Coronavírus: Prefeitura trata de compensações financeiras com governo federal

Publicado em 18/03/2020 - 18:38 | Atualizado em 19/03/2020 - 12:55
Prefeito Crivella trabalha sem quaisquer sintomas de Covid-19. Foto: Divulgação

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, está em contato com o Tesouro Nacional para tratar de compensações financeiras que ajudem o município a enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Com o isolamento dos cidadãos como método mais eficaz para combater a doença, a queda de receitas com a redução das atividades econômicas tem sido e será muito forte.

Para o prefeito, é preciso manter um nível de atividade econômica para que a sociedade não tenha “problemas colaterais mais graves, como enfermidades, suicídios, desemprego, quebra de empresas, desestruturação social e de lares”.

“Estamos com as ruas cada vez mais vazias devido à orientação para as pessoas ficarem em casa. Precisamos nos preocupar com as pessoas que mais estão passando necessidades e sofrimento. Por isso, tratamos com o governo federal de refinanciamento, escalonar pagamento de impostos. Com isso, com essa decretação da calamidade, poderemos aplicar mais verba na saúde e, por exemplo, distribuir cestas básicas para 10 mil ambulantes legais que estão nas ruas sem consumidores”, disse Crivella.

O prefeito lembrou que tem que pagar dívidas com os bancos públicos, uma conta deixada da época das Olimpíadas, de obras do passado.

“No meu governo, tive que pagar R$ 7 bilhões deixados pela gestão passada; sendo que R$ 5 bilhões eu já paguei e ainda tenho R$ 2 bilhões para pagar.”

Agilidade para contratação de pessoal e aquisição de insumos

Crivella explicou que a decretação da situação de emergência dá agilidade para contratação de pessoal e aquisição de insumos que vão equipar a rede pública para enfrentar a crise causada pelo Covid-19:

– A situação de emergência possibilita à Prefeitura, por exemplo, arregimentar mão de obra, contratar sem concurso público e também fazer compras mais rápidas sem o sistema de licitação, que é longo. Também ocupar prédios privados, claro que com indenização, mas com muito mais facilidade jurídica para tomar essas medidas. Por isso é que nós fizemos o decreto – explicou o prefeito.

Alunos carentes não serão prejudicados

Crivella assegurou que as crianças mais carentes da rede pública municipal, que necessitam da alimentação nas escolas, não serão prejudicadas, mesmo com a decisão da Justiça, que determinou o fechamento das unidades que estavam abrindo das 11h às 13h, exclusivamente para o horário do almoço. A Prefeitura recorreu da decisão, mas já pensa em outras alternativas.

– Houve uma decisão judicial para que ficassem fechadas. Estamos recorrendo, mas, se perdermos o recurso, vamos pensar em outra forma: ou com uma distribuição de cesta básica, ou alguma refeição para levar para casa. Vamos procurar atender. Das 1.000 crianças que vieram no primeiro dia, só 500 vieram no segundo – afirmou.

Evitar aglomeração é fundamental

O prefeito voltou a aconselhar a população a ficar em casa para evitar aglomerações. Segundo ele, essa é a medida mais eficaz para evitar o contágio. Essa preocupação norteou todas as medidas já adotadas pela Prefeitura:

– Nós tomamos aquelas medidas todas restritivas que foram noticiadas em todos os meios de comunicação. Fechamos os parques públicos; não vai ter mais área de lazer ao final de semana; estamos incentivando as pessoas a não fazerem qualquer tipo de aglomeração, inclusive nas praias. Também proibimos as pessoas de andarem em pé nos ônibus, BRTs e ônibus comuns. Há também uma série de restrições no atendimento ao público da Prefeitura. Agora é online, para as pessoas fazerem a revisão das suas multas ou entrarem com projetos, pedirem alvarás, ambulante legal ou coisas do tipo. Todas essas restrições, na reunião que será feita amanhã, poderão ser amplificadas ou estabilizadas ou se manterem – afirmou o prefeito.

Teste de curiosidade está descartado

Crivella também voltou a frisar que uma simples gripe não é razão para procurar a rede pública, que precisa atender prioritariamente os grupos de risco já identificados na atual pandemia. Lembrou ainda que as unidades de saúde do município não farão testes para detecção do Covid-19 a quem os solicitar, pois a prioridade são os pacientes internados:

– Não estamos fazendo teste de curiosidade. Vamos supor que uma pessoa tenha sintomas de gripe. Ela não deve ir a nenhuma unidade da Prefeitura, do estado, do governo federal para fazer um teste para ver se está com coronavírus. Devem procurar as nossas UPAs, clínicas de família, os CER dos hospitais quem apresentar os seguintes sintomas: febre alta e falta de ar. Em nenhum país a gente tem condições de fazer teste em todas as pessoas que estejam com uma gripe.