Maior complexo cultural da América Latina recebe o nome de Cidade das Artes Bibi Ferreira

Publicado em 01/06/2022 - 16:32 | Atualizado
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A Cidade das Artes agora passa a se chamar Bibi Ferreira- Divulgação

A Prefeitura do Rio homenageou, nesta quarta-feira (01/06), Bibi Ferreira, uma das mais importantes artistas brasileiras, ao dar o seu nome ao maior complexo cultural da América Latina, a Cidade das Artes. Batizada como Abigail Izquierdo Ferreira, ela completaria cem anos nesta data. A solenidade foi marcada pela inauguração de uma placa comemorativa, na presença do prefeito Eduardo Paes.

 

– A grandeza e a importância da Bibi Ferreira para a cultura brasileira têm muito a ver com este espaço. Uma pessoa e um equipamento de uma dimensão incomparável para a história da cultura do nosso país. E um momento especial para isso porque tudo o que a Bibi representou nunca foi tão contestado, maltratado e achincalhado como atualmente. Um absurdo o que acontece com a cultura brasileira hoje em dia, uma perseguição permanente. No Rio, buscamos fazer esse contraponto, investindo na cultura. No momento em que a cultura sofre tanto, homenageamos este grande ícone – afirmou o prefeito Eduardo Paes.

 

Única filha de Bibi Ferreira, Thina Ferreira recebeu todas as honras por sua mãe. A artista foi imortalizada no cenário mundial ao dar vida nos palcos a papéis como o da francesa Edith Piaf ou a portuguesa Amália Rodrigues.

 

– Uma homenagem de extrema importância. Foram anos e anos de trabalho dedicado às artes de uma forma geral, à música, ao canto, à interpretação. É muito importante essa homenagem, que vai perpetuar por mais cem anos o nome dela. O centenário dela começa hoje e ela ficaria muito feliz por batizar um espaço maravilhoso como esse. Que o nome dela traga sorte – disse Thina.

 

Placa comemorativa foi inaugurada na Cidade das Artes – Beth Santos/Prefeitura do Rio

 

Além do prefeito Eduardo Paes, estiveram presentes à solenidade o presidente da Riotur, Bruno Mattos, o presidente da Cidade das Artes, Claudio Versiani, o vereador Carlo Caiado, presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a ex-presidente da Riotur Daniela Maia, representando o pai, o ex-prefeito e vereador Cesar Maia, autor do projeto de lei que idealizou a homenagem a Bibi Ferreira, e o subprefeito da Barra, Raphael Lima.

 

– É com imenso orgulho, para brasileiros e cariocas, que a diva Bibi Ferreira, ícone do teatro, dê nome ao maior complexo cultural da América Latina. Dois gigantes unidos pela vocação e amor pela arte – declarou Claudio Versiani.

 

Projeto imponente e inovador

O imponente projeto arquitetônico do francês Christian Portzamparc, com suas velas de concreto içadas entre o mar e as montanhas, a agora Cidade das Artes Bibi Ferreira tornou-se ponto de referência por seu desenho inovador e por levar a uma região carente de espaços de apresentações artísticas de qualidade um polo cultural que oferece, entre outras instalações, uma das mais bem equipadas salas de espetáculos da América do Sul.

O complexo cultural reúne, além da Grande Sala, com capacidade para 1.235 pessoas, um sofisticado Teatro de Câmara, com 450 lugares, galeria de arte, sala Eletroacústica, salas multiuso, modernas salas de ensaio e espaçosos camarins integrados a um lounge de convivência.

Bibi Ferreira

Celebrada como uma das grandes damas do teatro brasileiro, com nove décadas de atuação, a carioca Bibi Ferreira começou cedo no teatro. Filha do grande ator Procópio Ferreira e da bailarina argentina Aída Izquierdo, ela fez sua estreia teatral com pouco mais de vinte dias de vida, na peça Manhãs de Sol, de autoria de Oduvaldo Vianna. Ainda criança, entrou para o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, posteriormente, na companhia teatral de seu pai.

Em 1944, montou sua própria companhia teatral, encenando peças com grandes nomes do teatro brasileiro, como Cacilda Becker, Maria Della Costa e Henriette Morineau. Na década de 60, conheceu imenso sucesso com participações em programas de TV e com o musical Minha Bela Dama (My Fair Lady).

Nas décadas seguintes, continuou sua trajetória de sucesso em peças como O Homem de La Mancha, Gota d’água e Piaf, já nos anos 80, que lhe valeu os prêmio Mambembe e Molière. Com impressionante vitalidade, aos 95 anos, Bibi fez sua turnê de despedida com o espetáculo Bibi – Por Toda Minha Vida, só com músicas brasileiras. Morreu aos 96 anos, após parada cardíaca, em seu apartamento no Flamengo, em 2019.

  • 1 de junho de 2022