Carnaval: ‘Meu coração não bate, ele samba’, diz servidora da GM que coordena ala da Imperatriz

Publicado em 21/04/2022 - 07:08 | Atualizado em 21/04/2022 - 09:27
A servidora da Guarda Municipal diz que a escola de samba é como se fosse uma segunda família - Fabio Motta/Prefeitura do Rio

No trabalho, ela tem que ser criteriosa e rígida ao julgar desvios de conduta de companheiros de corporação. Nas horas vagas, assume um papel em que o rigor é o mesmo, ao coordenar os componentes de uma ala da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Na época do carnaval, assim é a rotina de Renata Nery, presidente da Comissão Permanente de Sindicância da Corregedoria da Guarda Municipal. A funcionária da GM-Rio fecha a série de reportagens que aborda a relação entre servidores públicos e a maior festa popular do país.

 – Minha paixão pelo carnaval é antiga, desde que eu era criança  gostava de assistir aos desfiles das escolas de samba na televisão. Costumo dizer que meu coração não bate, ele samba!

Em 1996, a servidora estreou no Sambódromo ao desfilar na Mangueira. A partir dali, nunca mais deixou de frequentar as pistas da Sapucaí, representando agremiações como Caprichosos de Pilares, Portela, Unidos da Tijuca, Salgueiro e, lógico, a Imperatriz Leopoldinense.

– É uma paixão muito grande, o carnaval é a festa que eu mais amo nesta vida. Quando chegam os dias de folia, podem me convidar para uma viagem a Paris que eu não deixo o Rio de Janeiro de jeito nenhum.

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Renata passou no concurso da Guarda Municipal há 10 anos. Começou a trabalhar na rua, na Unidade de Ordem Pública (UOP) Copacabana. Depois, desempenhou uma função, internamente, na seção de controle de infrações de trânsito e, em seguida, foi transferida para o Batalhão de Guardas (BG), em São Cristóvão, para fazer análise de processos de sindicâncias. Em 2015, ficou em segundo lugar em um curso interno e foi para a Corregedoria da corporação, onde passou a apurar possíveis transgressões cometidas pelos guardas municipais, como uso excessivo de força nas operações, prevaricação e abuso de poder.

 

Renata é presidente da Comissão de Sindicância da Corregedoria da GM – Fabio Motta/Prefeitura do Rio

 

Para a servidora da Guarda Municipal, a escola de samba é como se fosse uma segunda família. Ela diz que o som da bateria e a animação dos componentes são contagiantes. Por isso, não pensa duas vezes em seguir para a quadra da Imperatriz, em Ramos, mesmo depois de um dia cansativo de trabalho.

– Os ensaios, às sextas-feiras, passam uma energia que só quem está presente pode descrever. A comunidade se envolve de um jeito, a gente vê no rosto de cada componente uma disposição enorme para manter a escola no Grupo Especial –  diz Renata, lembrando que a Imperatriz estava no Grupo de Acesso e subiu para o principal no carnaval de 2020, o último antes do início da pandemia de Covid-19.

– Esses dois anos de pandemia foram muito tristes, a questão de ficar isolado, não poder aglomerar. Quando alguém iria imaginar que não haveria carnaval? Ainda bem que, aos poucos, tudo está voltando ao normal e que agora a gente vai poder festejar, mesmo fora de época – comemora Renata, que este ano vai desfilar em mais três escolas do Grupo Especial: São Clemente, Portela e Unidos da Tijuca.

A Imperatriz Leopoldinense terá o desafio de abrir o primeiro dia de desfiles no Sambódromo, nesta sexta-feira (22/4). O enredo “Meninos, eu vi… onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine” é uma homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, que deu à escola de Ramos o primeiro título no carnaval carioca.   

 

Renata vai desfilar em outras 3 escolas do Grupo Especial – Arquivo pessoal

 

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