Unesco anuncia Rio de Janeiro como Capital Mundial da Arquitetura

Publicado em 18/01/2019 - 16:55 | Atualizado em 09/09/2019 - 17:59
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A Cidade Maravilhosa, conhecida mundialmente por suas belezas naturais, tornou-se também a primeira Capital Mundial da Arquitetura. O anúncio foi feito em Paris nesta sexta-feira, 18 de janeiro, na sede da Unesco, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para educação, ciência e cultura. A secretária municipal de Urbanismo, Verena Andreatta, representou o prefeito Marcelo Crivella na solenidade. Em 2020, o Rio será sede do 27º Congresso Mundial de Arquitetos. O evento ocorre a cada três anos, e, a partir da edição carioca, a cidade que sediar o evento receberá também o título.

– Nosso compromisso é o de transformar o ano de 2020 em um marco na história cultural da cidade. Além da visibilidade internacional, teremos a oportunidade de ampliar a relação de pertencimento dos moradores da nossa cidade com o seu patrimônio histórico e arquitetônico, difundindo e preservando esse acervo – comemorou o prefeito Marcelo Crivella. – O Rio de Janeiro possui uma arquitetura que reflete a riqueza de culturas que formam a sociedade brasileira, por ter sido porto e capital do Brasil por mais de dois séculos.

Verena Andreatta destacou a importância do título conferido pela Unesco:

– Apesar de relativamente nova, a cidade do Rio já deixou valiosas referências na história da arquitetura. Ao longo de seus poucos séculos, passou por transformações substanciais, de grande magnitude, com técnicas complexas da engenharia e do urbanismo contemporâneos. Poucas cidades tiveram alteração tão expressiva em sua topografia original. Temos uma mescla eclética de estilos arquitetônicos e paisagem urbana reverenciada pelo mundo por suas condições naturais. O título de Capital Mundial da Arquitetura é a justa condecoração dessa história – disse a secretária.

Presidente do 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2020 RIO, Sérgio Magalhães frisou que a decisão da Unesco abre novas perspectivas para a cidade e o país:

– Ser Capital Mundial da Arquitetura e sediar o Congresso Mundial de Arquitetos formam um binômio de extrema importância para a cidade do Rio e para a cultura arquitetônica brasileira. Especialmente, porque proporciona um diálogo com a sociedade, que deverá criar um novo tempo para o enfrentamento dos desafios das nossas cidades – destacou Magalhães.

O Rio foi escolhido pela UIA por seu passado arquitetônico, histórico e cultural, mas também pelos desafios que enfrenta. O congresso, no entendimento de Magalhães, vai gerar reflexão sobre o futuro carioca. Cidade de grande diversidade urbanística, o Rio tem em seu território situações comuns em grandes centros urbanos, tanto de países mais pobres ou em desenvolvimento como de nações ricas. “O que a torna um caso quase único de interesse para os arquitetos do mundo todo”, assinalou Magalhães.

– A cultura e a arquitetura são fundamentais para a superação de desafios e soluções inovadoras para os espaços urbanos. Ter o Rio como a primeira Capital Mundial da Arquitetura é um fato a ser celebrado pelo país, uma vez que a cidade se tornará o palco de uma série de eventos, em 2020, para tratar de temas importantes para o desenvolvimento, como cultura, planejamento urbano, mobilidade, obras públicas e a construção de cidades mais inclusivas. Além desse título, a cidade ainda é reconhecida por abrigar dois sítios do Patrimônio Mundial Cultural: paisagens cariocas entre a montanha e o mar e o Sítio Arqueológico Cais do Valongo – comentou a diretora da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.

LEGADO PARA A CIDADE

Além de atrair novamente as atenções internacionais de forma positiva, o título de Capital Mundial da Arquitetura destaca um aspecto ainda pouco difundido do Rio: seu valor arquitetônico. A cidade tem muito a oferecer nesse sentido: construções do período colonial; prédios no estilo art-déco, que marcou as primeiras décadas do século passado; e os primeiros edifícios modernistas e pérolas da arquitetura de Oscar Niemeyer, maior nome brasileiro, reconhecido mundialmente. No entanto, segundo especialistas, o principal legado será o de identificar metas que possam ser traçadas para os próximos dez anos, o que ajudará a construir políticas públicas para a melhoria do projeto urbanístico da cidade.

  • 18 de janeiro de 2019