A vida nas prisões e o sistema carcerário marcam debate promovido pela JUVRio no estande Paixão de Ler da Bienal do Livro

Publicado em 08/12/2021 - 18:22 | Atualizado
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Apresentação na Bienal do Livro - Thiago Guain / Prefeitura do Rio

A Secretaria Especial da Juventude Carioca (JUVRio) trouxe a público nesta quarta-feira (08/12), pela segunda vez, o painel “Reflexões sobre o Sistema Prisional”, na 20ª Bienal Internacional do Livro. Os convidados debateram com os jovens, na arena Paixão de Ler da Secretaria Municipal de Cultura, os rumos da vida das pessoas que estão em cumprimento de pena ou egressos. Em sua primeira Bienal do Livro, a JUVRio tem levado ao Riocentro diferentes temas que impactam a juventude como emprego, arte, carnaval, sustentabilidade, literatura e o direito de sonhar. As apresentações ocorrem até o domingo (12/12), sempre das 15h às 16h.

O painel foi aberto por um recital de poemas do escritor egresso Samuel Lourenço, autor de “Além das grades” e “Gangrena, o Sistema Prisional em Poema”. Os textos refletem a realidade da vida atrás das grades. João Félix, ator, instrutor de teatro e articulador artístico, foi quem realizou a performance. A mediadora do painel, Isabela Sabbatino, representante da JUVRio que já atuou na Fundação para a Infância e Adolescência, apresentou dados sobre encarceramento de jovens no Rio de Janeiro:

 

— Um dado alarmante é que cerca de 42% da juventude carioca é oriunda da Zona Oeste. No Complexo Penitenciário de Gericinó, que fica nessa área da cidade, 52% dos detentos são jovens. A pergunta que a gente se faz é: o que precisamos fazer para mudar essa realidade? Não há dúvida de que o encarceramento em massa tem recortes de cor e classe social. O Poder Público tem que atuar de dentro para fora e pensar em quantas pessoas são presas na sua juventude.

 

O cofundador e coordenador de projetos e a coordenadora de comunicação da Associação EuSouEu – A Ferrugem, Cristiano Oliveira e Bárbara Mariano, foram os convidados do painel. Para Cristiano, há um paradigma na realidade de quem cumpre a pena determinada pela Justiça.

 

— Existe um estigma muito grande que acompanha a vida da pessoa que cumpriu sentença judicial. A política do “bandido bom é bandido morto” não ignora que o bandido tem um endereço e um nome bem definido. A pena não termina no processo judicial, ela se perpetua pela vida do condenado. Quando você sai do sistema prisional, há apenas duas perspectivas: ser morto ou reincidir na prisão, pois não existe nenhum projeto de sucesso de ressocialização para quem esteve lá.

 

Já Bárbara Mariano, graduanda em Jornalismo e ex-detenta, entende que a sociedade precisa refletir melhor sobre o que significa o encarceramento em massa.

 

— Sou sobrevivente do sistema prisional. Nós precisamos dar alguns passos atrás para entender o porquê de se encarcerar tanta gente e quem são essas pessoas. Falar sobre ressocialização não pode ignorar o mundo que o liberto do cárcere vai encontrar do lado de fora. Enquanto a elite, que é quem investe o dinheiro, não se conscientizar da origem do encarceramento e dos problemas sociais verdadeiros, não vamos chegar a lugar algum. A cadeia se torna o lugar onde se guardam os corpos que as sociedade não quer ver. A cadeia rouba, muitas vezes, a humanidade de quem cumpre a pena e dos agentes que ali trabalham.

 

A participação da JUVRio na Bienal do Livro ainda não acabou. Nesta quinta-feira (09/12) será realizado o painel “Sustentabilidade e o emprego do futuro”.

Confira aqui a programação da JUVRio na 20ª Bienal Internacional do Livro 2021: https://prefeitura.rio/juventude/secretaria-da-juventude-participa-da-xx-bienal-internacional-do-livro-com-intervencoes-artisticas-e-debates-sociais/.

  • 8 de dezembro de 2021
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