Zona Sul tem mais 200 vendedores ambulantes trabalhando legalmente a partir de hoje

Publicado em 01/10/2019 - 15:31 | Atualizado em 01/10/2019 - 19:17
Os ambulantes receberam os crachás que legalizam suas atividades no Palácio da Cidade. Foto: Marco Antonio Rezende/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entregou nesta terça-feira, dia 1° de outubro, mais 200 crachás de identificação do Programa Ambulante Legal. O evento, no Palácio da Cidade, reuniu titulares de licenças para comércio ambulante que atuam em 13 bairros da Zona Sul: Arpoador, Botafogo, Catete, Copacabana, Cosme Velho, Flamengo, Gávea, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa, Laranjeiras, São Conrado e Urca. Desde o início do projeto, em agosto de 2018, a Prefeitura já distribuiu 3.627 crachás.

– Quero falar uma coisa muito importante, que é a valorização do crachá. O que significa isso na prática?  Não dê propina, não dê dinheiro a ninguém, seja lá quem for. Porque se você der propina, vai  estar desmoralizando o crachá – afirmou Crivella.

A certeza de poderem trabalhar tranquilos de agora em diante foi destacada pelos ambulantes.  Júlio César da Cruz, de 59 anos, lembra  dos “muitos momentos de sufoco”, antes de ter a licença.

– Esperei 28 anos por esse documento. Já chorei muito por conta de mercadorias apreendidas. Esse crachá representa segurança, acima de tudo, pois ninguém pode mais me impedir de trabalhar – comemorou Júlio César, que vende bebidas na Praia do Flamengo.

Júlio César da Cruz, de 59 anos, vende bebidas na Praia do Flamengo: “Esperei 28 anos por esse documento”. Foto: Marco Antonio Rezende/Prefeitura do Rio

Lúcia de Fátima Januário, de 60 anos, por sua vez, não escondeu a emoção, pois foi vendendo roupas, bijuterias e bolsas na Rua do Catete, desde a década de 2000, que conseguiu pagar o curso de enfermagem para a filha, Sabrina, de 32 anos.

– Essa atividade, infelizmente ainda discriminada por boa parte da sociedade, está sendo finalmente valorizada por este governo. É um orgulho poder continuar trabalhando e, melhor, legalizada, sem ter que ficar correndo do rapa (Guarda Municipal) – disse Lúcia.

A inspetora Tatiana Mendes, comandante da Guarda Municipal, falou da alegria da concessão do crachá aos ambulantes.

–  Estamos concedendo mais dignidade a vocês. Queremos uma cidade ordenada. Que vocês possam cada dia mais ajudar a nossa cidade crescer. Vocês são microempreendedores, são vencedores –  comentou Tatiana.

Lúcia de Fátima Januário, de 60 anos, se diz feliz e grata por agora poder trabalhar de forma legal. Foto: Marco Antonio Rezende/Prefeitura do Rio

Leia mais sobre o Ambulante Legal

O programa já alcançou 48 bairros na cidade, com a distribuição de crachás com QR code, código de barras bidimensional de resposta rápida que permite não só à fiscalização, mas também à população acessar informações como o nome, o número de inscrição e as mercadorias que o ambulante está autorizado a comercializar. Por meio da tecnologia, também é possível verificar o local em que o ambulante pode atuar na cidade, respeitando o ordenamento urbano.

Além das regiões contempladas no evento, os bairros de Leme, Méier, Feira do Calçadão de Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Saúde, Benfica, Caju, Centro, Glória, Coelho Neto, Mangueira, Paquetá, Santo Cristo, São Cristóvão, Turiaçu, Anchieta, Barros Filho, Bento Ribeiro, Cascadura, Guadalupe, Irajá, Leblon, Madureira, Marechal Hermes, Oswaldo Cruz, Parque Anchieta, Parque Columbia, Pavuna, Ricardo de Albuquerque, Rocha Miranda, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos e Vista Alegre também já foram alcançados pela política de ordenamento urbano implantada pela atual administração.

Os documentos foram entregues pessoalmente por Crivella.  O Ambulante Legal tem o objetivo de organizar e facilitar a identificação dos ambulantes autorizados a trabalhar na cidade, propondo, inclusive, a implantação de políticas públicas de qualificação profissional aos trabalhadores. O programa também observa o comércio da região, de forma que a organização dos ambulantes não cause qualquer prejuízo ou conflito com o comércio estabelecido no local.