Prefeitura apoia empreendedores das redes de Economia Solidária, que unem forças durante a pandemia

Publicado em 10/06/2020 - 12:22 | Atualizado
Artesãs costuram peças para vender em feiras. Foto: Divulgação / Prefeitura do Rio

Criado em 2014 para comercializar a produção da economia solidária em praças da cidade, o Circuito Rio Ecosol, uma parceria do Fórum Municipal de Economia Solidária com a Coordenadoria de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação (SMDEI), precisou suspender seu calendário mensal, que leva mais de 200 empreendedores para 10 bairros da cidade. Mas, para garantir a renda desses trabalhadores, foi organizada uma corrente do bem, que inclui até vaquinha virtual.

O Ecosol reúne pessoas que usam a habilidade e a criatividade para fazer peças de decoração, roupas, bijuterias, bolsas e tudo mais que a inspiração permitir para ganhar um dinheirinho extra. Mas, para muita gente, esses talentos geram o principal rendimento da família. É o caso da gaúcha Sandra Helena Dias, que mora no Rio de Janeiro há 50 anos. Sandrinha, como é conhecida, é artesã há 40.

– Durante muito tempo, enquanto eu trabalhava fora, o artesanato era um complemento, mas, há algum tempo passou a ser o meu sustento – conta.

Integrante da rede de Economia Solidária, no Rio, Sandra é coordenadora da Rede Afro Portuária e uma craque na arte de fazer bolsas, enfeites de cabelo, colares. Mesmo não podendo ir para as feiras expor e vender suas criações, por conta do isolamento social, ela deu um jeito de continuar trabalhando.

– Durante a quarentena, passei a fazer máscaras de proteção, também. Eu não saio de casa para me proteger desse vírus. Entrego minhas encomendas aos clientes por uma cestinha presa a uma corda. Do segundo andar, onde moro, coloco as peças e as clientes colocam o dinheiro e eu só puxo – revela Sandra, que tem 69 anos.

Mesmo tendo encontrado uma saída para o seu negócio, ela não deixou de pensar nas colegas da rede.

– Todo mundo está precisando de ajuda. Então, conversei com a pessoa que cuida do fundo de reserva do grupo e decidimos dividir o dinheiro entre as nove pessoas que compõem o grupo. Por dois meses, vamos conseguir ajudar.

 

Mulheres protagonistas

As mulheres do programa social DEVAS – Artesãs da Maré, que, também, integra o Circuito Rio Ecosol, já são conhecidas pelas iniciativas, esforços e vitórias importantes no comércio justo e economia solidária. Porém, a cuidadosa organização não evitou que estejam passando por um momento difícil devido à quarentena.

 

Vaquinha online

A fundadora do projeto, Clarice Cavalcante, determinada a procurar maneiras de continuar o trabalho, recorreu às redes sociais e criou uma ‘vaquinha online’. “Criamos a vaquinha (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-as-artesas-da-mare) porque precisamos de ajuda. As Artesãs da Maré estão sem renda durante a quarentena. Precisamos de alimentos e material de limpeza, também. As doações são de extrema importância nesse período tão desafiador”, conta ela.

 

Como surgiu o DEVAS?

O projeto Devas se iniciou há 21 anos na Nova Holanda, e foi fundado para apoiar mulheres que sofriam de estresse psicológico devido à violência, fornecendo um meio de gerar renda em um espaço de trabalho animado e saudável.

Devas é composto por oito mulheres, um homem e o trabalho do grupo é organizado de forma cuidadosa e transparente, de tal forma que cada trabalhadora saiba de antemão o que vai ganhar por seu trabalho e as tarefas são distribuídas uniformemente de modo que todos os membros possam ganhar um salário decente.

Edmeia de Souza Ferreira é artesã há mais de 20 anos. Foto: Divulgação / Prefeitura do Rio

Continue a produzir, continue a produzir

Artesã há mais de 20 anos, Edmeia de Souza Ferreira, também da economia solidária, faz parte da Rede Leopoldina. Dona de um talento primoroso, ela faz colares lindos, além de pulseiras, brincos, xuxinhas, chaveiros. São de crochê ou nozinho, técnica exclusiva desenvolvida por ela.

Com 71 anos, Edmeia segue, direitinho, as orientações de ficar em casa, durante a pandemia. Com a certeza de que tudo vai passar, escolheu aproveitar a quarentena para continuar produzindo suas peças.

“Estou trabalhando, criando e guardando para quando tudo isso passar eu estar abastecida de mercadoria para voltar às feiras e vender muito”, planeja Edmeia.

 

Vai passar

Respeitar as orientações de isolamento social e tomar todas as medidas de prevenção ao coronavírus são as melhores escolhas que todos podem fazer, nesse momento. E o sentimento de que tudo isso, por mais que pareça estranho, é uma fase e vai passar é o que fortalece e renova a esperança de tempos melhores e saudáveis estão por vir.

Enquanto isso, ajudar ao próximo, usar a criatividade para colocar em prática boas iniciativas e continuar trabalhando, estudando devem fazer parte da rotina.

Vai passar!