Rio alcança nota máxima da Fitch Ratings após recuperação fiscal

Publicado em 16/08/2026 - 13:21 | Atualizado

O Rio de Janeiro voltou a ter a nota máxima da Fitch Ratings: a agência elevou o Rating Nacional de Longo Prazo do Município de AA+(bra) para AAA(bra), recolocando a cidade no mais alto nível da escala nacional de classificação de risco de crédito. A decisão reconhece a recuperação fiscal do Município, com destaque para a melhora consistente das contas públicas, a robusta posição de liquidez e a perspectiva de redução da dívida. A Fitch também elevou o Perfil de Crédito Individual (PCI) do Rio de “BB” para “BB+”.

– Quando assumimos a Prefeitura, em 2021, encontramos uma situação fiscal muito difícil. Desde o primeiro dia, o orçamento foi acompanhado com lupa, despesa por despesa, receita por receita, contrato por contrato. Agora, a nota AAA da Fitch é um reconhecimento desse trabalho. Não existe milagre em gestão pública. Existe responsabilidade, planejamento, controle e acompanhamento permanente – afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.

Na escala nacional da Fitch Ratings, as notas vão de C, que indica elevado risco de inadimplência, a AAA, o nível mais alto de capacidade de pagamento. Entre esses extremos, a classificação passa por CCC, B, BB, BBB, A e AA, refletindo, em ordem crescente, diferentes níveis de capacidade financeira e risco de crédito.

O novo rating reflete, segundo a agência, as melhorias consistentes na gestão fiscal do município nos últimos anos, que resultaram em sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez. A expectativa da Fitch é de que a dívida do Rio apresente redução gradual nos próximos anos, com amortizações superiores à contratação de novos empréstimos.

– A Fitch avaliou a continuidade da solidez na gestão fiscal do município, praticada nos últimos cinco anos, e sua sustentabilidade para os próximos anos. O município mostrou que conseguiu reverter totalmente a avaliação da agência, que ainda era influenciada pela falta de liquidez encontrada no início da gestão, em 2021. Chegar, hoje, à nota máxima na escala nacional da Fitch é o reconhecimento de um trabalho consistente de recuperação das contas públicas e, sobretudo, a confirmação de que o Rio construiu bases sólidas para manter esse equilíbrio fiscal no futuro – analisa Andrea Senko, secretária municipal de Fazenda.

A conquista é resultado de uma trajetória de recuperação iniciada em 2021. Depois de um primeiro ciclo, entre 2009 e 2016, marcado por elevados investimentos e grandes transformações urbanas, o Rio passou por um período de forte redução da capacidade de investimento. Entre 2017 e 2020, os investimentos representaram, em média, apenas 2,6% do orçamento municipal.

Em 2021, a Prefeitura encontrou um cenário de grave desequilíbrio: déficit fiscal de aproximadamente R$ 6 bilhões, também R$ 4,9 bilhões em restos a pagar, caixa praticamente esgotado e despesas com pessoal acima do limite legal.

A partir daí, teve início um amplo trabalho de reconstrução das finanças municipais, apoiado por medidas como o Novo Regime Fiscal, a Reforma da Previdência, a simplificação tributária e o aumento real da arrecadação. Já no primeiro ano, a disponibilidade de caixa voltou ao campo positivo e o Rio recuperou sua capacidade de pagamento, passando da CAPAG C para a CAPAG B.

Os resultados dessa virada aparecem nos principais indicadores. Entre 2020 e 2026, o orçamento municipal passou de R$ 30,5 bilhões para R$ 53 bilhões. A arrecadação de ISS avançou de R$ 5,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões, enquanto os investimentos voltaram a alcançar 10,5% do orçamento, depois da média de apenas 2,6% registrada entre 2017 e 2020.

De acordo com o estudo divulgado pela Fitch, o Rio apresenta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas. Entre 2021 e 2025, o Município registrou margem operacional média de 11,6%, chegando a 11,8% em 2025. A Fitch também destaca que o Rio está em dia com a folha de pagamento e não apresenta atrasos no pagamento de fornecedores. No mesmo período, o crescimento real das receitas operacionais superou o avanço das despesas.

Outro ponto destacado é a situação do endividamento. Em dezembro de 2025, a dívida líquida consolidada correspondia a 35,8% da receita corrente líquida, muito abaixo do limite de 120% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

A avaliação também evidencia características importantes da economia e das finanças cariocas. O Rio apresenta relativa autonomia fiscal, com baixa dependência de transferências da União em comparação com outros entes, além de exposição limitada a receitas mais voláteis, como royalties de petróleo e gás. Em 2025, as receitas tributárias representaram 42,3% das receitas operacionais do município.

No cenário internacional, o Município permanece classificado como BB, com perspectiva estável, uma vez que, pela metodologia da Fitch, a nota internacional dos governos locais brasileiros é limitada pelo rating soberano do Brasil. Portanto, essa classificação não representa uma limitação específica das contas cariocas, mas uma consequência do teto estabelecido pela avaliação de crédito do país.

  • 16 de agosto de 2026
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