Cais do Valongo recebe obras de consolidação e conservação de sítio histórico

Publicado em 17/05/2019 - 08:54 | Atualizado em 17/05/2019 - 14:16
O Cais do Valongo, considerado um dos sítios de memória da escravidão mais importantes do mundoO Cais do Valongo, considerado um dos sítios de memória da escravidão mais importantes do mundo. Foto: Michel Filho / Prefeitura do Rio

Ali desembarcaram quase um milhão de negros trazidos da África, no maior movimento de migração forçada da Humanidade. O Cais do Valongo, considerado um dos sítios de memória da escravidão mais importantes do mundo, receberá até o início de junho obras de consolidação, conservação e limpeza. As intervenções seguem recomendações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que em 9 de julho de 2017 concedeu ao Valongo, na Zona Portuária, o status de Patrimônio Mundial.

O projeto de consolidação foi elaborado a partir de estudos realizados pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP), com gestão do Instituto da História e da Cultura Afro-Brasileira, ambos órgãos da Prefeitura do Rio, e supervisão da autarquia federal Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).

Etapa inicial tem previsão de durar seis meses

A fase inicial das obras abrange a limpeza do sítio histórico, com remoção de grafites, vegetação daninha e colônias biológicas; tratamento dos elementos metálicos deteriorados, contenção da erosão e do efeito das chuvas sobre o solo e consolidação da pavimentação do calçamento e das pedras. Também promove reforço estrutural para o muro que tem a função de conter a terra, instala canaletas para escoamento de água e mureta que irá receber o novo guarda-corpo. O muro da via de serviço do Hospital dos Servidores será demolido, permitindo assim uma caminhada completa ao redor do monumento. Para impedir a passagem de veículos na área, serão instalados frades.

A primeira etapa, orçada em R$ 2 milhões, tem previsão de duração de seis meses. Os recursos são provenientes do Fundo dos Embaixadores dos Estados Unidos para a Preservação Cultural. A segunda fase, prevista para começar no segundo semestre deste ano, contará com investimentos de empresas privadas. Serão instaladas nova iluminação, câmeras de monitoramento e o guarda-corpo. Além disso, serão colocadas novas placas indicativas e interpretativas sobre a história e importância do Cais do Valongo, assim como totens.

A diretora do Instituto da História e da Cultura Afro-Brasileira, Nilcemar Nogueira, explica que as obras de consolidação do Cais do Valongo fazem parte de um projeto maior, que envolve a criação de um museu a céu aberto e de centros de capacitação, interpretação, discussão e disseminação da cultura afro-brasileira, integrando a região conhecida como Pequena África – que engloba ainda o Quilombo da Pedra do Sal, Praça da Harmonia, Cemitério dos Pretos Novos, entre outros.