esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas mais integradas, que reconheçam os jovens como protagonistas do desenvolvimento -, Rodrigo Rossi, Diretor e Chefe da OEI no Brasil.
Para acessar o livro “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades”, acesse o link disponível nas redes sociais da Secretaria: www.instagram.com/juvrio.
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