Segundo dia do seminário Leituras Cariocas mostra o Brasil por novos ângulos

Publicado em 11/08/2022 - 21:17 | Atualizado

O reconhecimento de pontos de vista diversos da história e da cultura do Brasil foi o tema do segundo dia do III Seminário Leituras Cariocas, realizado no auditório da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), nesta quinta-feira (11/08). Cerca de 200 profissionais da Secretaria Municipal de Educação, que serão multiplicadores dos temas e das discussões, tiveram a oportunidade de ouvir as ideias e as experiências de Luciana Tupinambá, Luis Gomes, Ricardo Jaheem e Lucia Tucuju, além da poesia da pequena Sophia Aguiar, aluna da rede municipal de ensino.

O gerente de relações étnico-raciais, Ricardo Jaheem, falou sobre as disputas de narrativas que existem no ensino da história e nas artes, como na literatura e no cinema. Para o escritor, é hora de se pensar em caminhos para lidar com a diversidade dos alunos da rede municipal:

 

– Os professores sentem mais legitimidade para trazer suas questões, suas dúvidas, e até suas inquietações. Penso que a Secretaria tem oportunizado um espaço de uma construção e de uma reflexão coletiva desse projeto de educação em prol da equidade. Eu vejo que a gente consegue tirar de um lugar isolado, de questões pontuais. Chegou a hora de a gente parar de pautar a nossa fala apenas nas dores, e falar na construção de caminhos possíveis para a aprendizagem dos estudantes negros, indígenas refugiados migrantes, ciganos. Nossa rede é muito diversa e a gente precisa garantir que todos aprendam.

 

Luciana Tupinambá falou sobre o seu trabalho com as línguas indígenas e o canto. A intenção é de despertar e manter o interesse dos alunos no estudo das línguas e das culturas indígenas.

 

– Elas gostam porque tem um movimento corporal. Eu também trabalho com a questão do pandeiro, das músicas populares, do jongo, do coco de roda, caboclinho, maracatu, então, elas adoram. Eu levo uma leitura viva para elas. Além da questão da leitura do livro, trazer a leitura de vida, do corpo, de fazer sentido para que elas tenham prazer de estar ali – explica Luciana, que é professora da Rede Municipal e ativista da aldeia Maraka’nã.

 

Em seguida, a escritora Lucia Tucuju falou sobre a questão do pertencimento e dos estereótipos dos povos indígenas. Para ela, é importante que se leve em consideração a bagagem cultural, a origem e o contexto social dos alunos, para que seja possível existir uma visão não estereotipada dos povos indígenas, e que os próprios estudantes possam se reconhecer como indígenas, em muitos casos.

 

– Muitas vezes o próprio professor tem ali na sala um indígena que ele nem mesmo sabe que é. Se ele for em busca da sua história ele vai descobrir através dos seus antepassados. Não basta só dizer “ah, eu sou indígena”, é preciso se reconhecer, assumir o papel de pertencimento mesmo, buscar as suas origens, a sua ancestralidade. Aconteceu isso comigo. Quando eu vivia lá no Amapá, era tudo muito normal e natural, aqui no Rio eu senti mais necessidade de passar por um processo de retomada e busca das minhas raízes – disse Lucia.

 

Luis Gomes, cineasta e criador da produtora Azeviche, que tem como foco o protagonismo negro, contou a história da sua relação com o audiovisual. Ela começa na época de espectador, quando frequentava cineclubes, até o momento em que se tornou um realizador, tendo inclusive o filme “Linhas” selecionado para o festival Curta Labs 2021.

 

– Os alunos já têm uma ferramenta próxima deles, está no celular, está no smartfone. Muitos dos ídolos desses jovens de agora são Youtubers, são Tiktokers, e eu acho que é uma forma de o audiovisual estar próximo deles. E nessa perspectiva de realizador eles podem usar essas ferramentas para expandir os conhecimentos que eles têm. Não somente de estar naquilo que a rede social colocou para eles, mas buscar uma forma de produzir o conhecimento a partir da realidade deles, do cotidiano deles. Seja no âmbito familiar, escolar, religioso, ambiental, científico. O audiovisual tem essa possibilidade como ferramenta – afirmou Gomes.

 

O III Seminário Leituras Cariocas vai até esta sexta-feira (12/08). O último encontro terá sessão cineclube com o filme Medida Provisória e debate sobre o tema com Bete Bullara e Felicia Krumholz. Os interessados poderão se inscrever no link https://doity.com.br/seminario-leituras-cariocas. Para acompanhar online, basta acessar o Canal da Sala de Leitura https://youtube.com/c/SaladeLeituraSMECarioca.

  • 11 de agosto de 2022
  • Skip to content