Prefeitura inaugura laboratório de biologia molecular que vai aumentar quantidade de testes para diagnóstico precoce da covid-19

Publicado em 10/08/2020 - 18:14 | Atualizado em 10/08/2020 - 20:19
Serviço vai funcionar no mesmo endereço do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, que ganhou um Centro de Diagnóstico por Imagem. Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, inaugurou nesta segunda-feira (10/08) o Laboratório de Biologia Molecular, em São Cristóvão, que vai possibilitar a produção de 500 testes mensais para diagnóstico precoce da Covid-19. Até então, os testes só eram feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro Noel Nutels (LACEN) e pela Fiocruz.

No mesmo endereço, ele entregou o Centro de Diagnóstico por Imagem ao Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (IJV), permitindo o município oferecer todos os exames veterinários de ponta, antes feitos fora da unidade.

A nova instalação de Biologia Molecular integra a estrutura do Laboratório Municipal de Saúde Pública (Lasp) que, com outros 11 laboratórios, funciona na Avenida Bartolomeu de Gusmão, no Complexo Zona Norte da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses, pasta vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

– Os animais terão aqui, ultrassonografia, raio-X digital e ecocardiograma. Não é só isso. Inauguramos a parte física do Laboratório de Biologia Molecular, inclusive vamos passar a fazer aqui o PCR, aquele teste que no Rio de Janeiro só o LACEN e a Fiocruz faziam, para a gente ver se tem coronavírus nas pessoas. Vão poder fazer 500 testes. Enfim, este instituto está de parabéns – afirmou o prefeito Crivella, que, logo no primeiro ano de sua gestão, integrou os cinco laboratórios de exames veterinários com os seis de análises de produtos e criou o Lasp. Desde então, foram realizados mais de 350 mil procedimentos, entre exames de zoonoses e análises de produtos.

 

Centro de Diagnóstico por Imagem ganhou aparelhos de ultrassonografia, ecocardiograma e Raio-x digital. Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

 

A secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, explica que as novas unidades do IJV, com investimento de R$ 200 mil, representam ganhos expressivos na saúde da população carioca.

– Tanto o centro de imagens como o laboratório são grandes conquistas na área da saúde, pois vão agilizar os diagnósticos. E isso é fundamental não só no tratamento dos animais que precisam dos serviços das unidades da Vigilância Sanitária, como também na promoção da qualidade de vida da população carioca por meio do monitoramento sanitário – avalia a secretária Beatriz Busch.

O Laboratório de Biologia Molecular recebeu o nome do médico-veterinário Walker André Chagas, profissional que se dedicou à anatomia patológica por mais de 50 anos (35 deles vividos no IJV) e morreu em 2014, aos 90 anos. Na carreira acadêmica ele foi professor do Departamento de Morfologia do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde coordenou a pós-graduação de Medicina Veterinária.

Com o novo laboratório, o Lasp terá capacidade de dar suporte a diagnósticos, como o da própria Covid-19. Contando com metodologias mais sensíveis e específicas, a unidade poderá até auxiliar na detecção de novos vírus, como explica Márcia Rolim, subsecretária de Vigilância Sanitária do Rio.

– A nova infraestrutura trará avanços na detecção de outros vírus emergentes e reemergentes e vai contribuir para que o município amplie consideravelmente as suas políticas públicas nas áreas de epidemiologia e vigilância virológica. Teremos ações importantes nas zoonoses, como um diagnóstico bem mais rápido da raiva. Essa agilidade nos permitirá aumentar as frentes de monitoramento e da prevenção de doença – diz Márcia Rolim, médica-veterinária e servidora da Prefeitura do Rio há quase 20 anos, 15 deles dedicados ao IJV.

Centro de Imagem – Com aparelhos de ultrassonografia, ecocardiograma e Raio-x digital, o Centro de Diagnóstico por Imagem homenageia o também médico-veterinário José Américo Leal. Por quatro décadas, ele foi o responsável pelas radiografias feitas no IJV, onde se aposentou e morreu anos depois.

– Esses exames eram feitos fora da unidade, com uma logística delicada para o tutor que passava pela clínica com o animal e precisava levar e depois trazer com os resultados para definirmos os procedimentos. Agora temos todos os exames necessários para um atendimento de ponta no próprio IJV. Além de facilitar a vida do tutor, a unidade atende a antigas expectativas de todos os médicos-veterinários do instituto, pois teremos celeridade nos resultados, contribuindo para a resolução mais rápida dos casos clínicos e cirúrgicos – comemora o médico-veterinário Glauco Melo, que há quase 30 anos entrou no IJV como acadêmico bolsistas, e desde 2017 dirige a unidade.

“Instituto é referência”

Com a vira-lata Luna no colo, enquanto aguardava atendimento para verificar um “probleminha no figado” dela, o gestor de restaurante José Rodrigues disse ser muito importante a criação de um Centro de Imagem no instituto que atende tantos cães e gatos.

– A Prefeitura tem criado vários núcleos veterinários pela cidade. Os donos de cães sabem a importância disso. Esse instituto é referência, indico de olhos fechados – afirmou ele, que adotou a Luna, de 3 anos, em 2019 depois de ver uma campanha de adoção para ela nas redes sociais, pois estava com a língua cortada, a costela fraturada e havia sido abandonada.

– Ela está bem. Graças a Deus.

 

Luna aguarda atendimento. Dono do animal diz que instituto é importante. Foto: Marcos de Paula/Prefeitura

 

Números positivos

Em janeiro de 2017, a Vigilância Sanitária castrava em média 300 animais por mês, número que logo subiu para 400. Com ações diferenciadas, como a contratação de médicos-veterinários e o Mutirão da Castração, desde junho de 2019 o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, na Zona Norte, oferece mensalmente mais de mil vagas para a castração de cães e gatos .

Em agosto de 2019, com a implantação do centro cirúrgico no Centro de Controle de Zoonoses, outras mil vagas passaram a ser disponibilizadas na Zona Oeste, e agora são até 2.500 castrações realizadas por mês.