SMASDH lança projeto “Escravo, nem pensar!” sobre prevenção do trabalho escravo

Publicado em 27/03/2019 - 21:01 | Atualizado em 09/04/2019 - 12:42

O Estado do Rio de Janeiro é o nono da Federação em número de casos de trabalho escravo, principalmente em lavouras, estabelecimentos comerciais e construção civil. A informação foi dada nesta terça feira (26) pela representante da ONG Repórter Brasil e coordenadora do Projeto “Escravo, nem pensar!”, Natalia Suzuki. O projeto tem como objetivo capacitar os profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) na prevenção ao trabalho escravo.
A capacitação dos profissionais da rede socioassistencial da SMASDH será feita ao longo deste ano e inclui ainda a prevenção ao tráfico de pessoas e atendimento humanizado aos migrantes. O subsecretário de Direitos Humanos da SMASDH, Gustavo Proença, destacou na abertura do evento que a Secretaria está desenvolvendo outras ações voltadas para os migrantes, que formam o maior contingente de trabalhadores envolvidos com trabalho escravo. “Estamos lançando um protocolo de atendimento aos migrantes e também a Copa dos Refugiados 2019” – informou Proença.
“Não podemos aceitar que, em pleno século XXI, ainda exista o trabalho escravo em nossa sociedade. É uma crueldade com o trabalhador e uma afronta à Justiça brasileira” – disse o secretário da SMASDH, João Mendes de Jesus. Essa capacitação, segundo ele, vai colaborar para uma expressiva redução dessa exploração do ser humano.
A capacitação será feita para representantes dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) que receberão materiais didáticos e referências técnicas para o encaminhamento de denúncias de trabalho escravo e o atendimento às vítimas. Esses profissionais receberão ainda orientações para o acolhimento de migrantes internacionais que chegam ao Rio em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A procuradora do Trabalho no Rio de Janeiro, Guadalupe Louro Turos, também presente ao início da capacitação, destacou que muitas denúncias de trabalhadores em situação análoga ao trabalho escravo são funcionários de pastelarias, principalmente de origem chinesa. Ela citou um caso de um jovem chinês que, além de ser explorado pelo patrão, foi torturado e ferido. Após denúncias de vizinhos do estabelecimento, a Justiça determinou o pagamento de tudo que era devido a ele, além de condenar o patrão a oito anos de prisão.
A capacitação conta ainda com apoio do Ministério Público do Trabalho e da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo do Rio de Janeiro.