Prefeitura inaugura três primeiras placas do Patrimônio Cultural Carioca do Circuito da Diversidade

Publicado em 28/06/2021 - 07:00 | Atualizado em 26/06/2021 - 20:52
Placa do Circuito da Diversidade em homenagem a João do Rio - Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

O Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, comemorado nesta segunda-feira (28/06), será marcado no Rio de Janeiro pela inauguração das três primeiras placas do Patrimônio Cultural Carioca do Circuito da Diversidade. A iniciativa é da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura em parceria com a Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

As placas ficam no Cabaret Casanova (Avenida Mem de Sá 25, Centro), palco de apresentações de artistas emblemáticos como Madame Satã; Largo da Carioca (endereço do extinto jornal “A Pátria”), em homenagem a João do Rio, jornalista, cronista, contista e teatrólogo que completa seu centenário de morte este ano; e no Parque do Flamengo (em frente à Rua Dois de Dezembro), em referência a Lota de Macedo Soares, onde haverá a cerimônia de lançamento nesta segunda.

Além do lançamento do Circuito, o Dia do Orgulho LGBTI+ será celebrado em um seminário promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, em parceria com a Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual. O debate “Stonewall carioca: avanços, resistências e história da cidadania LGBTI+ no Brasil a partir do Rio de Janeiro” será transmitido pelo YouTube da OAB/RJ, a partir das 10 horas, e discutirá o reconhecimento dos direitos civis dos cidadãos LGBTI+ brasileiros nas últimas duas décadas, a partir do pioneirismo carioca na criação de legislações de combate à discriminação e na luta por direitos constitucionais da população LGBTI+.

Entre os participantes confirmados estão Raquel Castro, presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB; Rodrigo Pacheco, Defensor Geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, e Henrique Rabello, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de gênero da OAB-RJ.

A agenda do dia do Orgulho LGBTI+ se encerra com uma sessão solene promovida pela Câmara dos Vereadores,  com transmissão ao vivo pela TV Câmara, a partir das 16h. Na cerimônia, serão homenageados ativistas do movimento LGBTI+ carioca.

Comemorado há mais de 50 anos, o Dia do Orgulho LGBTI+ marca um dos episódios mais marcantes na luta dessa população por seus direitos: a Rebelião de Stonewall Inn, em Nova York, em 1969. O estopim da revolta foi uma série de invasões a bares frequentados por pessoas LGBTI+. A data foi conquistada por meio de muita luta e insistência de personagens como as ativistas transexuais Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera.

Saiba mais sobre os homenageados no Circuito da Diversidade.

 

Cabaré Casanova – Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

 

Cabaret Casanova

Aberto em 1937 com o nome Viena Budapeste, o espaço renomeado Cabaret Casanova era considerado um dos espaços mais antigos da Lapa. Acredita-se que lá Noel Rosa teria composto a música “A Dama do Cabaré”, depois de levar um fora de uma amante.

Situada na Avenida Mem de Sá, a casa foi referência na noite LGBTI+ do Rio — em especial, devido às apresentações de ícones da arte drag brasileira, como Laura de Vison e Meime dos Brilhos. Foi no Casanova que se formou o grupo Dzi Croquettes e que o lendário Madame Satã fez suas últimas incursões pela Lapa boêmia. O espaço também recebeu artistas como Carlos Machado e Alcione até fechar as portas, nos anos 2000.

 

João do Rio

Em 2021 é comemorado o centenário da morte do jornalista, cronista, contista e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Um dos grandes nomes da imprensa brasileira, João popularizou entre nós novidades como entrevista e reportagem in loco, possibilitando que os jornalistas saíssem das redações e fossem para a rua. Fundou o jornal A Pátria, que funcionou no Largo da Carioca, no Centro do Rio.

É considerado o maior cronista da cidade, tendo percorrido das favelas aos salões da sociedade, e assinado contos e peças de teatro de sucesso. Foi membro da ABL e diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). Apesar de seus inúmeros desafetos, que o atacavam por sua afrodescendência e homossexualidade, alcançou tamanho prestígio junto à sociedade da época que cerca de cem mil pessoas estiveram presentes em seu enterro, no cemitério São João Batista.

Dito “o pai da crônica”, este gênero tão afeito à nossa proverbial preguiça e talento para o papo furado, João do Rio era gay, dândi, sofisticado, ao mesmo tempo descendente de negros recém-libertos e de brancos oligarcas, políticos influentes. A obra desse cronista da vida carioca antecipa muitas características do modernismo. Pode-se relacioná-la à produção em prosa de Oswald de Andrade e ao jornalismo de nossos dias.

 

Lota de Macedo Soares

Filha de brasileiros, a arquiteta-paisagista e urbanista autodidata Lota de Macedo Soares (1910-1967) nasceu em Paris, na França. Na década de 1960, a convite do então governador Carlos Lacerda, foi uma das idealizadoras do projeto do Parque do Flamengo, o maior aterro urbano do mundo.

Em 2013, teve parte de sua vida ilustrada no cinema, com o filme “Flores Raras” (de Bruno Barreto), que narra seu relacionamento com a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. Nas telas, Lota foi interpretada pela atriz Glória Pires. A escritora e a arquiteta foram casadas de 1951 até 1965 e moravam na casa Samambaia, em Petrópolis. O filme também ilustra o triângulo amoroso protagonizado pelas duas com Mary Stearns Mors, ex-companheira de Lota.

 

Por que 28 de junho é o Dia do Orgulho LGBTI+?

Na madrugada de 28 de junho de 1969, um grupo de policiais disfarçados invadiu o bar Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich, em Nova York, e prendeu frequentadores do local, alegando “conduta imoral”. Enquanto os agentes aguardavam as viaturas que transportariam os detidos, uma multidão de simpatizantes se reuniu do lado de fora do estabelecimento, impedindo a saída dos policiais.

A abordagem violenta da polícia local resultou num confronto direto com os manifestantes. Naquela noite, a Força de Polícia Tática de Nova York precisou ser acionada para amenizar a confusão. No entanto, os protestos continuaram no dia seguinte, e se espalharam por outros pontos da cidade. Mais tarde, eles dariam origem às primeiras paradas do Orgulho LGBTI+.

Embora a luta contra a discriminação pela orientação sexual e a identidade de gênero remonte ao século XIX, o dia 28 de junho foi adotado como Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, em referência a Stonewall.

  • 28 de junho de 2021