Vacinação em massa contra a Covid-19, em Paquetá, conquista a adesão dos moradores

Publicado em 20/06/2021 - 15:01 | Atualizado em 20/06/2021 - 15:04
Audenise Ana Ferreira vibra com a vacinação - Marcelo Piu / Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio faz neste domingo (20/06) a vacinação contra Covid-19 de toda a população em idade elegível da Ilha de Paquetá (a partir de 18 anos), incluindo gestantes. O projeto “PaqueTá Vacinada”, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), visa avaliar os efeitos da vacinação em larga escala na população e é aprovado nos Comitês de Ética em Pesquisa do município e do Ministério da Saúde. Iniciado pela manhã, o evento reuniu o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, e a presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade. Também estiveram presentes a pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo; o subprefeito das Ilhas, Rodrigo Toledo; o subsecretário estadual de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sérgio Ribeiro; e os secretários municipais de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere, e de Assistência Social, Laura Carneiro.

 

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, agradeceu, em seu discurso, a adesão dos moradores da ilha ao projeto que envolveu, entre quinta-feira e sábado, a testagem de 2.759 moradores, incluindo 421 crianças, das quais 21% apresentaram exposição ao coronavírus.

 

– É um momento muito triste; são 500 mil mortes no Brasil, e todos lamentamos muito por isso. É um momento de profunda tristeza, de luto, mas é também o momento de a gente ter esperança e tentar reconstruir um novo futuro. E aqui em Paquetá a gente espera que esse futuro chegue antes. Nossa expectativa é que essa região seja um símbolo para todo o País e que mostre o efeito da vacina em massa na vida das pessoas. A gente espera que a vacina continue salvando vidas, que seja a esperança para colocar não somente a Ilha de Paquetá, mas o Rio de Janeiro e todo o Brasil, em um futuro melhor. A gente estava esperando que entre 20 e 30% das pessoas daqui aderissem à coleta de sangue, mas 70% aderiram à pesquisa. Meu agradecimento profundo a todos os que se voluntariaram – disse.

 

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ressaltou a importância da imunização em massa em Paquetá como um teste de eficácia da vacina para novas variantes, entre outros aspectos:

 

– Além da vacina da Fiocruz, temos outros agentes imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Três deles com registro definitivo, e um outro com registro emergencial. Todos são importantes para nossa campanha de vacinação. Todos cumprem seu papel e são úteis para o enfrentamento da Covid-19. Esse estudo realizado aqui, na Ilha de Paquetá, mostra o compromisso do Ministério da Saúde com a pesquisa. Nós já sabemos que essas vacinas aprovadas pela Anvisa são seguras, são eficazes. Mas precisamos compreender alguns outros aspectos em relação à efetividade dessas vacinas, precisamos analisar a efetividade dessas vacinas em relação a outras variantes. É esse compromisso com a ciência que nos dá fé e esperança na superação dessa dificuldade sanitária – afirmou o ministro.

 

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, considerou a imunização em Paquetá uma “pesquisa fundamental”:

 

– Uma pesquisa fundamental para avaliarmos o impacto da vacina, que com muito compromisso, com muita responsabilidade, a Fiocruz entrega ao nosso Sistema Único de Saúde. A Fiocruz se sente muito honrada por participar de uma iniciativa construída em conjunto com a Prefeitura do Rio de Janeiro, com a Secretaria Municipal de Saúde e o com o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.

 

A escritora Conceição Campos foi a primeira vacinada em Paquetá – Beth Santos / Prefeitura do Rio

 

Coube ao ministro Marcelo Queiroga vacinar a primeira pessoa, a escritora Conceição Campos, de 50 anos. “Uma sensação maravilhosa”, segundo ela, moradora de Paquetá desde 2008.

 

– A gente estava esperando muito por esse dia. A adesão da ilha, muito impressionante, vai colaborar com a pesquisa da Fiocruz – disse Conceição.

 

Seu marido, o músico e compositor Pedro Amorim, já havia tomado a primeira dose, mas fez questão de acompanhar a vacinação da mulher e dos vizinhos:

 

– A gente fica muito orgulhoso por participar de um evento científico que vai trazer informações tão importantes não somente para a ilha, mas também para o Rio de Janeiro e, até, o mundo. A adesão dor moradores da ilha à testagem superou as expectativas.

 

Segunda pessoa a ser vacinada, Audenise Ana Ferreira, também de 50 anos, ganha a vida transportando turistas em um dos muitos carrinhos elétricos que circulam pelas ruas de Paquetá. Finalmente, sentiu-se um pouco mais segura após receber sua dose.

 

– Corri muito risco nesse tempo todo de pandemia porque trabalho com turismo. Sou só felicidade agora; nem consegui dormir de ontem pra hoje por causa da ansiedade – afirmou ela, moradora de Paquetá há 33 anos.

 

A população da ilha abraçou o projeto, que é realizado pela SMS com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nos três dias, quase 70% dos moradores compareceram aos postos de testagem, na Unidade Integrada de Saúde Manoel Arthur Villaboim e no Paquetá Iate Clube, onde responderam também ao inquérito epidemiológico. Por dia, cerca de 200 profissionais de saúde e voluntários auxiliaram no atendimento à população insulana.

 

Crianças e adolescentes passaram por testes rápidos e os maiores de idade fizeram coleta de sangue para exame sorológico. As amostras de sangue foram levadas de helicóptero para a Fiocruz, onde serão analisadas em laboratório. Ao longo de 12 meses, os moradores serão monitorados e uma parte deverá ser chamada para repetir os exames para acompanhamento e verificação dos anticorpos adquiridos após a vacinação com a primeira e com a segunda doses.

 

O acompanhamento da população da ilha terá por objetivo avaliar a segurança do imunizante e como a vacinação em massa atua na proteção também de pessoas que não foram vacinadas, como é o caso das crianças e adolescentes. Além de observar se a primeira dose da vacina será capaz de evitar a transmissão dos casos na região ou se isso só acontece efetivamente após a segunda dose, que será aplicada a partir de oito semanas.

 

Paquetá tem uma população de 4.180 moradores cadastrados na Estratégia Saúde da Família, dos quais 3.530 são maiores de 18 anos. Até sábado (19), já haviam sido aplicadas na ilha, pelo calendário para todo o município, 1.971 primeiras doses (D1) e 1.344 segundas doses (D2). Neste domingo, todo o restante da população elegível está sendo imunizado com a AstraZeneca. As 17 gestantes da ilha tomam a dose da CoronaVac, seguindo recomendação do Ministério da Saúde para este público.

 

A vacinação neste domingo, das 8h30 às 16h, acontece em quatro pontos da ilha, para facilitar o acesso dos moradores e evitar aglomerações: UIS Manoel Arthur Villaboim, Parque Darke de Mattos, Paquetá Iate Clube e Casa de Artes Paquetá. Apenas a população residente é vacinada na ação, conforme os cadastros da Estratégia Saúde da Família, tendo sido vetada a participação de turistas.

 

Os trabalhos na ilha durante a semana contaram com a participação de voluntários entre universitários e outros ligados à ONG Core (Esforço de Ajuda Organizado pela Comunidade, na sigla em inglês), uma iniciativa humanitária que atua em diferentes países e, na pandemia, tem ajudado na ampliação do acesso à vacinação. Os investimentos da entidade no Município do Rio para o enfrentamento da Covid-19, em apoio ao SUS, estão voltados para a montagem de postos de vacinação e testagem, e contratação de profissionais.

  • 20 de junho de 2021