Seminário Desculpe Incomodar dá visibilidade às pessoas em situação de rua

Publicado em 08/05/2019 - 18:22 | Atualizado em 09/05/2019 - 09:54

O evento discutiu a importância da arte e de políticas públicas para pessoas em situação de rua.

A Biblioteca Parque no Centro da Cidade do Rio de Janeiro se transformou em um palco de arte e solidariedade. O Primeiro Seminário de Arte Para População em Situação de Rua “Desculpe Incomodar” recebeu cerca de 980 pessoas, que passaram pelas instalações da biblioteca durante todo o dia.

O encontro foi realizado pelo Programa Circulando, que oferece arte e cultura para os acolhidos dos equipamentos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH).

O secretário João Mendes de Jesus enfatizou que eventos como o “Desculpe incomodar” tem o propósito de chamar a atenção da sociedade quanto à complexidade e à gravidade das realidades que se apresentam na cidade quando as pessoas estão à mercê do abandono e da violência das ruas e se tornam indesejadas e sem oportunidade de se integrar.

“Cuidar das pessoas em situação de rua e tratá-las com respeito e dignidade é ato de solidariedade e amor. Parabenizo os servidores da SMASDH por se mobilizarem em prol da melhoria das condições de vida de quem está na rua e, mais do que isto, lutarem todos os dias para que esses cidadãos sejam integrados à sociedade. O Circulando e todos os profissionais da SMASDH estão de parabéns!” — afirma João Mendes de Jesus.

O coral “Uma Só Voz”, formado por pessoas em situação de rua, foi quem abriu o evento. Canções como Pense N’eu de Dominguinhos, Xote das Meninas e a Vida do Viajante de Luiz Gonzaga, emocionaram a todos os presentes.

O fundador do Coral, o músico Rico Branco, falou sobre a participação no evento. “Foi extraordinário! Realmente, o seminário atendeu aquilo que se propôs, pois falou da importância da arte como ferramenta de transformação social. Além disso, mostrou que é possível tirar a pessoa do isolamento. Foi incrível! A arte se apresentou em excelência” — comemora Rico.

Debates para discutir a questão da invisibilidade das pessoas em situação de rua e o direito à sua cidadania, uma vez que são constantemente subjugadas e apontadas como um incômodo nos trajetos de transeuntes da cidade levaram esclarecimento e informações, além de novos rumos para a plateia.

A diretora do Centro de Referência de Assistência Social, da Ilha do Governador, Rosângela Soares, participou do debate e falou sobre a importância do “Programa Circulando”.

“Em nossos equipamentos, os dias vão passando e a rotina vai tomando conta, mas os acolhidos não chegam vazios, eles vêm de algum lugar, de alguma história. A arte é inclusiva e não precisamos que as pessoas fiquem isoladas nos muros. A arte emancipa, constrói e isso o Circulando faz muito bem. A arte fortalece o ser humano e faz com que ele seja mais participativo e que os nossos acolhidos não caminhem sem rumo” — afirma Rosângela.

Fundação Leão XIII apoia o encontro

Lembrar que existem pessoas em situação de vulnerabilidade e dar espaço para elas foi o foco principal do encontro. O presidente da Fundação Leão XIII, Allan Borges, esteve presente e falou sobre o acesso às oportunidades que podem ser discutidas de inúmeras formas.

“Elas se materializam a partir da agenda da política pública e do acesso das pessoas individualmente ou representadas através de instituições e ONGs. A nossa política social é boa; ela apresenta perspectivas. Mas, ela precisa financiar trajetórias de vida. Isso não significa apenas ter o equipamento público, mas significa financiar estrutura de trabalho, além de financiar profissionais para exercer a política de existência. Precisamos realizar uma trajetória possível e desejável do usuário que está na nossa frente” — explica Alan Borges.

Oficina de artesanato, desenho e colagem também compuseram o encontro. Os apoiadores do Conexão Humana, Rio Sem Fome e Sem Frio, bem como o Gastromotiva contribuíram com a organização, ao levarem aos presentes dinâmica de grupo e alimentação.

A SMASDH continuará se pautando para atender as pessoas em situação de vulnerabilidade, a tratar de questões tão complexas de forma humanizada e a efetivar ações que propiciem a autoestima e a integração daqueles que necessitam de igualdade de oportunidades e amor ao próximo.

  • 8 de maio de 2019