Prefeitura entrega certificados de participação a voluntários em evento dedicado a pessoas em situação de rua

Publicado em 19/11/2019 - 20:04 | Atualizado em 21/11/2019 - 11:45
Participantes do festival encenam peça na solenidade de entrega dos diplomas. Foto: Prefeitura do Rio/Mariana RamosParticipantes do festival encenam peça na solenidade de entrega dos diplomas. Foto Prefeitura do Rio/Mariana Ramos

O prefeito Marcelo Crivella entregou nesta terça-feira, 19 de novembro, no Palácio da Cidade, certificados de participação social a 118 parceiros voluntários da Prefeitura na primeira edição do Festival Desculpe Incomodar – Arte para Pessoas em Situação de Rua.  O festival, promovido em outubro pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, reuniu cerca de 5 mil pessoas em 53 atividades, com objetivo de promover o acesso à cultura e a emancipação por meio da arte.

Durante dois dias, 4 e 5 de outubro, pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social vivenciaram diversas linguagens artísticas por meio de oficinas, palestras, rodas de conversa, feira de artesanato e demais práticas artísticas em pontos espalhados pela cidade.

– Nós já tivemos Copa do Mundo e Olimpíadas, grandes eventos, mas talvez esse tenha, de maneira notória e inesquecível, dado uma dimensão humana. Ele engrandeceu, enobreceu e dignificou a cidade do Rio de Janeiro. Um festival como esse nos faz lembrar os valores principais da vida. Emociona a todos quando a gente vê essa população valorizada, desfilando, pintando, contracenando. Eu fico feliz como prefeito – afirmou Crivella durante a solenidade.

Na abertura do festival, na Sala Cecília Meireles, o prefeito definiu a iniciativa como uma ferramenta para a construção de uma cidade mais justa e humana.

Entre os que receberam os certificados estão representantes de equipamentos culturais, entidades públicas e privadas ligadas à temática. São eles: Casa Museu Eva Klabin, Centro Cultural Museu da Justiça, Eduardo Araúju, Fundação Leão XIII, Pra Contar…Fotografia e Arte,  Luna Magalhães, Museu do Açude, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Amanhã, Oi Futuro, People’s Palace Projects, Sala Cecília Meireles, Sesc Rio, Senai CETIQT, Spectaculu, UniCirco Marcos Frota e Refettorio Gastromotiva.

Antes da entrega dos certificados, participantes do festival encenaram a peça “Um coração nordestino”, entre eles Mônica Rocha de Camargo, de 56 anos, que vive no abrigo da Prefeitura na Ilha do Governador:

-Esse abrigo foi importantíssimo para mim. Estou há seis meses lá, não tinha para onde ir – conta Mônica, que participou de peças teatrais no festival, uma experiência que lhe abriu novos horizontes. – Essa população merece atenção e cidadania. O festival criou elos fortíssimos, mostrando que sempre é preciso ter vontade de recomeçar. Nossa peça mostra isso, é preciso se recriar da seca, da solidão, há sempre um recomeço.

Para os voluntários que ajudaram na realização do festival, a solidariedade demonstrada pela população de rua foi uma lição de vida, conta Ivani da Silva e Souza, integrante da Casa da Mulher Carioca Dinah Coutinho, em Realengo. Ela participou do grupo responsável pela maquiagem dos atores do festival.

– Foi uma experiência maravilhosa. Todos eles se mostram preocupados um com os outros. São muito solidários e gratos – disse Ivani.

O festival também mudou a vida de Patrick Ferreira da Silva, de 30 anos, que estava em situação de rua quando participou da oficina de fotografia. Com uma câmera em mãos pela primeira vez na vida, ele contou que passou a buscar outros significados nas imagens que a rua tem a oferecer.

– Comecei a prestar atenção em tudo: luzes, sombra, algo que achei bonito. É muito interessante, vou levar isso para a minha vida e na alma – afirmou o ex-catador de materiais recicláveis.

Depois da atividade, a fotografia passou a ser a profissão dos sonhos da vida de Patrick. Desde novembro, foi contratado pela Prefeitura e passou a integrar a equipe do projeto Circulando, que apresenta atrativos culturais, turísticos e esportivos aos usuários da rede de proteção social do município.