Hospitais municipais para pacientes graves de Covid-19 terão funcionamento pleno em no máximo 10 dias

Publicado em 13/05/2020 - 14:19 | Atualizado
Leitos do hospital de campanha da Prefeitura, no Riocentro. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do RioPrefeitura divulga novo balanço de ocupação de leitos. Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, afirmou nesta quarta-feira, 13/05, que estima um prazo de até 10 dias para que os hospitais municipais de Campanha, no Riocentro, e Ronaldo Gazzola, em Acari, estejam em funcionamento pleno para atender pacientes da Covid-19. Até então, estavam abertos com os leitos possíveis porque precisavam da chegada de respiradores.

De acordo com Crivella, os novos equipamentos que já começaram a chegar da China — comprados pela Prefeitura do Rio antes mesmo de notícias sobre a pandemia, em gestão voltada a renovar o parque tecnológico da saúde municipal — vão garantir o atendimento com a capacidade total do município.


Os respiradores que já chegaram


Parte da aparelhagem chegou na terça-feira à noite (12/05) na capital fluminense e o restante chega ao longo desta quarta-feira (13/05).


Onde estão sendo instalados os respiradores


O prefeito declarou que são 726 respiradores no total, dos quais 200 serão entregues ao CTI do Hospital Municipal Ronaldo Gazzola, que também contará com mais 180 leitos para a enfermaria.

No Hospital Municipal de Campanha, no Riocentro, serão mais 80 respiradores, completando a montagem do CTI com 100 leitos e preparando os 400 leitos totais da enfermaria.

Haverá ainda a entrega de 20 respiradores para o CER do Leblon.


Mais respiradores chegam no fim do mês


Crivella ressaltou que nos próximos dias 28, 29 e 30 de maio chegará o restante da leva de respiradores e demais equipamentos comprados da China (150 respiradores previstos para desembarque dia 28; 150 dia 29; 120 no dia 30).

– Os equipamentos novos são muito importantes nesses hospitais que recebem os casos mais graves. A tomografia, que se faz em 20 segundos, vai mostrar a situação do pulmão e permitir que a doença seja detectada cedo e não alcance a gravidade. Os respiradores são usados para os casos que se tornaram graves – afirmou o prefeito Marcelo Crivella.


Médicos e enfermeiros estarão protegidos


O prefeito ressaltou a chegada também de milhares de equipamentos de proteção individual e disse:

-Também quero tranquilizar os médicos, enfermeiros, as equipes de apoio, que não vão faltar Equipamentos de Proteção Pessoal, os EPIs – acrescentou.

Crivella informou que a Prefeitura do Rio segue fazendo as instalações dos tomógrafos comprados da China pela cidade — Del Castilho, Bangu e Campo Grande já receberam o equipamento; nesta semana, os tomógrafos chegam à Rocinha e à Cidade de Deus. Pavuna, Madureira, Campo Grande e a Comunidade da Maré serão as próximas regiões a contarem com a aparelhagem, numa estratégia classificada como muito importante pelo prefeito Marcelo Crivella.

– Muda estratégia de atendimento inicial, em que a pessoa ia pra casa e voltava se sentisse febre e falta de ar. Agora estamos mais preparados e podemos começar o tratamento já – assegurou.


Tomógrafos terão enfermarias disponíveis  nos bairros


Crivella explicou que ao lado da instalação de cada tomógrafo pelos bairros também será montada uma enfermaria, onde a população já começara a receber os primeiros atendimentos. A decisão segue recomendação do Comitê Científico montado pela Prefeitura para estabelecer as ações de combate à pandemia.


Restrições de acesso no Rio


O prefeito Crivella agradeceu à população carioca que, segundo ele, está compreendendo e colaborando com as medidas adotadas no município para o
o combate à pandemia de coronavírus.

– Graças a Deus, a população está nos ajudando. Quero agradecer contribuição das pessoas, que nesse momento entendem a gravidade do assunto. As áreas que estão fechadas estão tendo o respeito da população em geral – avaliou o prefeito.

O prefeito, contudo, disse que ainda é necessário manter as medidas de afastamento e que não há prazo para a suspensão das ações adotadas para o afastamento social.

– Nosso Comitê Científico se reúne a cada três dias. São professores do Fundão, Uerj, da comunidade médica, da rede privada, além de todos os especialistas do município. À medida que tenhamos leitos disponíveis e em boas quantidades, e nossas curvas forem baixando, claro que vamos voltar às atividades. Mas precisamos voltar numa situação em que o nível de infecção seja baixo e não haja riscos à idosos e pessoas comorbidades, além de termos leitos disponíveis – ponderou Crivella.


Bloqueios não são lockdown


O prefeito Marcelo Crivella aproveitou a chegada dos equipamentos comprados pela Prefeitura na China para agradecer a ajuda da Polícia Militar nas ações de bloqueio às regiões com registros de maior movimentação de pessoas na cidade.

O secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, explicou, ao lado de Crivella, que pelas características da cidade do Rio de Janeiro, não está havendo aqui o chamado lockdown. Segundo ele, a capital fluminense está realizando bloqueios pontuais em áreas onde foram observadas grandes concentrações de pessoas.

– Não vamos chamar (as medidas) de lockdown. Vamos chamar de bloqueios. E são parciais, apenas em áreas com grande fluxo de aglomeração – disse Gutemberg. – A gente insiste em apelar a todos, porque a aglomeração hoje é nosso inimigo. Esse afastamento social é importantíssimo – ressaltou o secretário de Ordem Pública.