Famílias que receberam da Prefeitura Cartão Cesta Básica contam como auxílio foi fundamental para sobreviverem durante a pandemia

Publicado em 04/05/2020 - 07:29 | Atualizado
Dona Joana D'arc conta que se emocionou ao receber da Prefeitura o Cartão Cesta Básica - Marcelo Piu/Prefeitura do Rio

Da noite para o dia, Joana D’arc Ferreira Guedes, de 56 anos, e sua família ficaram sem chão. O marido, servente de obras, não conseguiu mais emprego por causa da “doença”, como ela chama a Covid-19, e sequer os biscates de sempre apareceram. A incerteza de como alimentar os três dos nove filhos que ainda vivem em sua casa em Gardênia Azul atormentava Joana. Ela soube então que teria direito ao Cartão Cesta Básica, distribuído pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME).

– Até me emocionei quando recebi. Esse cartão chegou na hora certa, foi muito importante. Comprei feijão, carne moída, legumes, frutas, pasta de dente e até chinelos para uma das milhas filhas, que precisava usar os da irmã. Não sei o que faria sem esse dinheiro – conta Joana, que recebeu seu cartão em 23 de abril na Escola Municipal Professora Helena Lopes Abranches, também em Gardênia Azul, onde sua filha Maísa, de 9 anos, curso o ensino fundamental.

Histórias de privação e angústia se repetem entre os que já viviam com pouco e, com a pandemia do novo coronavírus, passaram a necessitar de socorro urgente.

 

Prefeitura já distribuiu 144 mil Cartões Cesta Básica

 

A família de Joana foi uma das 144 mil beneficiadas com Cartões Cesta Básica, cada um no valor de R$ 100, entregues pela SME em abril nas escolas da rede municipal. Foram priorizadas as que estão em maior vulnerabilidade social, cadastradas nos programas Bolsa Família e Cartão Família Carioca.

Patroas cancelaram serviço de diarista, e Kátia se viu sem trabalho

Foi com o auxílio da Prefeitura, por meio da SME, que Kátia Cilene Balbino Silva, de 33 anos, também conseguiu encher a despensa da casa onde vive com o filho Bernardo, de 5 anos, na localidade do Terreirão, no Recreio. Antes da pandemia do Covid-19, ela trabalhava como diarista cinco dias por semana, mas todas as patroas cancelaram o serviço e apenas duas continuam lhe pagando, mesmo assim a metade do que costumava receber.

Ela também ficou com medo de ir trabalhar porque o filho já teve pneumonia e sofre com frequentes problemas respiratórios. O temor do contágio os faz passar os dias em casa. Com as aulas suspensas, devido à pandemia, as despesas aumentaram: Bernardo tomava café da manhã e almoçava no Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Vera Lucia Martins Costa, no Recreio, onde estudava diariamente, de 7h30 às 11h30. Kátia, por sua vez, almoçava no trabalho. Agora, todas as refeições são em casa.

– Eu recebia R$ 130 por dia, mas só estou ganhando R$ 140 por semana. Eu pelo menos não pago aluguel, porque tomo conta do apartamento de uma tia que foi para o Norte. Mas tem as despesas da casa e comida. Falei com umas seis mães de colegas do meu filho que receberam o cartão e elas também disseram que foi muito importante – conta Kátia, que recebeu seu Cartão Cesta Básica em 21 de abril.

 

Mais cartões serão distribuídos

 

No caso de Mônica Rufino, de 42 anos, também beneficiada, a situação era ainda pior. Sem emprego fixo, ela vendia latinhas e ajudava na remoção de sacos de entulho em obras. Assim, complementava seu rendimento mensal de R$ 269 do Bolsa Família. Mãe de Ibson, de 11 anos, Mônica conta que os “bicos” acabaram a partir do agravamento da pandemia. Não fosse o Cartão Cesta Básica, entregue a ela na Escola Municipal Professora Helena Lopes Abranches, onde o filho curso o ensino fundamental, a comida iria faltar.

– Tenho que levantar as mãos para o céu. Eu pude ir no mercado, comprar carne e ovos, além de biscoito para meu filho. Sem esse dinheiro, não ia dar – conta Mônica.

Outras famílias que atravessam esse período crítico sem a certeza de que poderão se alimentar serão alcançadas pela iniciativa da Prefeitura. Pelo menos mais 43 mil cartões Cesta Básica ainda vão ser entregues.