Prefeitura amplia vagas para cirurgias nos olhos com mutirão permanente que vai beneficiar 80 mil e zerar fila de catarata

Publicado em 06/03/2020 - 14:34 | Atualizado em 06/03/2020 - 16:01
Casal Maria Marques e Raimundo de Oliveira acompanhou o anúncio do programa na Cidade das Artes. Foto: Mariana Ramos/Prefeitura do RioCasal Maria Marques e Raimundo de Oliveira acompanhou o anúncio do programa na Cidade das Artes. Foto: Mariana Ramos/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou nesta sexta-feira (06/03) a 2.ª fase do mutirão permanente Visão Legal, que vai beneficiar mais 80 mil pessoas que precisam de cirurgia nos olhos. Cerca de 30 mil intervenções cirúrgicas serão de catarata, principal causa de cegueira reversível no mundo e razão de muitos acidentes envolvendo idosos. A fila, nesse caso,  será zerada. Pela primeira vez, transplantes de córnea serão feitos no mutirão, que prevê também 800 mil consultas para diversos tipos de doenças da visão. O investimento da Prefeitura nos tratamentos oftalmológicos salta de R$ 10,8 milhões para R$ 66,7 milhões por ano.

– É importante que tenhamos um mutirão permanente. A Beatriz Busch (secretária municipal de Saúde) aperfeiçoou o programa e incluiu o transplante de córnea. Problemas com a visão, no futuro, são tão certos quanto cabelo branco. Então, é importante que tenhamos orçamento próprio da Prefeitura para isso, sempre, inclusive nos próximos governos – destacou Crivella.

Qual a principal vantagem para o paciente?

A ampliação de vagas no mutirão vai reduzir o tempo de espera. Tanto para cirurgias de catarata quanto outros procedimentos como:  glaucoma,  estrabismo, consultas simples para diagnóstico inicial e indicação de uso de óculos, oftalmopediatria e cirurgias oftalmológicas pediátricas.

 

Dezenas de pessoas acompanharam o anúncio de novos investimentos na Saúde, na Cidade das Artes. Foto: Mariana Ramos/ Prefeitura do Rio de Janeiro

 

Pela primeira vez, o município do Rio conseguirá oferecer o número de vagas para a cirurgia de catarata atendendo estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde) em relação ao total de habitantes da cidade.

– Quando falamos em sanar problemas da visão, não é só a questão de devolver o direito de enxergar às pessoas, mas, sobretudo, prevenir, por exemplo, fraturas entre os idosos e até depressão, causadas também por doenças dos olhos – explicou a secretária Beatriz Busch.

Onde serão as cirurgias?

O mutirão será feito em parceria com clínicas particulares conveniadas ao Visão Legal. Pacientes de catarata, por exemplo, que estiverem com boa saúde serão operados nas clínicas. Quem tiver algum problema mais sério, que exija cuidados maiores, fará a cirurgia nos hospitais da rede pública.

Como as clínicas participam?

Um edital divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde convida clínicas a participar do programa. O pagamento às clínicas é de acordo com tabela de preços do SUS, definida pelo Ministério da Saúde. Tudo com máxima transparência. As clínicas têm até 11 de março para enviar a documentação e se habilitar.

E quem estiver em filas de outros hospitais?

Pacientes que estiverem em filas internas de hospitais universitários ou federais vão precisar procurar uma clínica de família para entrar na fila do Sisreg. O mutirão vai chamar para cirurgias conforme ordem determinada no sistema de regulação.

O investimento em cirurgias do olho começou agora?

De jeito nenhum! A Prefeitura do Rio vem investindo na ampliação de vagas para a especialidade desde 2017, não só na rede contratualizada, mas também nas unidades da rede própria que oferecem os serviços, como os hospitais municipais Miguel Couto e da Piedade. O investimento também permitiu zerar as solicitações pendentes para cirurgias de catarata, inseridas no Sistema de Regulação nos anos de 2015, 2016, 2017, e  2018.

Esperança para a dona Maria Marques

Maria Marques de Oliveira, de 71 anos, acompanhou o anúncio do programa. Ela aguarda, no Sistema de Regulação do município (SISREG), uma vaga para cirurgia de catarata no olho direito. O esquerdo já foi operado, mas não na rede municipal.

– Agora como o mutirão espero ficar com a visão perfeita nos dois olhos – comentou, ao lado do marido, Raimundo de Oliveira, de 78 anos.