Inclui Rio: Adolescentes de abrigo da Prefeitura lançam mostra de cinema

Publicado em 30/03/2022 - 22:59 | Atualizado
Primeira Mostra de Cinema Inclui Rio - Fernando Maia / Prefeitura do Rio

A Secretaria Municipal de Assistência Social lançou nesta quarta-feira (30/03) a 1ª Mostra de Cinema Inclui Rio, no Museu do Amanhã, em parceria com o cineasta Pedro Dannemann, a ABC Cursos de Cinema e a RioFilme. Este ano, estão em cartaz oito curtas-metragens produzidos por seis adolescentes da Unidade de Reinserção Social (URS) Paulo Freire, em Campo Grande. A mostra passa a fazer parte do calendário cultural anual da cidade, e poderá ser conferida no canal Inclui Rio, no Youtube (https://linktr.ee/mostraincluirio), durante três meses.

Na plateia, outros 94 adolescentes que atualmente vivem em unidades de reinserção social da Prefeitura comemoravam a cada curta que começava a ser exibido. A secretária municipal de Assistência Social, Laura Carneiro, afirmou:

 

– O Inclui Rio significa que, juntos, vamos transformando a vida da cidade que a gente ama e as vidas daqueles que, em algum momento, precisam de nosso apoio.

 

Os autores dos curtas passaram por oficinas de cinema, criando ficção com retalhos de histórias reais que vivenciaram. São eles Gabriel da Silva Peixoto, de 13 anos; Glauco Alexandre, de 17; Mateus Gabriel da Silva Gravitol Inácio, de 16; Emmanuel Fernandes, de 17; Emmanoel Gonçalves Gomes, de 16; e  Victor Gabriel da Silva de Souza, de 15.

Os curtas “Faísca”, “Déjà Vu”, “Volta às Aulas”, “Adoção ou Não”, “Adoção ou Não 2”, “Desconectados” e “Dia de Sol” são estrelados pelos próprios adolescentes e por funcionários do abrigo, incluindo a diretora, Danielle Torres, que interpreta uma mãe adotiva. Dannemann faz uma ponta como apresentador de telejornal e editou o material junto com eles.

A Paulo Freire acolhe adolescentes dos 12 aos 17 anos e 11 meses. Quatro continuam acolhidos; um saiu por ser maior de idade, mas continua em acompanhamento nas oficinas de cinema, e outro saiu por reinserção familiar. Quem chegar ao abrigo poderá se integrar ao projeto. O objetivo é que aperfeiçoem cada vez mais sua carreira profissional na indústria cinematográfica.

Sonhar é resistir

Na exibição, os meninos gritaram na plateia, empolgados ao sabor das tramas, mas ficaram envergonhados ao se apresentarem no palco:

 

– A gente gravou por gravar, mas acabou que o bagulho fluiu, e agora é só sucesso – contou Emmanuel Fernandes, que fez “Faísca”.

 

– Comecei a ver que tudo que sonhei está dando certo. Se você tem um sonho, não desista”, completou Emmanoel Gomes.

 

– Essa mostra significa trocar o D, de desistir, pelo R, de resistir. A URS Paulo Freire é resistência – resumiu a diretora do abrigo.

 

Para o cineasta Pedro Dannemann, a sociedade perde ao não conhecer a capacidade desses adolescentes, e a Mostra Inclui Rio vem resgatar essa lacuna.

 

– Hoje, estamos mostrando cinema, mas podia ser robótica, dança ou música – disse o cineasta, na cerimônia de lançamento, arrancando gritos dos meninos e meninas da plateia.

 

“Música!”, pediram os jovens.

 

Parceria ampliada

Na cerimônia, a secretária Laura Carneiro e o coordenador da ABC Cursos de Cinema, Cezar Moraes, assinaram termo de cooperação para oferta de formação inicial em recursos audiovisuais e iniciação em cinema e TV para todos os adolescentes dos serviços de acolhimento e de proteção social da cidade.

 

– É uma grande alegria firmar essa parceria, que permite aproximar os jovens do audio-visual, uma indústria com penetração incrível na sociedade e com espaço para o desenvolvimento de talentos – afirmou Cezar.

 

– É uma alegria ver esses jovens voltarem a sonhar, e vamos apoiar toda iniciativa nesse sentido – afirmou a subsecretária de Proteção Social Especial, Sheila Oliveira.

 

A subsecretária de Cultura, Ericka Gavinho, parceira do projeto, disse estar feliz em ver a plateia repleta de adolescentes acolhidos pela Prefeitura:

 

– A gente acredita que cultura é inclusiva, e o audiovisual principalmente.

 

– Que essa parceria frutifique e nossos adolescentes possam cada vez mais circular com uma câmera na mão e muitos sonhos na cabeça –  afirmou o juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, titular da 4ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio, que autorizou a exposição dos nomes e das imagens dos meninos pelo projeto.

– É fundamental desenvolvermos outros olhares sobre nossas crianças e adolescentes, como a inclusão pela cultura. Afinal, só a arte salva – completou a procuradora de Justiça Maria Amélia Barreto Peixoto.

A titular da 7ª Promotoria da Infância e Juventude, em Campo Grande, Karina Fleury, ressaltou o trabalho em rede da URS Paulo Freire, que ela acompanha há tempos:

-É um trabalho muito bem feito, vejo o esforço de criar projetos para tornar bonito o tempo que o adolescente permanece ali.

  • 30 de março de 2022