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Mostra inédita montada no Muhcab apresenta 180 achados arqueológicos de obras do Porto do Rio
Publicado em 30/11/2022 - 07:00 | Atualizado em 01/12/2022 - 14:58
Peças da exposição Achados do Valongo - Divulgação
Cerca de 180 achados arqueológicos descobertos nas obras do Porto Maravilha estão na exposição Achados do Valongo, aberta a partir desta quarta-feira (30/11) no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), na Gamboa. Essa é a primeira vez que são apresentadas na cidade cerâmicas piaçavas, pedras e peças em vidro que contam um pouco da herança africana no Rio.
A exposição, que marca ainda um ano da inauguração do Muhcab, é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, em parceria com pesquisadores da Uerj e do Museu Nacional. Os achados arqueológicos, que estavam no antigo Cais do Valongo, lugar onde operou o maior mercado de escravizados do Brasil, fazem parte do acervo do Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), da Prefeitura do Rio.

A mostra é gratuita e ficará em cartaz por pelo menos um ano no Muhcab, que funciona no Centro Cultural José Bonifácio. Criado por ocasião das obras do Porto Maravilha, o LAAU soma cerca de 1,2 milhão de peças localizadas durante as intervenções na Zona Portuária. Um lote de 262 mil itens é relativo às escavações do Cais do Valongo. As demais são dos sítios Sacadura Cabral, Morro da Conceição e Trapiche da Ordem, entre outros. As peças expostas agora são do lote do Cais do Valongo.
A mostra é uma demanda de anos do movimento negro, de especialistas e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Das peças previamente selecionadas, parte estava guardada no LAAU e parte estava cedida ao Departamento de Arqueologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Uerj para pesquisas.
A mostra tem curadoria dos pesquisadores da Uerj e do Museu Nacional, organização do Muhcab, patrocínio do Instituto Moreira Salles e do Instituto D’Orbigny e supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela se soma à exposição permanente do museu, “Protagonismos – Memória orgulho e identidade”. Espaço dedicado a pensar a história da escravidão, buscando reflexões sobre a complexidade do tema e suas consequências na atualidade, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira foi inaugurado como museu de território em novembro de 2021.

Descoberto em 2011, na fase inicial do projeto Porto Maravilha, de revitalização da região, o cais era adjacente ao mercado. Estima-se que por lá passaram 700 mil africanos escravizados, entre 1790 e 1831, oriundos principalmente de portos do atual território de Angola, mas também de Moçambique.
A escavação arqueológica de 2011 abriu um pedaço de terreno de quatro mil metros quadrados. De lá saíram centenas de artefatos de matrizes africanas, como contas de colares, búzios, brincos e pulseiras de cobre, cristais, peças de cerâmica, anéis de piaçava, figas, cachimbos de barro, material em cobre, âmbar, corais e miniaturas de uso em ritual.
SERVIÇO
Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab)
Rua Pedro Ernesto 80, Gamboa.
Qui a sáb, das 10h às 17h.
Grátis. Livre.
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