‘Traços’: Revista de cultura e economia criativa está à venda no Rio por pessoas em situação vulnerável

Publicado em 23/07/2021 - 16:27 | Atualizado em 23/07/2021 - 17:21
A revista Traços - Divulgação / Prefeitura do Rio

Ele viveu em ruas do Centro do Rio e não sabia ler. Com a pandemia, perdeu os trabalhos autônomos de eletricista e pintor. Adailton Padre dos Santos, 61 anos, agora é porta-voz da informação carioca e gera renda vendendo, nas ruas, a “Traços”, revista de cultura e economia criativa que será lançada oficialmente no Rio na próxima segunda-feira (26/07), no Museu de Arte do Rio (MAR), às 10h.

Adailton é um dos 80 moradores em situação de rua do Rio no projeto apoiado pela Prefeitura, por meio das secretarias de Assistência Social, Cultura e Ordem Pública. Num único dia, vendeu dez exemplares da publicação, que custa R$ 10. A comissão é de 70%.

 

Geração de renda e reinserção social

Cada vendedor recebe 20 exemplares para levar às ruas, crachá de identificação, colete e acompanhamento personalizado que inclui planejamento financeiro e de vida, encaminhamentos para os acessos à rede socioassistencial e inserção em atividades e ações culturais. Os porta-vozes passam por treinamento com oficinas, respeitando os protocolos de segurança sanitária. A estimativa mensal é de até R$ 3 mil para cada.

A “Traços” existe no Distrito Federal há seis anos, tornando-se referência no meio cultural, reunindo nomes como Ney Matogrosso, Ellen Oléria, Hamilton de Holanda, Zélia Duncan, Camila Márdila, Murilo Grossi, Vladimir Carvalho, GOG, entre outros. A edição carioca estreia com a cantora Teresa Cristina na capa e o perfil de Antônio Videres Neto, morador em situação de rua de 57 anos, estampando as páginas internas. Ele é um dos atendidos pela rede da Assistência Social, emergindo de uma longa vivência com drogas e desemprego.

A publicação também atravessou a vida de Thifanny Isabella Branco, 40 anos, mulher trans acolhida pela Assistência Social, com histórico de excessivo consumo de álcool e drogas.

– Agora acordo cedo e saio para trabalhar com a autoestima lá em cima. Na noite anterior, cuido dos meus cabelos e das minhas unhas, escolho o que vestir. Muito emocionada com as novas perspectivas – relata Thifanny, oriunda de uma família vulnerável que nunca aceitou sua transição, levando-a cedo para as ruas. No primeiro dia, ela vendeu sete exemplares.