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Desigualdade de renda entre negros e brancos diminui no Rio, aponta novo estudo da Prefeitura
Publicado em 24/11/2025 - 16:48 | Atualizado em 25/11/2025 - 10:54- Início/
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- Desigualdade de renda entre negros e brancos diminui no Rio, aponta novo estudo da Prefeitura
Desigualdade de renda entre negros e brancos diminui no Rio - Divulgação A promoção de iniciativas e políticas públicas com enfoque na equidade racial resultou, entre 2021 e 2024, no aumento da renda domiciliar per capita dos negros, um crescimento de 17,2%, ritmo superior ao dos brancos (10,5%). No mesmo período, a ocupação entre negros aumentou 27,2%, evidenciando uma melhora consistente nas condições de vida dessa parcela da população, que representa 54,3% dos moradores do município, segundo o Censo – IBGE (2022).
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, atribui os resultados às políticas públicas voltadas para inclusão e geração de oportunidades:
– Esses dados mostram que estamos no caminho certo. A redução da desigualdade não acontece por acaso, é fruto de planejamento, investimento e compromisso com a equidade racial.
O estudo foi elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Instituto Fundação João Goulart, em parceria com as secretarias de Coordenação Governamental, Direitos Humanos e Igualdade Racial, e com apoio da Riotur.
Perfil da população negra carioca
A maioria da população carioca é negra, com mais de 54,3% se autodeclarando preta ou parda, segundo o Censo de 2022. A população negra no Rio soma 3,4 milhões de pessoas, sendo 71,3% pardas (2,4 milhões) e 28,7% pretas (1 milhão). Embora a proporção de negros no Brasil seja ligeiramente maior (55,5%), o Rio tem uma fatia mais elevada de pessoas que se autodeclaram pretas: 15,6% contra 10,2% da média nacional.
O levantamento mostra ainda que essa população é majoritariamente feminina (52,4%) e mais jovem: 39,7% da população negra do Rio tem até 29 anos. Já entre os idosos negros (60+), são 16,6%.
Em relação à escolaridade, com base nos dados da Pnad Cotínua – IBGE (2024), 18,6% dos negros cariocas com 25 anos ou mais têm Ensino Fundamental incompleto, 12,6% concluíram o Fundamental, 43,3% têm Ensino Médio completo e 25,5% possuem Ensino Superior completo – mais que o dobro da média nacional para negros (13,6%).
Apesar dos avanços, a desigualdade persiste: entre os brancos na capital, 49,2% têm diploma universitário.
O secretário municipal de Coordenação Governamental, Edson Menezes, destaca o impacto político desses dados:
– Os dados apresentados refletem nosso compromisso com a igualdade racial e a inclusão social. É essencial continuar investindo em políticas que promovam oportunidades, especialmente para a população negra, que enfrentou desafios significativos. Reduzir a desigualdade é fundamental para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária.
Mercado de trabalho: crescimento acelerado entre negros
Entre 2021 e 2024, segundo dados da Pnad Cotínua – IBGE (2024),356,1 mil negros ingressaram na população ocupada, totalizando 1,6 milhão de trabalhadores negros na cidade. O crescimento da ocupação foi de 27,2%, acima do registrado entre brancos (17,4%).
O número de desempregados também caiu mais entre os negros: -45,2% contra -41,0% dos brancos. Ao todo, 133,9 mil negros deixaram a condição de desemprego no período. A taxa atual é de 8,9% para negros e 7,1% para brancos.
A renda domiciliar per capita dos negros cariocas chegou a R$ 2,3 mil, com alta real de 17,2% entre 2021 e 2024, crescimento significativamente superior ao dos brancos (10,5%). Embora ainda seja 85,8% menor que a dos brancos (R$ 4,4 mil), a renda dos negros no Rio é 27,7% maior que a média nacional para esse grupo (R$ 1,8 mil).
O secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Edson Santos, reforça a dimensão estrutural desse cenário.
– Ações e esforços coordenados são fundamentais para o desenho e a efetividade das políticas públicas de redução das desigualdades. Nosso compromisso é cotidiano e buscamos articular com órgãos públicos e da sociedade civil iniciativas e projetos que contribuam não só com mais oportunidades e inclusão mas, principalmente, com o direito da população negra de sonhar com a vida e o futuro que quiserem e onde quiserem.
Negros na Gestão Pública Carioca
Pela primeira vez, entre governos municipais no Brasil, é realizado estudo e publicação de Burocracia Representativa. A iniciativa pioneira da Prefeitura do Rio ressalta dados que impactam diretamente na estruturação de políticas de diversidade no funcionalismo público. O Instituto Fundação João Goulart, por meio do estudo de Mapeamento de Burocracia Representativa, avaliou em números a distribuição racial na Prefeitura do Rio e os seus impactos na gestão pública carioca.
A Prefeitura do Rio tem 21% de servidores (as) pretos (as), superior à proporção de pessoas pretas na população da cidade (15,6%). Porém, considerando pessoas negras, ou seja, adicionando-se as pessoas pardas, a Prefeitura tem 51,6% servidores (as) negros (as), frente a 54,3% na cidade.
Mais oportunidades impactam o funcionalismo público, ainda que não seja o cenário de equidade racial, avanços foram observados. Em cargos de gestão (cargos comissionados), são 14,4% de servidores (as) pretos (as), pouco abaixo da proporção da cidade. Em um recorte só dos cargos comissionados do mais alto nível hierárquico, são 12,3% de gestores (as) pretos (as), inferior à representatividade na população, mas não distante, como comprova o Censo de 2022 do IBGE.
Mais Diversidade é a estratégia. Se existe um desafio de reposição de pessoal, pois observa-se que 17% dos servidores já têm mais do que 60 anos e 28% entre 50 e 59. Somados, são 45% que já têm ou terão idade para se aposentar nos 5 próximos anos, também existe uma oportunidade de ampliar a diversidade entre os tomadores de decisão. A aposentadoria de gestores brancos, o maior percentual de aposentáveis, cria-se a efetiva possibilidade de pessoas negras, amarelas e indígenas ocuparem cargos estratégicos, uma vez que, na análise geral dos 45% de pessoas aposentáveis, o percentual de pessoas negras é o menor, 48% (17% pretas e 31% pardas).
A Gestão Pública é de jovens negros, um indicativo positivo da transformação que está em curso, dada a adoção, há 20 anos, de políticas de ações afirmativas, como a Lei de Cotas, na transversalidade jovens e emprego, observa-se uma maior proporção de pessoas negras nas faixas etárias mais jovens.
O desenvolvimento de lideranças também é uma pauta relevante na atual gestão. Triplicou-se a proporção de pessoas pretas e pardas (negras) aprovadas no processo seletivo do Programa Líderes Cariocas realizado em 2022, frente ao realizado em 2012, primeira turma da iniciativa. Em 2023, formaram-se mais Líderes Cariocas, com 12,8% de pessoas pretas (5x mais do que a turma de 2012) e 36,2% (2,6x mais do que em 2012). Somados, representam 49% de novos Líderes Cariocas negros, sub-representados, porém próximos da proporção de 54,3% de pessoas negras na cidade, de acordo com dados do Censo do IBGE 2022.
A presidente do Instituto Fundação João Goulart, Rafaela Bastos, destaca a importância de se investir em gestão pública e equidade racial:
– É importante destacar que 62% dos vínculos empregatícios do serviço público no Brasil, segundo o IPEA, estão em governos municipais. A Prefeitura do Rio se coloca na vanguarda com estudos, mas principalmente, iniciativas, instrumentos e programas com enfoque em diversidade e equidade racial com quem faz o serviço público nas cidades.
O estudo completo está disponível no Observatório Econômico do Rio e no Repertório.
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