Hospital de campanha da Prefeitura do Rio usará tablets para visitas virtuais da família aos pacientes de Covid-19

Publicado em 21/04/2020 - 19:51 | Atualizado em 21/04/2020 - 19:53
Sistema terá também 90 câmeras para que médicos monitorem pacientes à distância. Foto: Divulgação/ Prefeitura do Rio
A Prefeitura do Rio vai usar a tecnologia para humanizar e diminuir a separação entre familiares e pessoas internadas com Covid-19. Por meio de tablets, o hospital de campanha do Riocentro encurtará essa distância, provocada pelo isolamento, com videochamadas. A visita virtual será mais uma aliada no tratamento desses pacientes com o novo coronavírus.
– A Prefeitura está desenvolvendo uma tecnologia nova de relacionamento envolvendo médicos e pacientes – disse o prefeito Marcelo Crivella.
Pelo menos 70 equipamentos vão proporcionar a interação entre pacientes com Civid-19 e familiares. Foto: Divulgação/ IplanRio
– Já temos oito equipamentos que vão entrar em operação junto com o hospital. Sabemos que o isolamento provoca um drama enorme entre as famílias. Nossa intenção é que cada cinco tablets atendam 30 leitos, em média – afirma Júlio Urdangarin, presidente da IplanRio, a Empresa Municipal de Informática da Prefeitura.
Júlio informou que a meta é obter mais 70 tablets para uso das pessoas internadas no hospital de campanha. Ele explicou que cada paciente terá dez minutos para interagir com parentes e amigos, conforme exemplo de sucesso colocado em prática em hospitais da Itália e do Rio Grande do Sul.
– O sistema de comunicação, que, segundo especialistas, auxilia até mesmo na recuperação do doente e evita ainda mais a propagação do vírus, é simples. O paciente poderá falar com até quatro pessoas de uma vez – completou Júlio.
Visitas virtuais até a pacientes em UTI, se médico autorizar
A visita virtual também poderá ser estendida à UTI, mas somente com autorização médica, dependendo do estado de saúde de cada paciente. Apoiados em tripés, os tablets poderão ser deslocados facilmente entre os leitos.
Para a psicóloga, psicanalista e terapeuta familiar Márcia Modesto, a iniciativa da Prefeitura pode até ajudar na recuperação do paciente.
– Não nascemos para viver sozinhos. Então, num momento em que a pessoa está fragilizada por uma doença, é primordial ter contato, de alguma forma, com outro alguém que tenha importância para ela. Seja da forma que for, o contato humano é necessário, saudável e pode ajudar, sim, na recuperação da saúde – garante Márcia.
Todos os leitos monitorados por câmeras
O secretário de Infraestrutura, Habitação e Conservação (SMIHC), Sebastião Bruno, ressaltou que toda a rede de informática do hospital de campanha está instalada. Ao todo, 90 câmeras estão espalhadas estrategicamente, com rede de wi-fi e banda larga, para monitorar os leitos.
Os equipamentos possibilitarão que médicos e enfermeiros, de onde estiverem, acompanhem os pacientes, até por meio de smartphones, com a possibilidade de videoconferências entre os profissionais, por exemplo.
– Estamos fazendo um esforço enorme, que, certamente, será muito compensador – assegura Sebastião.
Para construir a rede, foram utilizados 18 km de cabos. Dos quatro mezaninos já existentes, três funcionarão como sala de descanso para médicos e enfermeiros. Todo equipamento médico e pessoal será fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde.
O hospital
A prefeitura do Rio investiu, inicialmente, cerca de R$ 10 milhões na construção do hospital de campanha, incluindo o sistema de informática, fora o valor destinado à operação e manutenção. A construção do hospital envolveu o trabalho diário de 160 funcionários, divididos em dois turnos.
Com 16,5 mil metros quadrados de pavilhão e 13 mil metros quadrados de área construída, o hospital de campanha é a maior unidade de saúde da rede pública de todo o estado. São 500 leitos destinados a pacientes com o novo coronavírus, sendo 400 de clínica médica e 100 de UTI.