Ambulante Legal distribui mais 150 crachás de identificação, e trabalhadores falam em qualidade de vida

Publicado em 22/10/2019 - 15:05 | Atualizado em 23/10/2019 - 10:01
Ambulante há 34 anos, Márcio Poppe de Souza conta que a legalização aumenta a renda da família, porque agora ele pode trabalhar direto, sem fugir da fiscalização. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio Ambulante há 34 anos, Márcio Poppe de Souza conta que a legalização aumenta a renda da família, porque agora ele pode trabalhar direto, sem fugir da fiscalização. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

Trabalhadores que atuam nas ruas de Madureira, Zona Norte, receberam nesta terça-feira, 22 de outubro, 150 crachás do Ambulante Legal. E falaram em transformação. Para eles, o documento de identificação é mais do que uma autorização oficial.

– Com a legalização, o faturamento aumenta porque a gente pode trabalhar direto, sem sair da rua, sem correr da fiscalização. Com isso, posso dar mais qualidade de vida para minha família – contou Márcio Poppe de Souza, de 51 anos, que vende nas ruas desde a adolescência e sustenta a casa em que mora com a esposa e os filhos de 18 e 25 anos.

Luciana Ramos Hungria, de 44 anos, também vê transformação na ação da Prefeitura. Com duas décadas como ambulante, ela disse que está há um mês sem poder trabalhar, devido a um problema de saúde. Nem por isso perdeu a tranquilidade.

– Sou legalizada. Mesmo sem poder ir, meu ponto está lá. Em outros tempos, já teriam invadido meu ponto. Este crachá é tudo na minha vida – relatou, emocionada.

Luciana Hungria destaca a tranquilidade que o Ambulante Legal lhe dá de poder se tratar da saúde sem correr risco de ter seu ponto invadido em Madureira. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio
Luciana Hungria destaca a tranquilidade que o Ambulante Legal lhe dá de poder se tratar da saúde sem correr risco de ter seu ponto invadido em Madureira. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

O programa chegou a 4.071 documentos de identificação distribuídos a trabalhadores que atuam em 49 bairros. A solenidade, no Palácio da Cidade, em Botafogo, reuniu titulares de licenças para comércio de rua em Madureira, Zona Norte. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entregou pessoalmente os documentos a cada um dos trabalhadores.

– Vamos separar o joio do trigo. Quem é legal fica no seu lugar, arrumadinho. Quem não é legal não pode. O ilegal muitas vezes vende produtos roubados. Cada um de nós tem que fazer sua parte, e a parte do ambulante legal é honrar seu crachá. Ele vale ouro, é a sua dignidade, é o reconhecimento público de que todo mundo respeita você – afirmou Crivella.

“Momento marcante”

Os crachás com QR code, código de barras bidimensional de resposta rápida, permitem fácil identificação dos ambulantes, tanto pela fiscalização quanto pelo consumidor. Por intermédio deles, é possível acessar informações como nome, número de inscrição e mercadorias autorizadas. Além disso, por meio da tecnologia, também é possível verificar o local em que o ambulante pode atuar na cidade, respeitando o ordenamento urbano.

– É um momento marcante quando a gente reconhece o trabalhador. E todo ilegal vai ter que se ajustar, porque não haverá espaço para ele. Ao legal, tudo. Ao ilegal, o rigor da lei – destacou o secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca.

No Palácio da Cidade, trabalhadores aguardam pelo chamamento para receber seus crachás do Ambulante Legal. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio
No Palácio da Cidade, trabalhadores aguardam pelo chamamento para receber seus crachás do Ambulante Legal. Foto: Marco Antônio Rezende / Prefeitura do Rio

Além de Madureira, são estes os locais alcançados pela política de ordenamento urbano implantada pela atual administração: Méier, Feira do Calçadão de Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Saúde, Benfica, Caju, Centro, Coelho Neto, Mangueira, Paquetá, Santo Cristo, São Cristóvão, Turiaçu, Anchieta, Barros Filho, Bento Ribeiro, Cascadura, Guadalupe, Irajá, Leblon, Marechal Hermes, Oswaldo Cruz, Parque Anchieta, Parque Colúmbia, Pavuna, Ricardo de Albuquerque, Rocha Miranda, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos, Vista Alegre, Arpoador, Leme, Cosme Velho, Humaitá, São Conrado, Botafogo, Catete, Copacabana, Flamengo, Gávea, Glória, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa, Laranjeiras e Urca.

Criado em agosto de 2018, o Ambulante Legal tem o objetivo de organizar e facilitar a identificação dos trabalhadores autorizados a atuar nas ruas da cidade, além da implantação de políticas públicas de qualificação profissional dessas pessoas. O programa também leva em consideração o comércio da região, de forma que a organização dos ambulantes não prejudique os comerciantes estabelecidos no local.