Espaços públicos de arte e cultura são transformados em Gestores Culturais pelo Clima

Publicado em 19/10/2022 - 18:48 | Atualizado em 20/10/2022 - 00:10
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De março a outubro, dez espaços administrados pela Secretaria Municipal de Cultura propuseram atividades ligadas ao debate climático e, por meio de fundos de pesquisa do Reino Unido, contemplados pela People’s Palace Projects (PPP), foi implementada no Rio uma rede de gestores culturais comprometidos com o tema. Foram investidas 20 mil libras na capacitação de gestores e equipamentos culturais para alocar e desenvolver projetos de artes e meio ambiente.

O resultado desse trabalho foi apresentado ao mundo nesta quarta-feira (19/10). A People’s Palace Projects produziu um livreto digital reunindo a história dos dez espaços Gestores Culturais pelo Clima, assim como fotos, vídeos, entrevistas e QR Code com a programação. O lançamento, no site da PPP, acontece junto com a entrega dos projetos, em evento para convidados na Casa Rio, sede da instituição, em Botafogo. O material está em bit.ly/gestorespeloclima.

Com textos da jornalista Thais Cavalcante, da Maré, e fotos de Gabriel Loiola, do Complexo do Alemão, o livreto é uma das ações do programa, que é fruto do acordo de cooperação assinado entre a Secretaria Municipal de Cultura e a organização da sociedade civil People’s Palace Projects , braço de pesquisa da Queen Mary University of London.

– A presença da cultura em defesa do meio ambiente retoma um debate importante e necessário, além de reunir lideranças criativas para pensar saídas concretas em torno da questão climática. Isso é fazer política cultural de forma efetiva – ressalta Marcus Faustini.

 

A preocupação estende-se para o país: 90% dos brasileiros se importam com mudanças climáticas e já estão mudando seus comportamentos, segundo o relatório “Mudanças Climáticas na Percepção dos Brasileiros” do ITS Rio, em parceria com o Programa de Mudança Climática da Universidade de Yale (2021).

O objetivo do Gestores Culturais pelo Clima é ampliar o diálogo entre artistas e sociedade, além de promover atividades culturais que estejam inseridas no contexto de proteção ao meio ambiente. Alguns destes gestores pensaram em ações climáticas dentro da agenda regular e outros com intervenções físicas.

São eles: Arena Jovelina Pérola Negra, Lona Municipal Terra, Espaço Sérgio Porto, Biblioteca Anita Porto Martins, Espaço de Leitura Jorge Amado, Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, Museu Histórico da Cidade, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Centro da Música Carioca Artur da Távola, Centro Coreográfico e Centro Cultural Municipal Prof. Dyla de Sá.

 

– Essas iniciativas desenvolvidas pelo projeto Gestores Culturais pelo Clima abrem espaço para que a cultura atue na linha de frente na educação climática, levando às comunidades a discussão ambiental para engajar na luta pela preservação do nosso futuro – disse Paul Heritage.

Em março, o secretário Marcus Faustini foi a Londres e se encontrou com dirigentes de importantes equipamentos culturais, entre eles Southbank, Barbican, V&A East e Battersea Arts Centre, em busca de parcerias e intercâmbios. Os primeiros frutos já estão sendo colhidos.

Dez equipamentos e 20 Gestores Culturais pelo Clima

Elis MC, rapper de 11 anos e frequentadora do Centro Cultural Profª Dyla de Sá, na Praça Seca, conscientiza seus colegas e seu bairro com sua voz:

 

– É para se ligar à natureza, parceiro. Vamos ver se entendeu. Para rimar, pego a caneta. E tô aqui, tipo Capitão Planeta. Pela união desses poderes, a missão é com vocês. O meu futuro é seu também. A minha história é sua também.

 

Além da participação nas atividades feitas no jardim, como a aula de biodiversidade e crise climática, Elis MC também pôde cultivar a horta e grafitar com outros artistas locais.

Os dez equipamentos com o selo de Gestores Culturais pelo Clima:

Biblioteca Annita Porto Martins, no Rio Comprido

O Projeto “Por um Rio Comprido mais Verde e Cultural” fez intervenções culturais no bairro e mobilizou artistas locais e crianças para promover a conscientização e o cuidado com o meio ambiente com práticas sustentáveis.

Lona Cultural Municipal Terra, em Guadalupe

O Projeto “Terra Consciente” foi uma ação artístico-cultural-ambiental dedicada a crianças, com atividades de reciclagem e reuso. A ideia era garantir meios de preservação e uma rede sobre práticas sustentáveis a longo prazo.

Museu da História e da Cultura Afro-brasileira, na Gamboa

O Projeto “Horta Ancestral” ofereceu uma oficina afro centrada para relacionar as atividades de cultivo à história e às religiões de matriz africana, por meio de práticas de cultivo, palestras e trocas de saberes.

Centro de Arte Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes

O Projeto “H.Orta – Horta Comunitária Cultural” construiu uma horta de ervas medicinais e pancs reutilizando a própria obra PN10 de Hélio Oiticica e compartilhou conhecimentos em uma roda de conversa sobre plantio e ancestralidade.

Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea

O Projeto “Primavera no Museu da Cidade” estimulou a população a conhecer a fauna e a flora do Parque da Cidade por meio de caminhadas guiadas. Para conhecer as características do Bioma da Mata Atlântica e trazer a consciência ambiental também por espécies em extinção.

Centro Cultural Profª Dyla de Sá, na Praça Seca

O Projeto “Conecta Clima” mobilizou crianças de escolas públicas, artistas locais e moradores, em ações de educação ambiental sobre biodiversidade, práticas de cultivo e a arte grafite. O objetivo é conscientizar a população, valorizar o espaço e provocar o território sobre os impactos ao meio ambiente.

Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá

O Projeto “BicicletaRio” foi um convite para ciclistas de toda a cidade. Com o lançamento do programa “Ciclista Paga Meia” e a instalação do bicicletário no Espaço, a ideia é estimular o debate climático e a redução da emissão de carbono através do incentivo ao uso da bicicleta.

Centro Coreográfico do Rio e Centro da Música Carioca, na Tijuca

O Projeto “Rio Maracanã Vivo em dança e música” realizou palestras, painéis informativos, ensaios e um cortejo pelas ruas que cortam o Rio tijucano. A conscientização ambiental foi a impulsionadora da ação que alcançou crianças de escolas públicas, artistas e a população.

Espaço de Leitura Jorge Amado, no Complexo da Maré

O Projeto “Coleta Maré” construiu uma rede de mobilizadores como órgãos públicos e gestores para coletar o lixo despejado no seu entorno, fez pesquisa de campo e ações no Espaço de Leitura e em escolas públicas para promover uma conscientização ambiental nas crianças.

Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna

O Projeto “Horta Comunitária” ofereceu uma série de atividades artísticas para crianças, estudantes das escolas públicas do bairro, com o plantio de mudas na inauguração da Horta Comunitária Arena Jovelina, atividades artísticas e contação de histórias relacionadas às ações de desenvolvimento sustentável.

  • 19 de outubro de 2022
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