Ronda Maria da Penha, da GM-Rio, ganha base operacional no primeiro ano de atuação

Publicado em 08/03/2022 - 13:50 | Atualizado
A Ronda Maria da Penha ganhou uma base operacional no bairro de Madureira - Robert Gomes

A Ronda Maria da Penha, da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio), está completando um ano de atuação no mês das mulheres e ganhou uma nova base operacional em Madureira para agilizar o atendimento realizado pelas equipes de patrulheiros nas residências das assistidas.  Madureira foi o bairro escolhido por sua localização central na Zona Norte, região que contempla cerca de 70% das assistidas pelo grupamento especial.

A inauguração foi realizada nesta terça-feira (8/3), data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, e contou com a presença do comandante da instituição, inspetor geral José Ricardo Soares, do secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale; do subprefeito da Zona Norte, Diego Vaz; e representantes das Secretarias da Mulher e de Assistência Social, que atuam de forma integrada com a GM-Rio na rede de proteção à mulher.

 

– Este é um dia especial na história da humanidade, fundamental para lembrar a importância do combate à violência contra a mulher. Tenho orgulho de ter participado do processo de criação da Ronda Maria da Penha, de acompanhar o esforço das equipes de patrulheiros e agora participar da inauguração da base avançada. Não se trata de mais um espaço. Foi estrategicamente pensado para dar mais velocidade aos chamados emergenciais. Ao longo da minha carreira, testemunhei vários casos de feminicídio e sei que o tempo salva vidas – destacou o secretário de Ordem Pública.

 

Desde o início das atividades da Ronda Maria da Penha, no dia 12 de março de 2021, foram realizados 6.020 acolhimentos e 19 prisões. Em seu primeiro ano de atuação, a Ronda Maria da Penha conta com 910 mulheres assistidas. O trabalho consiste na fiscalização do cumprimento de medidas protetivas deferidas pelos juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital.

Após receber a notificação, guardas municipais vão até a residência da mulher que teve a medida deferida para verificar se está sendo cumprida pelo agressor. Não se aproximar da vítima, não manter contato ou não frequentar determinados lugares estão entre as medidas mais utilizadas para evitar a repetição da violência contra a mulher. As visitas são regulares no período de vigência da medida protetiva.

 

– Nosso principal objetivo é poder oferecer o melhor atendimento possível às mulheres assistidas pela nossa Ronda Maria da Penha. Iniciamos com 31 agentes e hoje contamos com 55 guardas que compõem as nossas patrulhas. Inaugurar a base avançada nos alegra, mas também dá uma ponta de tristeza, porque infelizmente essa ainda é uma realidade em muitos lares brasileiros. Mas seguiremos incansáveis no combate a esse tipo de violência. A parceria com outros órgãos da Prefeitura também é essencial para o atendimento integral e proteção das mulheres – afirmou o comandante da GM-Rio.

 

A nova base fica no prédio da região administrativa, próximo a outros órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres. O espaço não acolhe denúncias, tendo em vista que o trabalho da GM-Rio consiste na prevenção de casos de revitimização, na defesa de mulheres que já sofreram algum tipo de violência e que contam com a proteção do Estado. Mas as mulheres que já são assistidas poderão contar com o espaço para a realização das visitas, em caso de impossibilidade de acompanhamento em outros lugares.

 

– Nossa missão é complexa, difícil mesmo, mas ao mesmo tempo é prazerosa, no sentido de que podemos proteger mulheres vítimas de violência. O trabalho tem que ser realizado com muita sensibilidade porque não é fácil denunciar um companheiro, muitas vezes um filho, um irmão, uma madrasta. Sabemos que o desafio para uma mulher sair do ciclo da violência é muito grande, mas estamos aqui para ajuda-las – destaca a coordenadora da Ronda Maria da Penha, a líder operacional Glória Maria Bastos.

 

Em caso de flagrante de descumprimento, os guardas realizam a prisão do acusado. Das 19 prisões já efetuadas, a maioria foi por este motivo. Em um caso recente, de fevereiro deste ano, os patrulheiros prenderam um homem de 62 anos,  na residência da vítima, também de 62 anos, na Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio. Os agentes acompanharam a mulher até o apartamento, onde encontraram o homem deitado de cueca em uma cama da casa da assistida. Ele estava ciente da medida protetiva, mesmo assim a descumpriu e foi conduzido para a delegacia.

Mas também há registros de prisões realizadas no patrulhamento de rotina.  Em janeiro, por exemplo, uma equipe da Ronda Maria da Penha  atuou na prisão de um homem de 27 anos no entorno da Rodoviária Novo Rio, no Centro, após flagrante de lesão corporal contra a namorada de 30 anos que estava tentando deixar o Rio em direção a Natal, no Rio Grande do Norte. Os agentes estavam passando pelo local quando avistaram a briga. O homem também foi conduzido à DP.

 

– Gostaria de não inaugurar um equipamento de proteção às mulheres no dia Internacional, mas infelizmente esse ainda é o nosso cenário. Mediante a isso, mostramos não só a nossa insatisfação aos milhares de casos de violências e abusos contra as mulheres, mas também ações e políticas públicas transversais que possam mitigar cada vez mais esse triste cenário – concluiu o subprefeito da Zona Norte.

  • 8 de março de 2022