Habitação cria formulários digitais e moderniza processo de captação de dados sobre moradias

Publicado em 06/07/2021 - 18:19 | Atualizado
Além da informatização dos dados, principal ganho é o georreferenciamento - Thiago Freitas/Prefeitura

Após anos portando pranchetas e preenchendo formulários impressos com informações sobre habitantes e moradias em áreas de vulnerabilidade para fins de cadastro e possível reassentamento, a Secretaria Municipal de Habitação modernizou e agilizou o processo, desenvolvendo formulários digitais que passaram a ser usados durante as visitas de campo.

Até então, os técnicos preenchiam todas as informações manualmente, memorizavam alguns dados e faziam um rascunho para, posteriormente, realizar uma pesquisa na internet e, então, obter o georreferenciamento. Agora, com os formulários informatizados, é possível identificar o morador com foto, características construtivas e visuais do imóvel (como laje e cobertura) e o georreferenciamento (o técnico desenha o polígono do local da vistoria no próprio celular). Por meio deles, também é possível elaborar gráficos, gerar planilhas e, a partir disso, propor políticas habitacionais.

A modernização dos formulários, incentivada pela atual gestão da secretaria, foi concluída em março e as páginas digitais foram usadas pela primeira vez em uma vistoria recente feita na comunidade São Sebastião, na Praça Seca. Desde então, 12 relatórios já foram gerados, cada um referente a uma moradia na região.

O vice-prefeito e secretário municipal de Habitação, Nilton Caldeira, destacou a importância da informatização dos dados no dia a dia da pasta. – É fundamental buscar formas de modernizar o processo de captação de dados e disponibilizar essas informações no sistema, a fim de facilitar o acesso e a elaboração de políticas habitacionais. A ideia é aplicar essa expertise em outros procedimentos da secretaria, o que será positivo tanto para a rotina dinâmica da nossa equipe, quanto para os beneficiários dos programas da SMH.

A autora dos formulários digitais que têm facilitado a vida dos técnicos é a engenheira Jéssica Nascimento, que atua na Secretaria de Habitação há 11 anos, um ano como contratada e 10 como servidora. Com o apoio dos engenheiros cartógrafos Hildermes Medeiros e Vinícius Bizzo, as páginas foram desenvolvidas em dois meses, entre criação, validação e utilização. A criação não foi simples. Os dois enfrentaram alguns percalços e precisaram refazer e aperfeiçoar o processo para que tudo funcionasse adequadamente. Utilizando uma linguagem computacional, fizeram de forma que o formulário voltado para dados de moradias gerasse um relatório exatamente igual ao que era feito anteriormente à mão, ou seja, o padrão foi mantido. Sendo assim, é possível saber qual é a casa, onde ela está localizada e quem é o proprietário, que é o objetivo do levantamento de campo.

Com 30 anos de idade, Jéssica é mestranda em Engenharia Urbana pela UFRJ e já passou por diferentes setores da Secretaria de Habitação, como a Gerência de Infraestrutura, onde aprofundou seu conhecimento e adquiriu mais experiência sobre a urbanização de áreas informais.

– Diante disso, vi a necessidade de ter uma visão mais abrangente sobre planejamento urbano e, por isso, ingressei no mestrado, que tem muito a ver com o que trabalhamos: software, georreferenciamento e processamento de informações. Confesso que fiquei bem surpresa, porque achei que não fosse conseguir aplicar o que aprendi no mestrado. Mas pelo contrário, estou conseguindo colocar em prática muitas coisas e contribuir com a secretaria com o conhecimento que adquiri – disse a servidora, que também se especializou em Drenagem Pluvial Urbana.

O aplicativo utilizado como base para criar os formulários digitais está dentro do pacote de serviços contratado pela Prefeitura, e os dados inseridos neles vão direto para o SIURB (Sistema de Informações Urbanas), cuja função é integrar as informações das secretarias competentes para, então, planejar políticas públicas. Com base nas funcionalidades disponíveis no sistema, que inclusive disponibiliza informações para consulta da população, Jéssica pensou em formas de aplicar essas ferramentas nas vistorias e em outros serviços da SMH.

– A minha ansiedade sempre foi que a informação não se perdesse em meio a tantos papéis e nem fosse embora com pessoas que saem da secretaria. Então essa é uma luta que temos, de informatizar os dados. E atualmente estou vendo muito mais movimento em prol disso. Tenho pensado nas melhores formas de armazenar essas informações. Além disso, precisamos ter essa visão espacial da cidade, de onde a família está saindo e para onde ela será encaminhada. E só conseguimos fazer isso através do georreferenciamento. Então, me especializei na área e, com a ajuda de outros técnicos, temos conseguido desenvolver ferramentas que facilitam o trabalho e agilizam todo o processo. Estamos bem animados.

Seguindo essa linha coletiva de pensamento, outras ferramentas estão sendo avaliadas a fim de modernizar e assegurar os procedimentos da Secretaria Municipal de Habitação, além de minimizar erros de informação e sistematizar os dados, agilizando os processos e serviços em prol da população.

  • 6 de julho de 2021