Carnaval 2026 deve movimentar R$ 5,9 bilhões na economia carioca

Publicado em 12/02/2026 - 16:35 | Atualizado em 12/02/2026 - 17:39
Desfile da Beija-Flor, durante o segundo dia de desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial - Foto: Fábio Motta/Prefeitura do Rio

O Carnaval 2026 deve movimentar cerca de R$ 5,9 bilhões na economia da cidade do Rio, segundo estimativa da Prefeitura. A projeção considera um público total de aproximadamente 8 milhões de foliões, distribuídos entre os desfiles das escolas de samba no Sambódromo e na Intendente Magalhães, os blocos de rua, bailes populares e eventos tradicionais, como os realizados na Cinelândia e na Avenida Chile.

O período analisado vai do pré-Carnaval, iniciado em 17 de janeiro, até o encerramento oficial da festa, em 22 de fevereiro, domingo após o Sábado das Campeãs. Os dados integram a quinta edição da publicação Carnaval de Dados, elaborada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), pela Casa Civil, por meio do Instituto Fundação João Goulart (FJG) e pela Riotur. O estudo considera os gastos de moradores e visitantes com hospedagem, transporte, alimentação, eventos e outros serviços direta ou indiretamente ligados ao Carnaval.

– O Carnaval do Rio prova todo ano por que é o maior espetáculo da Terra. Nossas escolas de samba e os blocos colocam milhões de pessoas nas ruas para celebrar, transformando a cidade numa grande festa a céu aberto. É uma energia que contagia moradores e visitantes, que mostra a força da nossa cultura e projeta o Rio e o Brasil para o mundo inteiro. E, principalmente, é uma festa que põe dinheiro circulando, movimenta o comércio, o turismo, os serviços. Toda a economia da cidade ganha – disse o prefeito Eduardo Paes.

Outro destaque do levantamento é o retorno em arrecadação municipal nos dias de festa: em retorno econômico, a arrecadação municipal de ISS proveniente de serviços ligados direta ou indiretamente ao Carnaval gira em torno de R$ 240 milhões. Apenas os setores de turismo e eventos respondem por mais de R$ 47 milhões dessa arrecadação no mês da festa.

– O Carnaval transforma o Rio em vitrine para o mundo e movimenta bilhões na economia local. É cultura, mas também desenvolvimento econômico: a festa gera empregos, impulsiona o turismo, fortalece os serviços e garante retorno direto para a cidade, mostrando que investir no Carnaval é investir no Rio – disse o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

A Prefeitura aplica anualmente cerca de R$ 100 milhões no Carnaval, incluindo incentivos culturais às escolas de samba — Grupo Especial, Série Ouro, Escolas Mirins e desfiles da Intendente Magalhães — além da operação do evento e da manutenção do Sambódromo. Entre 2022 e 2026, os incentivos culturais ao Grupo Especial somaram R$ 137,3 milhões, em valores deflacionados pelo IPCA de dezembro de 2025.

A operação do Carnaval envolve ampla mobilização da Prefeitura, com participação de 23 órgãos municipais e cerca de 32 mil servidores públicos. A maior parte desse contingente é formada por profissionais da Comlurb, com 13,1 mil trabalhadores, e da Guarda Municipal, com 12,5 mil agentes.

– Esse estudo deixa claro que investir no Carnaval é investir no desenvolvimento do Rio. São quase R$ 6 bilhões movimentados, com impacto direto na geração de empregos, no fortalecimento do turismo e na projeção internacional da cidade. É uma política pública que mobiliza toda a cidade – afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.

Carnaval de rua mantém protagonismo

A publicação também traz análise detalhada do Carnaval de Rua. Em 2026, estão previstos mais de 450 blocos, totalizando cerca de 1.786 horas de apresentações e público estimado em quase 7 milhões de foliões. Do total de desfiles, 40,2% ocorrem no pré-Carnaval, 51,5% durante a semana oficial e 8,3% no pós-Carnaval.

Os megablocos — 11 no total — concentram cerca de 53% do público estimado, com média de 180 mil pessoas por desfile e atuação exclusiva no Centro. Já os blocos tradicionais, mais numerosos (419), reúnem aproximadamente 46% dos foliões, com média estimada de 4 mil pessoas. Cerca de 37% dos blocos cadastrados têm público inferior a 500 pessoas.

A presidente do Instituto Fundação João Goulart, Rafaela Bastos, garante:

– A mais nova edição do Carnaval de Dados reforça o quanto o Carnaval amplia a capacidade de governos, ampliando o acesso ao repertório cultural da cidade, principalmente como vetor de desenvolvimento humano, urbano e econômico, que não se limita ao mês de fevereiro com impacto de atividades associadas o ano todo. O estudo mostra como dados e evidências qualificam decisões e fortalecem a gestão, ao reconhecer o Carnaval como manifestação cultural, evento estratégico e ativo de transformação social.

A maioria do público total, cerca de 81%, participa de blocos com deslocamento, característica comum aos megablocos.

O sábado, 7 de fevereiro, concentra o maior número de blocos cadastrados (59). Na semana oficial, são esperados 57 blocos no sábado, 55 no domingo e 55 na terça-feira. Sábado e terça de Carnaval concentram os maiores públicos, com expectativa próxima de 1 milhão de foliões por dia.

Em relação aos horários, 17,2% dos blocos desfilam pela manhã, 44,3% à tarde e 38,4% à noite. O maior número de concentrações ocorre às 17h, seguido por 18h e 15h. Ainda assim, é no período da manhã que se observa a maior concentração de público, especialmente no Centro, impulsionada pelos megablocos, que tradicionalmente começam entre 8h e 9h.

A dinâmica varia conforme a região: no Centro, o pico ocorre pela manhã; na Zona Sul, os desfiles começam cedo e registram novo aumento de público no fim da tarde; na Barra da Tijuca, predominam blocos com saída mais tardia, geralmente na hora do almoço; já na Tijuca, há maior concentração no fim do dia.

O estudo também aponta a renovação do Carnaval de Rua. Em 2026, são 33 blocos estreantes, distribuídos por 21 bairros, com público estimado em cerca de 70 mil foliões. Desses, 15 estreiam no pré-Carnaval, 15 durante o Carnaval e três no pós-Carnaval.

A tradição permanece forte. O maior e mais antigo bloco da cidade é o Cordão da Bola Preta, fundado em 1919. Outros blocos históricos incluem a Banda de Ipanema (1965), Banda da Glória (1979), Bloco do Cachorro Cansado (1981) e Carmelitas (1990).

O número total de desfiles permanece estável em relação ao ano anterior: são 458 blocos em 2026, contra 457 em 2025. Cerca de 80% dos blocos que desfilaram no ano passado retornam às ruas. No geral, o crescimento do pré-Carnaval e o aumento do público médio indicam uma festa ainda mais movimentada este ano.

A publicação completa está disponível nos sites observatorioeconomico.rio, repertorio.rio e riotur.rio.

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