Escola municipal da Maré se destaca com projeto de inclusão que envolve alunos e famílias

Publicado em 12/10/2022 - 15:41 | Atualizado
Alunos da EDI Professora Kelita Faria de Paula, na Maré - Divulgação

“Eu pedi para o João prestar muita atenção e li calmamente cada palavra. Quando cheguei na parte que dizia que a Lulu adora desenhar e não gosta de barulho, ele logo tomou um choque e disse que também não gostava de barulho. Quando cheguei no final, onde dizia que ela usava um cordão colorido, ele também notou que o cordão era igual ao dele. Foi então que eu disse: a Lulu é igual a você, ela é autista”, comentou emocionada Cristiane Chaves, mãe do aluno incluído João Chaves. O cordão a que ela se refere é um símbolo reconhecido mundialmente para identificar pessoas no espectro autista.

A emoção e a alegria na declaração da mãe de João são resultado do “Vamos brincar com nossas diferenças”, projeto de inclusão promovido pela equipe do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Professora Kelita Faria de Paula, na Maré. O trabalho, que  envolve a comunidade escolar, não apenas alunos e professores, contou com a participação de todas as turmas da unidade na criação de cinco bonecos que retratam o dia a dia de alunos da educação especial.

Esses personagens ganharam vida por meio das histórias construídas desde o início do ano pelos próprios alunos e registradas em pequenos livros. Os bonecos podem ser levados para a casa dos estudantes, contando para as famílias como é o cotidiano de alunos incluídos.

Os personagens não ficam apenas com os alunos incluídos da unidade. É feito um rodízio e eles passam por todos os estudantes da escola e suas famílias, que acabam se transformando em multiplicadores do processo de inclusão.

 

– Cada turma tem um livrinho, e vai ser feito um rodízio. Eles levam um livro junto com um caderno e um personagem. O caderno é para que os responsáveis registrem como foi a visita desse personagem, como aconteceu. E os relatos são bem legais. Os pais contam que os alunos estão maravilhados com os bonecos – conta a diretora do EDI, Rosângela Alves.

 

A previsão é que até o fim do ano todos os alunos tenham levado os personagens para casa, permitindo o compartilhamento de histórias com suas famílias. O EDI Professora Kelita conta hoje com cinco alunos que estão dentro do espectro autista, e existem cinco bonecos e histórias atualmente. Os personagens, no entanto, não são baseados nos estudantes da unidade escolar. Eles foram criados para ensinar sobre várias formas de viver o cotidiano da educação especial.

Os personagens são Diego , um menino com deficiência auditiva e que se comunica por Libras; Ana, uma menina com deficiência física devido a um acidente e que usa cadeira de rodas; Flor, com deficiência física na perna devido a uma má formação e que utiliza uma prótese ortopédica; Beto, com baixa visão, que usa óculos e o sistema Braile; e Lulu, uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Depois de ganharem corpo na forma de brinquedo, os personagens receberam uma história em um “livrão”, que serve como matriz para livretos que são levados para casa com os cadernos de registro, em sacolas decoradas.

 

Alunos da EDI Professora Kelita Faria de Paula, na Maré – Divulgação

 

Os bonecos, que já existiam na escola, foram adaptados para o projeto, numa ação conjunta de professores e alunos. A cadeira de rodas da Ana, por exemplo, era o carrinho de compras da filha de uma professora.

 

– A gente está pensando ainda, já que está dando tão certo. Mas talvez a gente aumente o número de personagens, para ampliar a discussão – contou a professora Leila Bosso, uma das criadoras do projeto.

 

Apesar de recente, os resultados do projeto já são visíveis, e o retorno muito positivo. Para Rosângela Alves é importante levantar o debate desde a educação infantil, para que os alunos já cresçam preparados para lidar com as diferenças e, desta forma, construir uma comunidade escolar e uma sociedade de fato inclusiva.

  • 12 de outubro de 2022
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