Primeira visita a museu faz jovens em situação de vulnerabilidade sonharem com futuro diferente

Publicado em 21/10/2021 - 12:18 | Atualizado
O adolescente brincou colando a cabeça dentro da boca de uma reprodução do Espinossauro - Fernando Maia/Prefeitura do Rio

Até a semana passada, ele nunca tinha ouvido falar dessa profissão. Agora, enche a boca para afirmar: “Vou ser paleontólogo!” Era visível o encantamento do garoto de 16 anos no Museu de Ciências da Terra, na Urca, onde um grupo de adolescentes abrigados na rede da Secretaria Municipal de Assistência Social conheceu um dos mais ricos acervos de geologia e de paleontologia da América Latina.

Nos próximos meses, essas visitas se estenderão também para crianças, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade, informou a secretária municipal de Assistência Social, Laura Carneiro. O Museu de Ciências da Terra integra agora a política de difusão da cultura e da ciência entre os assistidos pela Prefeitura do Rio.

Diante do Purussaurus – habitante da Amazônia há oito milhões de anos e considerado o maior dinossauro que já existiu – o futuro estudante da evolução das espécies espantou-se, convidando os colegas de abrigo para juntar-se a ele.

 

– Olha! Ele ganha do Tiranossauro Rex! – exclamou, referindo-se ao protagonista gigantesco de “Jurassic Park”, do cineasta Steven Spielberg. Os dois monstros não viveram no mesmo período. O Tiranossauro foi extinto há cerca de 60 milhões de anos. Mas os adolescentes ficaram animados com a ideia de um confronto entre os dois: uma ilustração mostrava o Purussaurus dando uma coça no adversário.

 

– Sei que vou ter que enfiar a cara nos livros pra conseguir – comentou depois o garoto sobre a sua esperança de chegar à faculdade.

 

Sonhos de futuro povoavam a imaginação dos visitantes: alguns liam as histórias de pesquisadores de campo, outros examinavam atentamente a grande variedade de rochas, faziam perguntas e até teve quem ousou pôr a cabeça dentro da boca de um carnívoro Espinossauro. Dos 13 aos 17 anos, eles nunca tinham ido a um museu.

 

– Um meteorito de verdade – admirou-se outro adolescente, de 14 anos, tocando no artefato espacial. Seus colegas também quiseram experimentar.

 

O paleontólogo e coordenador do núcleo de educação do Museu, Rodrigo Machado, despertou tudo isso há dez dias, quando levou uma parte do acervo até a Casa Viva Del Castilho, onde a garotada é assistida. Eles pediram para ver tudo e a visita foi incluída na rota da Secretaria que, há dois meses, iniciou parceria do gênero com a Fundação Planetário.

 

– Temos o programa Museu em Movimento, que vai aos locais onde as pessoas vivem. Pensamos nas condições que as pessoas têm para chegar ao museu por questões econômicas, por falta de transporte, por não se sentirem pertencentes a um espaço cultural. Então, trabalhamos com inclusão e acessibilidade para minimizar a questão social – explicou ele.

 

De acordo com a secretária Laura Carneiro, a Assistência Social está ampliando esse projeto de cultura e ciência. Já foram programadas visitas ao Bio Parque do Rio e ao Bosque da Barra, e outras parcerias semelhantes estão em fase de conversação.

 

Confira outras imagens da visita pelas lentes do fotógrafo Fernando Maia/Prefeitura do Rio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • 21 de outubro de 2021