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Dia das Mães de enfermeira do Lourenço Jorge ainda terá distanciamento, mas amor em dobro
Publicado em 09/05/2021 - 09:00 | Atualizado em 09/05/2021 - 12:15
Nazira e Glória Regina na entrada de casa -Fabio Motta/Prefeitura do Rio Morar com a mãe sempre foi um prazer para Glória Regina Silva. Mas em março de 2020, devido à pandemia, ela teve que abrir mão dessa companhia para proteger Nazira Maria da Cruz Silva, de 91 anos. Coordenadora da enfermaria do CTI do Lourenço Jorge, em contato direto com pacientes de Covid-19, sua alternativa foi se mudar para outro prédio no mesmo bairro e adiar as visitas, que só foram retomadas em agosto. Ou seja, não houve festa no Dia das Mães passado, data que será comemorada neste domingo (09/05) com amor em dobro, mas ainda mantendo o distanciamento, apesar de as duas estarem imunizadas.
– Somente em agosto, no meu aniversário, tive coragem de voltar a ir lá. Mas só fico afastada. Ela na porta, eu no corredor. Conversamos, até faço refeições com ela, mas ainda tenho muito medo. Essa doença deixa muitas dúvidas – afirma Glória Regina, de 51 anos.
No segundo domingo de maio a casa de Nazira sempre ficava cheia. Mãe de quatro filhos, que lhe deram netos, ela gostava de ter a mesa farta e, como boa matriarca, um dos seus orgulhos era poder reunir a família para almoços, mesmo quando não havia nada especial para comemorar. Hoje, ela mora com uma das filhas e um neto que trabalha em sistema home office. Todos fazem de tudo para protegê-la, assim como Glória Regina.
– Sair de casa não foi fácil. Tive Covid logo no mês seguinte, eu me recuperei, mas é um processo muito solitário. Tive que cuidar do emocional, também fui em busca da espiritualidade, que ajudou muito no processo para eu me reencontrar. Hoje acordo, abro a janela e vejo a natureza, percebo que estou conectada com o mundo. Aprendi a ser feliz com o que eu tenho e quero aproveitar isso. Chego na casa da minha mãe, fico na porta e ali conversamos, a gente ri, conta histórias. Para mim isso já é o suficiente, é o que me faz feliz – garante a enfermeira.

Apesar de a presença da filha ser o maior presente neste dia, Glória Regina também conseguiu uma surpresa para a mãe. Vai dar uma xícara personalizada, com fotos da família.
– Minha mãe é uma mulher muito lúcida, orientada, gosta de fazer bordado, crochê, boneca de pano. Muito católica, devota de Nossa Senhora Aparecida, é meio mística. A gente sempre pede orações e recebe uma mensagem de conforto.
Nesta data especial, Nazira também deixa um recado não só para as mães, mas para todos:
– Tudo isso vai passar. Tenho fé em Deus, certeza disso. Vai chegar o dia em que vamos poder estar todos juntos novamente.

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