Crivella inaugura hospital de campanha da Prefeitura no Riocentro, o maior da cidade e de todo o estado

Publicado em 01/05/2020 - 12:51 | Atualizado em 01/05/2020 - 17:49
Há 164 pacientes internados no Hospital de Campanha da Prefeitura. Foto: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, inaugurou, nesta sexta-feira (01/05), o hospital de campanha da Prefeitura, no Riocentro, para tratar exclusivamente de pacientes com infecção pelo novo coronavírus.

O primeiro módulo da unidade, com 100 leitos (20 deles de UTI e 80 de enfermaria) começa a receber já hoje (01/05) pacientes encaminhados pela Central Unificada de Regulação, a partir das unidades de urgência e emergência.

Os outros 400 leitos serão ativados progressivamente, conforme a chegada, na semana que vem, dos respiradores e demais equipamentos de saúde adquiridos pela Prefeitura na China.

Minuto de silêncio

Logo no início, Crivella pediu um minuto de silêncio em homenagem às pessoas que faleceram vítimas de Covid-19. Em seguida, leu uma extensa lista de agradecimentos àqueles que colaboraram para a inauguração do hospital de campanha, em especial ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao senador Flávio Bolsonaro, que ajudaram a trazer os equipamentos da China. Também agradeceu às empresas que doaram material à Prefeitura e a parlamentares federais e municipais, por destinarem projetos e emendas em favor do combate à doença.

No Dia do Trabalho, Crivella fez uma menção especial aos servidores municipais, com destaque para os profissionais de saúde.

 

– Quero agradecer aos nossos médicos, enfermeiros e técnicos, que decidiram vir trabalhar na rede municipal de saúde, movidos pela bravura e espírito público, para salvar o nosso povo. Eles são heróis – disse o prefeito, acompanhado da primeira-dama, Sylvia Jane Crivella.

 

Crivella convida médicos

O prefeito aproveitou para convidar médicos que queiram trabalhar no hospital de campanha.

– Nós ainda temos vagas para médicos. Os profissionais que puderem fazer 44 horas por semana vão receber salário de R$ 21 mil. Quem quiser fazer um turno só de 12 horas vai ganhar R$ 6 mil. Aqueles que vierem de fora da cidade e até de outros estados poderão se hospedar no Hilton aqui perto. Nós fizemos um convênio com o hotel. Já temos 200 dos 460 médicos para o hospital de campanha e estamos de braços abertos para receber novos profissionais – disse Crivella.

900 leitos de UTI em meados de maio

Respiradores e demais insumos que abastecerão o hospital de campanha e outras unidades municipais no combate à covid-19 já estão embalados e prontos para o embarque na China. Crivella anunciou que dois vôos da transportadora LATAM Cargo vão buscar equipamentos a partir de segunda-feira (04/05) e que as 160 toneladas de insumos devem chegar ao município nos dias 7 e 9 de maio. Entre os equipamentos hospitalares que vão chegar estão 300 respiradores, de um total de 726 comprados na China.

– Essa é a boa notícia que temos que celebrar. Esses equipamentos chegando e até meados de maio teremos funcionando na cidade do Rio em torno de 900 leitos de UTI. Vai ser um alívio imenso não só para nossa cidade, mas também para a Baixada Fluminense e arredores – afirmou Crivella.

Multas a empresas que permitirem clientes sem máscaras

O prefeito informou que ainda nesta sexta-feira (01/05) fará uma reunião com representantes da comunidade médico-científico. Uma das propostas em estudo é multar empresas cujos funcionários estejam sem máscaras ou atendendo pessoas também sem o item de proteção.

– Não temos motivos para relaxar as nossas medidas. A cada dia estou vendo que a população está aderindo mais às medidas. Mas estamos estudando uma maneira de punir o estabelecimento que vende produtos para as pessoas sem máscaras. Eu acho que a medida mais educativa para uma pessoa que está sem máscara durante essa crise é ela ir na padaria e o padeiro dizer: “Olha, volta em casa, bota máscara,  se não você não vai levar o pão”.

Quantos leitos foram abertos?

A Prefeitura abriu 473 novos leitos exclusivos para tratamento de pacientes suspeitos ou confirmados da covid-19 em toda a cidade, desde o início da pandemia até quarta-feira (29/04). Desse total, 151 são UTIs. Há ainda leitos para o tratamento da doença em áreas isoladas de outras unidades de saúde da rede.

RioSaúde será gestora da unidade

A gestão do hospital de campanha é da empresa pública RioSaúde e a diretora geral será a cardiologista Valesca Antunes Marques. A equipe da unidade é formada por profissionais já capacitados no tratamento da covid-19 no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla – primeira unidade de referência do município para a doença – e por profissionais contratados no processo seletivo Emergencial-Coronavírus, realizado em abril. O processo continua aberto para a contratação de mais médicos, necessários para a abertura dos demais leitos do hospital de campanha e também de outras unidades de referência localizadas no município. As inscrições podem ser feitas pelo link: http://prefeitura.rio/rio-saude/processo-seletivo/

– Temos aqui no hospital um centro de imagem com tomógrafo de 128 canais, centro cirúrgico com três salas operatórias e quatro leitos de recuperação pós-anestésica. Temos estrutura completa de laboratório, recursos para hemotransfusão, os leitos de UTI são preparados para hemodiálise. É um hospital estruturado e preparado para receber todos os pacientes de covid-19 – disse a secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch.

Quando estiver em pleno funcionamento, com seus 500 leitos ativos, o hospital de campanha terá mais de 2 mil profissionais atuando, sendo 463 médicos, entre intensivistas, infectologistas e clínicos gerais. As equipes assistenciais serão formadas também por enfermeiros (382) e técnicos de enfermagem (864), fisioterapeutas (100), fonoaudiólogos (13), nutricionistas (12), assistentes sociais (4), entre outros. Profissionais de radiologia atuarão no Centro de Imagens da unidade, que conta inclusive com um tomógrafo de 128 canais, com imagem de alta definição, para ampliar a precisão do diagnóstico da covid-19.

Com 100 leitos de UTI (20% do total de leitos), 15 deles com recursos para hemodiálise, o hospital de campanha contará com todos os equipamentos necessários aos cuidados intensivos dos pacientes mais graves de covid-19, como ventiladores mecânicos (respiradores), monitores multiparamétricos, bombas infusoras de medicamentos, cardioversor, carrinhos de anestesia, entre outros.

Hospital de campanha será o maior do estado

Com 16,5 mil metros quadrados de pavilhão e 13 mil metros quadrados de área construída, o hospital de campanha da Prefeitura será o maior do estado e, como tal, terá também números superlativos. Somente de jogos de roupa de cama para os leitos, serão dois mil kits. Para uso dos profissionais, 2,7 mil pijamas cirúrgicos e 500 mil capotes descartáveis, quantidade estimada para uso por um período de seis meses de atividade, tempo que se calcula necessário para o enfrentamento da pandemia no Brasil.

Visitas virtuais

Para humanizar e diminuir a separação entre familiares e pessoas internadas com Covid-19, a Prefeitura do Rio vai usar a tecnologia no hospital de campanha. Por meio de tablets, o hospital de campanha do Riocentro encurtará essa distância, provocada pelo isolamento, com videochamadas. A visita virtual será mais uma aliada no tratamento desses pacientes com o novo coronavírus.

Cada paciente poderá interagir com parente e amigos por até 10 minutos. Os internados em UTI poderão utilizar também o sistema, mas dependerá de autorização médica, que vai avaliar caso a caso.

O secretário de Infraestrutura, Habitação e Conservação (SMIHC), Sebastião Bruno, responsável pelas obras, ressaltou que toda a rede de informática do hospital de campanha está 100% instalada. Noventa câmeras estão espalhadas estrategicamente, com rede de wi-fi e banda larga, para monitorar os leitos. Os equipamentos possibilitarão que médicos e enfermeiros, de onde estiverem, acompanhem os pacientes, até por meio de smartphones. Os profissionais poderão ainda fazer videoconferências entre eles, por exemplo.

Plantas deixam ambiente mais leve

Para deixar o ambiente do hospital mais agradável, a Fundação Parques e Jardins iniciou na quarta-feira um projeto de humanização do hospital de campanha, que ganhou vasos de plantas nas entradas. As espécies escolhidas foram as Café-de-Salão, Palmeiras e Raphis, plantas que gostam de sombra e vivem vem bem em ambientes internos. Os vasos ficarão apenas nas entradas, respeitando as normas de assepsia do interior do hospital que vai receber os pacientes com a Covid-19.

Doações de empresas

A Prefeitura investiu R$ 10 milhões na implantação do hospital de campanha, que custará por mês R$ 25 milhões, entre custeio e folha de pagamento dos profissionais. O custo de implantação foi reduzido graças a importantes doações recebidas de empresas. A Belo Monte e Xingu Transmissão de Energia doou 264 camas hospitalares; a M3 Manutenção, 2 mil lençóis e 500 fronhas; a Nexus do Brasil, 18 km de cabo de TI; a Direcional Engenharia, nobreaks para as UTIs; a Caixa Econômica Federal, 100 mesas e cadeiras de apoio; o projeto SOS 3D Covid-19, 2.500 máscaras do tipo face Shields, para proteção dos profissionais que cuidarão dos pacientes.

 

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