Confira os principais trechos da entrevista coletiva sobre as novas medidas restritivas de prevenção à Covid-19

Publicado em 04/03/2021 - 13:15 | Atualizado em 04/03/2021 - 13:50
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Paes anunciou as novas medidas de combate à Covid - Beth Santos/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou novas medidas restritivas de prevenção à Covid-19, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (04/03), no Centro de Operações Rio (COR), na Cidade Nova.

Confira os principais trechos:

 

Por que novas medidas?

“Todas as medidas que anunciamos hoje têm um objetivo principal, que é evitar que se repita em 2021 o genocídio de 2020 que aconteceu no Rio de Janeiro. Nós temos metade dos habitantes de São Paulo e em 2020 morreram mais pessoas na cidade do Rio do que em uma (São Paulo) que tem o dobro da população”.

Número de casos de Síndrome Gripal e de SRAG

“Esse dado é o que vem mais me incomodando nos últimos dias e que mais influenciou na decisão tomada. A gente repara a notificação lá na UPA, na unidade de saúde básica, de pessoa que aparece com sintoma gripal, febre baixa. Começamos a ter mais pessoas aparecendo com sintomas da Covid. Se a gente for notar, esse número vinha caindo nesse ano e, a partir do final da semana passada, a queda deixou de acontecer”.

 

Possível lockdown

“Nosso objetivo é nos antecipar, para que possamos manter os números baixos. A gente não quer decretar uma medida sem razão de ser. Não é achismo do prefeito, eu  busco me consultar com os especialistas para evitar que a gente tenha que tomar medidas muito mais duras, como outras cidades no Brasil estão tomando, fechando o comércio. Ontem, Fortaleza decretou duas semanas de fechamento de tudo. Se a gente conseguir estancar esse processo de contaminação, a gente evita mortes. Tomara que essas medidas durem só uma semana”.

 

Preservação da atividade econômica

“Essas medidas são para preservar a atividade econômica, porque o pior cenário do mundo é a gente ter que fechar tudo. Entendam aqueles que estão chateados, que eventualmente vão ter um momento de mais dificuldade, estamos fazendo isso para preservar vidas e para preservar os negócios de vocês também. Porque se essa coisa piora, aí vai para o fechamento geral, aí vai proibir, não abre mais. Aí é aquela situação que já viveu, de quebradeira. Não quero quebrar ninguém.  As atividades podem todas continuar, estamos limitando um pouco o horário, aqueles que vão até mais tarde, vão fechar um pouco mais cedo, e limitando a ocupação dos estabelecimentos. Delivery está liberado. Academia de ginástica vale a regra da resolução para o alto risco. O que já estava funcionando em alto risco pode continuar a funcionar naquelas características previstas. Não muda nada”.

 

Sem fake news

“As pessoas ficam querendo produzir números. Desculpa, mas vi uma matéria, acordei  com o twitter do  Daniel Soranz contestando os números que a CNN fez ontem, superlotação… Não tem isso. Simplesmente não existe. Poderiam dar uma checada antes, a gente não quer ficar contestando o trabalho importante que a imprensa desempenha, mas simplesmente isso não está acontecendo na rede municipal. “A rede de saúde do Rio está uns caos”, não é verdade. Não é verdade se alguém disser que aumentou a internação (número de), que aumentou óbito. Nada disso aconteceu na cidade do Rio de Janeiro nos últimos dias, nem nas últimas semanas. A situação está sob controle”.

 

Medidas tomadas com base em quatro dados

“1- Dado científico que é ali na ponta, sem aumento de numero de internações, sem aumento do numero de óbitos, com a cidade inteira em nível moderado, mas na ponta, a gente tem uma tendência ainda a ser apurada de aumento de casos lá na Unidade Básica de Saúde, do cara que surge com sintomas da doença;”

“2- Estamos acompanhando em boa parte do Brasil, em nosso entorno, destaque para Minas Gerais e São Paulo, que a coisa se agravou. É nova cepa, a epidemia ampliando, aumento do número de internações, aumento do numero de óbitos. Há uma tendência nacional de que isso possa chegar no Rio de Janeiro. Ainda não chegou, espero que não chegue.”

“3- Uma instituição como a Fiocruz faz um alerta nacional: ‘Ferrou, vamos ter um caos no Brasil’. Não dá para ignorar. Eu sou tomador de decisão. Vou falar: ‘Ah, não, a Fiocruz só tem gente assustada lá’. Não, são fatos e dados concretos. Repito: não há aumento de numero de mortes no Rio, não há aumento de internação, de casos, mas tem uma série de indícios que estão nos levando a tomar essa decisão.”

“4- As pessoas não estão respeitando as restrições impostas. Não estou querendo aqui culpar o dono do bar, do restaurante, porque tenho visto o esforço dessas pessoas, sou solidário, quero ajudar e estou tomando essas medidas para que a gente não tenha que fechar em definitivo. Mas o que nós vemos é uma enorme irresponsabilidade. Quando diz assim: ‘não aglomere’, festa todo dia.  Eu vi no domingo, na Lagoa, nos quiosques, é uma vergonha, um escândalo. Ninguém quer fechar quiosque, quer que funcione. Também não estou culpando o dono do quiosque, mas as pessoas estão aglomerando no entorno. Aí vem o ambulante, vende, e a gente fica igual a um maluco atrás.”

 

Sem toque de recolher

“Não é proibido se deslocar, se movimentar, andar. Quem tiver que sair da casa da mãe para casa da avó não tem problema nenhum. Ninguém está dizendo que não pode sair às ruas. Não tem toque de recolher. Tem uma proibição, que é uma restrição de permanência das pessoas em vias públicas de 23h às 5h.”

 

Fiscalização em parceria com o Estado

“Essas medidas que estamos tomando hoje facilitam a fiscalização do município. Nós precisamos ter mais capacidade de agir. Hoje, temos reunião com as forças de segurança do Estado. Ontem, conversei com o governador Cláudio Castro, sobre as medidas a serem adotadas pela Prefeitura. Tinha esse dever de trabalhar em parceria com o governador, informar e consultá-lo. Tivemos respaldo para nossas ações, essa é uma decisão do município não do governo do Estado. O governador entende e respeita isso. Vamos ter reuniões com as forças da segurança pública, com a Seop, para a efetiva implementação dessas medidas.”

 

Prefeitura anuncia novas medidas restritivas de prevenção à Covid-19

  • 4 de março de 2021