Mutirão de Reflorestamento celebra 33 anos com mais de dez milhões de mudas plantadas em morros e encostas

Publicado em 23/11/2019 - 13:04 | Atualizado em 23/11/2019 - 20:57
Sumaré em 2019, após mutirão de reflorestamento. Foto: Angela Meurer / divulgaçãoSumaré em 2019, após mutirão de reflorestamento. Foto: Angela Meurer / divulgação

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, celebrou nesta sexta-feira, 22 de novembro, os 33 anos do programa Mutirão Reflorestamento, que já plantou mais de dez milhões de mudas em 3,4 mil hectares de área de morros e encostas em 92 bairros. Ao longo de todos esses anos, 15 mil moradores de comunidades aderiram voluntariamente à iniciativa. Eles recebem bolsa-auxílio, e a remuneração é a única fonte de renda para 60% das famílias.

– Temos que celebrar a nossa consciência ambiental, que fez acontecer na nossa cidade um mutirão de reflorestamento como esse. Espero que vocês plantem não só árvores, plantem também o exemplo de vocês, com civismo, para que a gente siga construindo uma cidade melhor. O trabalho de vocês é muito lindo, merece ser aplaudido – discursou Crivella durante a solenidade no Palácio da Cidade, em Botafogo.

Sumaré em 1998, antes do mutirão de reflorestamento. Foto: arquivo
Sumaré em 1998, antes do mutirão de reflorestamento. Foto: arquivo

Para marcar o aniversário do programa, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente editou o livro “33 Anos Plantando Florestas no Rio de Janeiro”. O conteúdo tem dezenas de fotos de cada um dos morros e encostas beneficiados. As imagens mostram os lugares antes e depois dos plantios, que mudaram para melhor as paisagens. O secretário da Pasta, Bernardo Egas, apresentou um vídeo comemorativo com um resumo da história do programa e saudou a participação dos moradores das comunidades.

– A palavra chave é reconhecimento. Estamos comemorando 33 anos de um programa que vem mudando a paisagem da nossa cidade. O lançamento do livro e esse evento são as formas que encontrei para reconhecer e agradecer tanta gente que se dedicou plantando dez milhões de mudas no Rio de Janeiro – afirmou Egas.

Morro do Coroado em 1998, antes do mutirão de reflorestamento. Foto: arquivo
Morro do Coroado em 1998, antes do mutirão de reflorestamento. Foto: arquivo
Morro do Coroado em 2019, após mutirão de reflorestamento. Foto: Angela Meurer / divulgação
Morro do Coroado em 2019, após mutirão de reflorestamento. Foto: Angela Meurer / divulgação

Conforme destaca o secretário na apresentação do livro, o Mutirão Reflorestamento “foi e continua sendo um programa pioneiro, por sua visão a partir dos conceitos de ecologia urbana, tendo em vista seus diversos impactos positivos na qualidade de vida da população, na preservação da biodiversidade e nos vários benefícios socioambientais”.

– Um dos pontos fortes do nosso projeto é que tem uma amplitude grande na questão ambiental e dá emprego para as pessoas que não teriam possibilidade em uma área carente. Ele tira as pessoas da marginalidade – comentou Sérgio Moreira de Mello, de 65 anos, morador do Vidigal e encarregado do programa na comunidade há 23 anos. – Nós já plantamos mais de 150 mil mudas em 23 anos e já demos empregos para mais de 100 pessoas no Vidigal, além de formação como cursos e palestras – acrescentou.

Sérgio Moreira de Mello, morador do Vidigal: mutirão de reflorestamento tem amplitude ambiental e gera emprego. Foto: Mariana Ramos / Prefeitura do Rio
Sérgio Moreira de Mello, morador do Vidigal: mutirão de reflorestamento tem amplitude ambiental e gera emprego. Foto: Mariana Ramos / Prefeitura do Rio

Onde tudo começou

O morro São José Operário, na Praça Seca, foi o primeiro beneficiado pelo programa, com o plantio de 14.725 mudas em mutirão com voluntários da própria comunidade. Foram 58.900 metros quadrados de área plantada. Esse sistema de mutirão foi a chave para o sucesso do programa, que levou à adesão e à capacitação de 15 mil voluntários de comunidades. O aperfeiçoamento do sistema de remuneração dos voluntários não só aumentou o número de adesões como assegurou a permanência dos mutirantes por longos períodos. Uma pesquisa recente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente revelou que metade dos voluntários está há mais de 10 anos ligada ao programa.

O Mutirão de Reflorestamento está apoiado numa infraestrutura técnica da Secretaria de Meio Ambiente que conta hoje com 150 profissionais especializados. São engenheiros florestais e agrônomos, biólogos, geógrafos, engenheiros civis e mecânicos, equipes para coleta de sementes e seis viveiros, com capacidade para produção de mais de 1 milhão de mudas por ano.

Outro avanço importante gerado pelo programa de reflorestamento foi a produção de mudas de restingas, impulsionadas pelo projeto Eco Orla, que recuperou áreas de restinga na região da Praia da Reserva, entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes. O sucesso da recuperação dessas áreas fez com que o plantio de restinga fosse estendido também para Grumari.