“Agora eu ando de cabeça erguida”, diz ganhadora do Miss Rua sobre benefício de ter participado de concurso

Publicado em 22/10/2019 - 17:14 | Atualizado em 22/10/2019 - 17:41

Diante de um ambiente lúdico, ao lado do mar e cercado pela natureza os acolhidos, profissionais da Secretaria de Assistência Social e Diretos Humanos (SMASDH) e parceiros se reuniram na tarde de ontem, 21 de outubro, no Museu do Amanhã para falar sobre uma questão séria que é população em situação de rua.

O evento, que é um desdobramento do Festival Desculpe Incomodar – Arte para Pessoa em Situação de Rua, realizado recentemente nos dias 4 e 5 de outubro, contou com a presença de 300 pessoas que discutiram sobre a importância da arte para emancipação social e os resultados do Festival.

Durante o evento, Barbara de Lima, bailarina do Teatro Municipal e diretora de movimento, mediou a mesa composta pela médica Rosa Souza, a bonequeira Mônica Rocha, alunas do Senai CETIQT, Letícia de Oliveira e Tainá Alves, o ganhador do Mister Rua, Ricardo Heleno Mendes, e a ganhadora do Miss Rua, Ana Lúcia Cortez.

Na oportunidade, os ganhadores do Miss e Mister Rua falaram sobre o impacto de terem participado do desfile.

– Antes do desfile eu andava de cabeça baixa como um Zé Ninguém. Ter participado do Festival aumentou minha autoestima e agora eu ando de cabeça erguida, acreditando que, apesar das dificuldades que estou enfrentando, vou conseguir um futuro melhor – afirmou Ana Lucia Cortez.

Ricardo Heleno ressaltou que não se sabe ao certo o que leva uma pessoa a morar na rua, mas que o mais importante é encontrar uma rede que apoie e ofereça ajuda e menos julgamentos durante esse momento, e aproveitou para agradecer o trabalho prestado pelos profissionais o Hotel Solidário de Bonsucesso.

Letícia Tosta foi uma das profissionais que participaram do desfile confeccionando as roupas dos acolhidos. “Agora eu vejo a minha profissão de forma diferente, muita gente acredita que a moda é coisa de gente fútil, mas durante o festival eu vi que por meio da minha profissão eu posso ressignificar vidas”.

Pessoa em situação de rua é problema que atinge inúmeros países, principalmente os que estão em desenvolvimento como o Brasil. O Festival Desculpe Incomodar trás essa proposta de debater esse tema, ouvindo os afetados e buscando apoio para combater essa questão, que vai além do âmbito  do trabalho realizado no setor público, bem como  é necessário  uma atuação em conjunto com a sociedade civil.