Guarda Municipal participa de campanha pela criminalização do uso do cerol e da linha chilena

Publicado em 14/12/2019 - 16:43 | Atualizado
Pipas pretas são usadas em protesto contra o uso de cerolPipas pretas são usadas em protesto contra o uso de cerol. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio

A Guarda Municipal do Rio participou na manhã deste sábado, dia 14, da segunda edição da campanha Cerol Mata, que reuniu cerca de 250 motociclistas pelas ruas da cidade e em ato simbólico na Praia de Copacabana, com a instalação de mil pipas pretas, na altura do Posto 5, em memória das vítimas das linhas cortantes. Os organizadores da campanha pedem a criminalização do uso do cerol e da linha chilena nas pipas. Desta vez, a mobilização ocorreu simultaneamente em outras capitais, como Salvador, Curitiba, Brasília e Maceió, além de cidades do interior de São Paulo e do grande ABC paulista.

No município do Rio é proibido o uso e a comercialização de linhas chilena (composta de quartzo e óxido de alumínio), de cerol (mistura de pó de vidro com cola de madeira) e de outros materiais cortantes em pipas, papagaios, pandorgas e semelhantes.

– A Guarda Municipal atua em diversos projetos socioeducativos e esse tema já entrou para o roteiro de atividades da Ronda Escolar. Essa campanha chegou para mobilizar as famílias e toda a população sobre o perigo que essas linhas cortantes podem ocasionar, como sequelas e até casos de morte. O guarda municipal flagrando o uso pode orientar, retirar e apreender o produto. O nosso Grupamento Especial de Praia Já fez diversas apreensões desse tipo. Os pais devem se atentar sobre o perigo e vamos soltar pipa com a linha pura – afirmou a comandante da Guarda Municipal, inspetora geral Tatiana Mendes.

Idealizada por Leo Ferreira em 2014, a campanha busca soluções para acabar com o uso e a venda dos produtos na cidade e já conseguiu influenciar na aprovação de duas leis estaduais (nº 7.784 de 13/11/2017 e nº 8.478, de 19/07/2019) e uma municipal (nº 1.834 de 18/04/2016), que instituiu 14 de dezembro como dia da campanha Cerol Mata. A lei nº 8.478 prevê multa de R$ 342,11 pela compra, uso, porte ou posse dos materiais. A legislação anterior punia apenas o comerciante e o fabricante do cerol.

– A campanha Cerol Mata completou cinco anos e o dia 14 de dezembro entrou para o calendário municipal aqui no Rio, mas essa mobilização está acontecendo também em outros estados. Nós já conseguimos aprovar leis municipais e estaduais, mas hoje queremos que o projeto de lei sobre a criminalização do uso do cerol e da linha chilena, que tramita no senado, entre em votação e seja aprovado – explica Leo Ferreira, idealizador da campanha.

Com o apoio de agentes dos Grupamentos Especiais de Trânsito (GET), o evento contou ainda com a apresentação especial da Banda da Guarda Municipal, além dos mascotes Linda, Justo, Bela e Gentil da equipe lúdica da Ronda Escolar. Cerca de 500 folhetos informativos sobre a proibição do uso de cerol e da linha chilena foram distribuídos na orla de Copacabana.

– A conscientização é importante para chamar a atenção da população para o que tem ocorrido, porque o cerol tem mutilado, ceifado vidas de crianças, idosos, pássaros, motociclistas e ciclistas. Queremos que a sociedade entre nessa luta conosco para dar um basta no cerol e na linha chilena. Não podemos permitir que uma suposta brincadeira de pipas tire a vida e mutile as pessoas – declarou Oleglier de Andrade, um dos coordenadores da campanha.