Escritor, pedagoga e MC debatem o sistema prisional no primeiro painel da JUVRio na Bienal do Livro

Publicado em 05/12/2021 - 17:24 | Atualizado
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O escritor Samuel Lourenço, a pedagoga Joyce Gravano e o MC Nenz refletiram sobre experiências com o cárcere a partir de vivências e histórias de suas vidas - Bernardo Cordeiro/JUVRio

O primeiro dia de painel da Secretaria Especial da Juventude Carioca (JUVRio) no maior festival literário do Brasil, a XX Bienal Internacional do Livro, foi marcado por um bate-papo honesto e sincero a respeito do sistema prisional brasileiro. Neste domingo (5/12), o escritor Samuel Lourenço, a pedagoga Joyce Gravano e o MC Nenz refletiram sobre experiências com o cárcere a partir de vivências e histórias de suas vidas, acompanhados pelo público de cerca de cem pessoas que passaram pela arena Paixão de Ler, da Secretaria Municipal de Cultura, no Pavilhão Azul.

A conversa mediada pelo secretário da Juventude, Salvino Oliveira, contou com um recital de poemas de Samuel, retirados do livro “Gangrena, o Sistema Prisional em Poema”, lidos pelo ator, instrutor de teatro e articulador cultural João Félix. Quem perdeu o painel terá mais uma oportunidade de participar da conversa na próxima quarta-feira (8/12), às 15h. Samuel Lourenço, que cumpriu pena por 12 anos, falou sobre sua luta para vencer o estigma de ex-detento e contou em verso e prosa sua história de vitória também na obra autobiográfica “Além das grades”. Em breve, ele publicará seu terceiro livro.

 

– A prisão é um ambiente hostil e não reflete dignidade humana para ninguém. É um sinal de constante violação da lei dentro do arcabouço da lei. É um paradoxo. A arte e a literatura são armas capazes de romper com os grilhões. Hoje, eu chego aqui com uma nova identidade. Sou alguém para além das grades, pois foi a partir do livro que consegui falar sobre as possibilidades para mim e os outros que lá se encontram atualmente.

 

O cantor MC Nenz contou como a falta de perspectivas dentro da prisão poderia ter destruído sua vida.  Do lado de fora, o rapaz encontrou na música um caminho para prosseguir, algo que não existia atrás das grades.

 

– Eu não vi nada lá que faça alguém mudar de vida. Dentro, a gente só pensa em fazer besteira. É puro caos e barbárie. Quando cheguei nas ruas, conheci um produtor musical que mudou a minha vida. Foi a música e a arte que me fizeram mudar. Mas, e quem não encontra nada aqui fora?

 

A população carcerária no Brasil hoje é de mais de 750 mil pessoas, das quais a maioria é negra e pobre. A arena Paixão de Ler trouxe para a Bienal do Livro, neste ano, a literatura infanto-juvenil negra. Joyce Gravano, pedagoga, contou como a educação atua diante dessa realidade.

 

– Nós temos que ter um olhar muito específico para o sistema prisional. Humanizar o espaço permite que você encontre as pessoas de verdade, que tiveram uma história antes do crime e podem ter outra depois da pena. O que faltou a muitas delas é educação e a possibilidade de estar em espaços como esse. Não estamos romantizando o crime nem a cadeia, mas entendendo o que leva alguém a passar pelo sistema carcerário e o que falta para não mais entrar.

 

Em sua primeira Bienal do Livro, a JUVRio convida para conversar sobre diferentes assuntos que impactam a juventude como o sistema prisional, emprego, arte, carnaval, sustentabilidade, literatura e o direito de sonhar até o domingo (12/12), sempre das 15h às 16h.

Confira a programação completa da JUVRio para a Bienal do Livro.

  • 5 de dezembro de 2021