Exposições sobre carnaval, em cartaz no Galpão das Artes, mostram que sustentabilidade dá samba

Roupa de palhaço feita de material reciclado fez parte de desfile da Mangueira e é um dos figurinos do acervo de Rick BarbozaRoupa de palhaço feita de material reciclado fez parte de desfile da Mangueira e é um dos figurinos do acervo de Rick Barboza. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

Pelas mãos do figurinista Rick Barboza, a folia carioca dura o ano todo, na forma de peças confeccionadas com material recolhido após os desfiles das escolas de samba, na Marquês de Sapucaí. O resultado do seu trabalho, que já foi visto em palcos de teatro e videoclipes, agora está em exibição no Galpão das Artes Urbanas Helio Pellegrino, da Comlurb, na mostra “Reciclando o carnaval”. São mais de 50 criações de Rick, pela primeira vez em exposição.

– Foram quatro meses de organização do material. Reciclagem sempre fez parte da minha vida. Na adolescência, os tênis dos amigos ganhavam nova cor a cada semana – conta o figurinista, que hoje trabalha por encomenda e, quando não há pedidos, monta peças para seu acervo.

O figurinista Rick Barboza
O figurinista Rick Barboza. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

Rick, que é formado em artes plásticas na Espanha, também costuma garimpar em brechós e até em casa – uma tiara da mostra tem um anjinho reaproveitado de um bibelô da mãe e outra peça ganhou penas de um espanador. Mas o Sambódromo é seu melhor “fornecedor”:

– Desfilo na Mocidade (Independente de Padre Miguel) e, sempre que chego à Apoteose, pego restos de armações de ferro, de arranjos de flores, de roupas. Muita coisa que iria para o lixo ganha uma nova função.

Produção de figurinos em tempo real

Integrantes do bloco Vagalume, O Verde e as máquinas usadas na confecção de figurino
Integrantes do bloco Vagalume, O Verde e as máquinas usadas na confecção de figurino. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

Reaproveitar material é uma ideia que dá samba há 15 carnavais para o bloco Vagalume, O Verde. O grupo, que defende a sustentabilidade, também está expondo no Galpão das Artes, mas a mostra deles é diferente: o público pode acompanhar a confecção do figurino e de adereços do desfile, que será dia 25 de fevereiro, na Rua Jardim Botânico.

– Vamos produzir a roupa dos integrantes da bateria e uma alegoria móvel, tipo dragão chinês, que representará a Sereia que dança destemida, tema do nosso enredo – conta Hugo Camarate, presidente do bloco, acrescentando que, para os trabalhos, o grupo tem o apoio da Associação das Mulheres Empreendedoras do Brasil, entidade que capacita artesãs para o carnaval.

Durante a mostra, a equipe do bloco também fará cem sacolas de material reaproveitado, que serão distribuídas para foliões, e 40 coletores de resíduos para aumentar a capacidade de retirada de lixo da rua, durante o desfile. No ano passado, por exemplo, essa iniciativa ajudou a remover 776 quilos detritos.

As duas exposições têm entrada gratuita e ficam em cartaz até 21 de fevereiro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O Galpão das Artes fica na Rua Padre Leonel Franca s/nº, Gávea.

A seguir, mais fotos da exposição:
Peças do acervo de Rick Barboza, em exposição no Galpão das Artes
Peças do acervo de Rick Barboza, em exposição no Galpão das Artes. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio
Peças podem ser visitadas até 21 de fevereiro
Peças podem ser visitadas até 21 de fevereiro. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

 

Peças fazem parte do acervo de Rick Barboza
Peças fazem parte do acervo de Rick Barboza. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio