Festival Desculpe Incomodar promove eventos na cidade para pessoas em situação de rua

Publicado em 04/10/2019 - 16:10 | Atualizado em 04/10/2019 - 17:41
Grupo participa de peça do Festival Desculpe IncomodarGrupo participa de peça do Festival Desculpe Incomodar. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, participou nesta sexta-feira, dia 4 de outubro, da abertura do Festival Desculpe Incomodar  – Arte para Pessoas em Situação de Rua. O evento, idealizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, vai promover, durante dois dias, oficinas, palestras, rodas de conversa e feira de artesanato em pelo menos 50 pontos espalhados pela cidade.

–  Espero que este festival contagie a cidade, para que, através da arte, a cidade seja mais justa, mais fraterna  e mais humana a cada dia. Esse é o legado mais importante que podemos deixar – afirmou Crivella, na solenidade ocorrida na Sala Cecília Meireles, no Centro do Rio. O espaço, de 600 lugares, ficou lotado.

Jovem se prepara para peça do Festival Desculpe Incomodar
Jovem se prepara para peça do Festival Desculpe Incomodar. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio

A expectativa é que cerca de cinco mil pessoas participem das mais de 40 atividades, que ocorrem em equipamentos culturais, espaços públicos e abrigos da rede municipal de assistência. Uma das atrações será o concurso de Miss e Mister Rua, em que 19 homens e mulheres vão disputar os títulos  em um desfile aberto ao público,  no Museu do Amanhã.

Na abertura oficial do festival, 10 pessoas acolhidas em abrigos da Prefeitura e oito artistas de rua, que atuaram como atores e bailarinos da peça Desculpa Incomodar, arrancaram aplausos da plateia, na Sala Cecília Meireles. Foram 50 minutos de estrelato.

Mônica Faustina é maquiada antes de entrar no palco
Mônica Faustina é maquiada antes de entrar no palco. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio

– Estou muito feliz, me sentindo uma atriz famosa. Passamos muitos perrengues ao relento antes de irmos para o abrigo. Merecemos este momento mágico – resumiu Mônica Faustina, 30 anos, que mora num dos abrigos municipais, junto com Isabel de Castro, 36.

– Estou tensa. Doida pra chegar a hora de pisar no palco pela primeira vez – admitiu Isabel.

Wallace de Sousa, 34 anos, disse estar empolgado com a descoberta de seu talento para o teatro.

– Na peça, faço um passageiro, que para e declama um poema de amor e paz para um pai que discute feio com o filho. Não tenho profissão. Tentei ser barbeiro, mas acho que vou acabar mesmo é sendo artista. A direção (do espetáculo) acha que levo jeito – comentou, abrindo um largo sorriso. Ele disse que sonha em atuar posteriormente com os três filhos, de 3 a 16 anos, que moram com parentes.

Para Bárbara Lima, diretora da peça, a iniciativa da Prefeitura prova que a arte é, acima de tudo, transformadora.

– Já nos ensaios percebemos como a arte exclui diferenças e, ao mesmo tempo, é um elo de união, de superação – exaltou Bárbara, que conta com o apoio do músico Mateus Ceccato; da mãe dele, a pianista, Suzette Ceccato, e da bailarina do Teatro Municipal, Liana Vasconcelos.

A primeira edição do Desculpe Incomodar é um desdobramento do seminário que reuniu cerca mil pessoas na Biblioteca Parque Estadual, no Centro, em maio. A programação é desenvolvida com apoio de parceiros como equipamentos culturais, entidades públicas e privadas ligadas à temática.  São eles: Casa Museu Eva Klabin, Centro Cultural Museu da Justiça, Eduardo Araújo, Fundação Leão XIII, Pra Contar…Fotografia e Arte,  Luna Magalhães, Museu do Açude, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Amanhã, Oi Futuro, People’s Palace Projects, Sala Cecília Meireles, Sesc Rio, Senai CETIQT, Spectaculu, UniCirco Marcos Frota e Refettorio Gastromotiva. Em setembro, todos eles receberam um selo de responsabilidade social da Prefeitura.