Projeto garante educação para operários da Transbrasil no canteiro de obras

Publicado em 08/04/2022 - 16:47 | Atualizado em 08/04/2022 - 17:59
Zico, Mirani e Veronílson estão recuperando o estudo que não tiveram chance quando eram mais novos - Fabio Motta/Prefeitura do Rio

O estudo transforma vidas. Quem nunca ouviu essa frase? Foi com esse pensamento que o consórcio Transbrasil, responsável pelas obras do BRT, criou uma escolinha no canteiro de obras, após identificar que os trabalhadores da construção civil, mesmo exercendo suas funções com competência, possuíam dificuldade na comunicação verbal e escrita.

– As obras do corredor Transbrasil vão além da transformação da mobilidade da cidade. Com esse projeto, transformará também a vida desses trabalhadores por meio da educação. É preciso pensar no macro, mas não podemos esquecer daqueles que, com o seu esforço e dedicação, atuam nas frentes de trabalho transformando os projetos em realidade – conta a secretária municipal de Infraestrutura, Jessick Trairi.

Hoje, a maior parte do efetivo da mão de obra direta possui baixa escolaridade ou a mínima exigida para exercer suas funções. Uma empresa privada, especializada em educação,  foi contratada para o Projeto Escolinha Transbrasil, voltada para alfabetização de adultos. Os operários terão a oportunidade de aprender a ler e a escrever, ou melhorar seus conhecimentos, com base na educação básica do ensino fundamental, para os anos iniciais.

Para iniciar, o projeto teve a adesão de 20 trabalhadores inscritos, voluntariamente, que formarão a primeira turma. Para estudar, os operários recebem, totalmente gratuito, uniforme e material didático personalizado, criado e pensado especialmente para esse segmento, além de lanche e transporte para translado dos seus canteiros de origem até o canteiro sede no Trevo de Margaridas, onde as aulas  acontecem.

Uma sala de aula foi montada, equipada e planejada, para acomodá-los, com professora capacitada para ministrar as aulas da turma. O curso tem a duração prevista de seis meses, de forma presencial, de segunda a quinta, após o expediente, das 18h às 20h30, 10 horas semanais. Todos que concluírem o curso estarão aptos e serão encaminhados para realizar a prova do MEC, onde terão a oportunidade de conseguir um diploma.

O Consórcio Transbrasil, reconhecendo o esforço e a dedicação dos alunos, pretende premiar todos os que concluírem com um bônus.

– Esse projeto tem grande significado para todos os envolvidos do Consórcio, pois pode dar início a uma caminhada de transformação, e abertura de novas oportunidades para trabalhadores que não tiveram a chance de estudar – afirma Rogério Dourado, representante do Consórcio Transbrasil.

 

A primeira turma é formada por 20 operários, que têm direito a um lanche – Fabio Motta/Prefeitura do Rio

 

As obras da vida dos alunos

O sonho de estudar era muito distante para muitos dos trabalhadores, mas eles abraçaram a oportunidade para transformar as suas vidas. Ao todo são 20 alunos e muitas histórias e sonhos desses trabalhadores que vestem a camisa faça chuva ou sol. Nascido no interior da Paraíba, Veronilson Barbosa, de 49 anos, não teve a oportunidade de estudar, pois precisou trabalhar desde os 9 anos. O pedreiro, que tem 25 anos de experiência, já trabalhou nas obras olímpicas, como na construção do Complexo Olímpico de Deodoro e, desde 2017, está na obra da Transbrasil.

– O aprendizado é tudo, estou correndo atrás para realizar um sonho de tirar minha carteira de motorista. Estou muito feliz e satisfeito com a escolinha aqui no trabalho e não vou desistir – conta Veronilson Barbosa

A única mulher da sala de aula é a Mirani dos Santos Silva, praticamente uma liderança entre os alunos. De família humilde no interior de Alagoas, Mirani, que tem 50 anos, nunca teve oportunidade de estudar mais nova e depois teve que trabalhar para sustentar os seis filhos. Ela sempre incentivou os filhos a estudarem. Seu maior orgulho é ver o caçula cursando a faculdade de História na UFRJ.

– Sempre tive vontade de aprender a ler e escrever, mas não tive oportunidade. Hoje estou muito feliz em poder estudar no meu trabalho, onde me sinto bem, em família. Meu sonho é tirar minha carteira de motorista e dirigir – declara Mirani.

Outro que está empolgado com a oportunidade de poder voltar a estudar é o carpinteiro Zico Brito, de 47 anos. Ele nasceu no interior do Maranhão, onde não tinha escola. Além disso,  trabalha desde muito novo e por isso não teve oportunidade de estudar.

– É muito importante realizar meu sonho de estudar e trabalhar. Cada dia que passa, quero aprender mais – finaliza o carpinteiro Zico Brito.

 

 

  • 8 de abril de 2022