Setembro Amarelo: psiquiatra da Prefeitura do Rio diz como identificar riscos e ajudar a prevenir o suicídio

Publicado em 12/09/2019 - 11:54 | Atualizado em 22/11/2019 - 17:48
Monumento a Estácio de Sá, no Aterro, iluminado de amarelo em apoio à campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do RioMonumento a Estácio de Sá, no Aterro, iluminado de amarelo em apoio à campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

O Setembro Amarelo está no ar. A campanha alerta sobre o suicídio e chama atenção para a prevenção. A Prefeitura do Rio de Janeiro participa com iluminação especial feita pela Rioluz em monumentos da cidade e também com ações diversas na rede municipal de saúde, ao longo do mês. Nessas ações o assunto é debatido de forma franca e sem tabus. Porque falar ajuda a desmitificar o tema (saiba mais: Prevenção ao suicídio: precisamos falar sobre isso). A grande maioria das mortes por suicídio poderia ter sido evitada, diz o psiquiatra Hugo Fagundes, superintendente de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde. O médico dá dicas de como identificar riscos e destaca: ouvir, valorizar a outra pessoa e prestar atenção ao que ela diz são ações que podem salvar vidas:

– A maior parte dos casos de morte por suicídio ocorre dentro de casa, e por alguém que já manifestou desalento com a vida para uma outra pessoa e não foi ouvido ou valorizado. Isso produz um efeito danoso. A primeira coisa a pensar é que todo mundo, qualquer pessoa mesmo, pode ajudar. Estudos mostram que 75% das pessoas que tentam suicídio repetem o gesto em até 30 dias. O suicídio é um tipo de morte evitável. Mas para evitá-lo, é preciso que a pessoa seja acolhida e tenha acompanhamento.

De que forma ajudar alguém em risco de suicídio:

– É, sobretudo, ouvir com atenção e carinho. Veja: não é dar conselho, isso não funciona. É fazer a pessoa falar. E você, então, prestar atenção ao que ela está falando. O simples fato de a pessoa ser ouvida com interesse a faz se sentir valorizada. O apoio da família e dos amigos é fundamental.

O passo a passo do acolhimento, segundo dr. Fagundes:

  • Prestar atenção à pessoa e ouvi-la;
  • Não deixar a pessoa sozinha, em situação que possa atentar contra a própria vida;
  • Buscar ajuda profissional de psiquiatra e/ou psicólogo;
  • Procurar levar a pessoa a uma unidade de atenção primária do município (clínicas da família ou centros de saúde), onde ela receberá atendimento (saiba mais: onde ser atendido);
  • Indicar a ajuda do Centro de Valorização da Vida (CVV), no telefone 188 (ligação grátis) ou no site cvv.org.br: o auxílio é 24 horas por dia, todos os dias da semana;

  Sinais e sintomas que ajudam a identificar o risco:

  • Perda da vitalidade;
  • Perda da alegria de viver;
  • A pessoa fica só remoendo coisas ruins;
  • Perda da criatividade e da espontaneidade;
  • Alteração no sono: uns dormem demais, outros ficam sem dormir;
  • Ideias de acabar com a própria vida;
  • Além das ideias, planos de acabar com a própria vida (em casos mais graves e urgentes, a pessoa passa a elaborar estratégias para se matar).

Sobre o suicídio

O suicídio é um fenômeno complexo, de múltiplas determinações. Mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9 em cada 10 mortes por suicídio poderiam ter sido evitadas. Não existe receita para detectar o risco com precisão, mas um indivíduo em sofrimento geralmente dá sinais, e familiares e amigos próximos devem ficar atentos para percebê-los. O perigo aumento se muitos desses avisos se manifestam ao mesmo tempo (fonte: Ministério da Saúde).

Alguns dados estatísticos

No mundo:

  • 800 mil suicídios por ano
  • uma morte a cada 40 segundos
  • 2ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos
  • 79% das ocorrências em países de baixa e média renda
  • 65 mil na região das Américas (OMS, 2018).

No Brasil:

  • 12.495 óbitos por suicídio (6 óbitos para cada 100 mil habitantes)
  • 32 suicídios por dia
  • Risco quatro vezes maior no sexo masculino que no feminino: 9,6 óbitos e 2,5 óbitos/100 mil, respectivamente (DATASUS – SIM e população Brasil estimada 2017).

Centro de Valorização da Vida – CVV

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas, todos os dias. A ligação para o CVV, em parceria com o SUS, é gratuita, por meio do número 188, a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

http://noticias.prefeitura.rio/rioluz/campanha-setembro-amarelo-de-prevencao-ao-suicidio-muda-cor-de-monumentos-no-rio/

http://noticias.prefeitura.rio/rio-acontece-noticias/setembro-amarelo-idosos-de-projetos-da-prefeitura-do-rio-fazem-campanha-de-prevencao-ao-suicidio/