Esporte ou cultura? Madureira vira centro de treinamento para a cena break antes dos Jogos Olímpicos

Publicado em 21/02/2022 - 13:13 | Atualizado
Um bate-papo sobre o break foi realizado antes da competição - divulgação

Ícone do breaking mundial e detentor dos principais títulos da modalidade, o b-boy americano Ronnie deu os primeiros passos antes da abertura oficial do Breaking do Verão, no Parque Madureira. Ele comandou um workshop antes da abertura do Breaking do Verão, evento que reúne 32 b-boys e b-girls do mundo inteiro em Madureira, com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, via Lei do ISS.

Antes do início da competição, um bate-papo mediado pelo b-boy Max reuniu Zulu Tecnykko (presidente da Federação do Break e membro da Confederação Nacional de Dança Desportiva); a b-girl Sabrina Savaz (da comissão de atletas do ciclo Paris-2024); o b-boy Stal (fundador do Flow021) e Lúcio Pedra (ativista e criador de uma crew de hip hop), além do secretário municipal de Cultura do Rio, Marcus Faustini.

 

– O break é a maior escola de consciência do país – disse Marcus Faustini.

 

A Secretaria Municipal de Cultura anuncia que haverá um chamamento público no início de março para planejar ações de break ao longo do ano, por meio de políticas públicas.

Savaz fortaleceu a importância do break na comunidade, frisando que “muitos trocam a droga pelo hip hop quando têm referência como nós”. Já Lúcio Pedra ressaltou o papel da educação na cultura break, levando-o para dentro das escolas. Max abordou a questão social, dizendo que “a dança começa salvando vidas e depois nos torna agentes da transformação”.

Ronnie é uma lenda na cena break, que viaja o mundo produzindo shows em sua cidade natal, Las Vegas (EUA), administrando um centro de cultura hip hop e, claro, batalhando. Foi campeão mundial do Red Bull BC One 2007 e também arrematou o título da Seven to Smoke, no The Notorious IBE logo em sua primeira viagem internacional para competir, há quase duas décadas.

Integrante do Red Bull All Stars, uma das crews mais tradicionais do mundo, Ronnie ainda fundou a Full Force e também faz parte da Super Cr3w – inclusive, o time venceu a segunda temporada do programa MTV America’s Best Dance Crew, em 2008. Break: esporte ou cultura?

O Brasil poderá enviar até dois b-boys e duas b-girls para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, a edição da estreia do break como modalidade olímpica. Serão 16 atletas de todo o mundo competindo.

A seleção no Brasil está sendo feita por meio de vídeos, e a Confederação Nacional de Dança Desportiva (CNDD) já recebeu interessados de 19 estados. No segundo semestre, inicia-se o planejamento para a montagem de um time carioca de peso para disputar uma vaga na comitiva brasileira.

  • 21 de fevereiro de 2022