No Dia Mundial de Combate à Dor, especialista alerta sobre importância de tratamento em crianças e adolescentes

Publicado em 17/10/2022 - 15:48 | Atualizado
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O pequeno Heitor, de 10 anos, teve uma sensível melhora com o tratamento na Clínica da Dor - Edu Kapps/Prefeitura do Rio

Em 17 de outubro é celebrado o Dia Mundial de Combate à Dor, essa sensação que requer muita atenção, principalmente quando atinge por longos períodos crianças e adolescentes. É o que alerta a anestesista Ana Carolina Lopes Pinheiro, à frente da Clínica da Dor do Hospital Municipal Jesus, em Vila Isabel, unidade da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) que atende pacientes pediátricos com dores crônicas. As consultas podem ser agendadas, via regulação, por unidades de saúde da Atenção Primária, como as clínicas da família e centros municipais de saúde, além de hospitais.

A Dra. Ana Carolina explica que as dores crônicas são aquelas que duram mais de três meses e, na infância e adolescência, podem trazer vários prejuízos aos seus portadores, se não tratadas devidamente.

– Na escola, o aluno com dor pode perder o foco e até repetir de ano, além de ter prejuízos na socialização em geral, devido à tendência de isolamento nesses casos. A longo prazo, a falta de um tratamento adequado também pode gerar um adulto com dor e impactado social, profissional e financeiramente, pois tende a se tornar improdutivo no trabalho e com dificuldade para conviver em sociedade, com predisposição para a ansiedade e depressão – avaliou a especialista.

Têm indicação para a Clínica da Dor pacientes com anemia falciforme, dores musculoesqueléticas, cefaleias e enxaquecas, dores abdominais e pélvicas, fibromialgia juvenil, hipermobilidade, dor crônica pós-operatória, câncer, entre outros. O tratamento consiste na prescrição de medicamentos, bloqueios de terminações nervosas com infiltrações de anestésicos por meio de ultrassom guiado e, até, encaminhamento para profissionais como psicólogos e fisioterapeutas. A médica ressalta que o tratamento é individualizado e a resposta varia de acordo com cada caso, mas em geral trazem muito alívio para os pequenos pacientes.

– Precisamos ser mais humanos e parar de minimizar a dor dos outros. Quando a criança tem dor, alguns pais costumam repreender, pedir para ficar quieto e dizer que vai passar, mas nem sempre passa. E nesses casos é preciso buscar um especialista que tem meios de identificar e tratar a dor. Até quando a criança não consegue verbalizar, por ser muito pequena ou possuir uma doença neurológica, podemos fazer testes terapêuticos, fisiológicos, como a avaliação da frequência cardíaca, e comportamentais para isso – disse a Dra. Ana Carolina.

Para o pequeno guerreiro Heitor, de 10 anos, filho da professora Fernanda Inácia da Cruz, de 42, e irmão gêmeo do Arthur, o tratamento vem dando a oportunidade dele fazer as coisas que mais gosta: ler e jogar videogame. Aluno da 4ª série e fã de matemática, Heitor nasceu com uma má formação na coluna que prejudicou a sua mobilidade. Ele já passou pelo centro cirúrgico cinco vezes, para procedimentos na medula e nos pés, e sabe bem como é lutar contra a dor, mas graças ao acompanhamento especializado já chegou a ficar seis meses sem crises. A mãe comemora. Fernanda ressalta a importância do tratamento para a melhoria da qualidade de vida do menino, pois as dores afetavam o seu desempenho na escola e também a diversão em casa, impedindo as brincadeiras com o irmão.

– A escola me ligava quase todos os dias. Ele não conseguia vestir uma camisa de tanta dor no ombro e também tinha muitas crises de enxaqueca. Não conseguia comer e vivia todo furado, com acesso profundo, por conta das inúmeras internações. Até que a gente teve conhecimento da clínica, após a terceira cirurgia na medula, quando o Heitor precisou tomar morfina por causa da dor. O médico do hospital fez a indicação e, de lá para cá, as idas à emergência diminuíram muito. É importante que mais crianças possam ter acesso a esse serviço – afirmou Fernanda.

  • 17 de outubro de 2022
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