Leishmaniose Visceral

A leishmaniose visceral é uma zoonose grave causada por um protozoário (Leishmania infantum chagasi) que acomete pessoas e algumas espécies de mamíferos domésticos e silvestres. Pessoas imunssuprimidas, crianças e idosos são mais suscetíveis à essa doença, que, quando não tratada, pode levar à morte.


Transmissão


A leishmaniose visceral é transmitida ao homem e ao animal pela picada dos insetos vetores infectados, chamados de flebotomíneos e conhecidos popularmente como mosquito-palha. No Brasil, duas espécies estão relacionadas com a transmissão da doença: Lutzomyia longipalpis (principal) e Lutzomyia cruzi. Os flebotomíneos são insetos pequenos, de cor amarelada, e podem ser encontrados no interior das residências e em abrigos de animais domésticos.

A leishmaniose visceral não é contagiosa, não ocorrendo transmissão através do contato direto entre pessoas, nem de um animal para outro e nem dos animais para as pessoas. A transmissão ocorre somente através da picada do vetor, o flebotomíneo.
 


Reservatórios


Nas áreas urbanas, os cães representam papel importante na manutenção da transmissão da doença. O mosquito palha se contamina picando um cão infectado e posteriormente transmite a doença a uma pessoa. Os casos caninos têm precedido a ocorrência de casos humanos e a infecção em cães tem sido mais prevalente do que no homem.

No ambiente silvestre, os reservatórios são as raposas e os marsupiais (gambás e cuícas).
 


Sinais e Sintomas


A leishmaniose visceral é uma doença crônica, caracterizada no homem por:
• Febre de longa duração
• Perda de apetite
• Emagrecimento
• Fraqueza
• Barriga inchada (pelo aumento do baço e do fígado)
• Anemia, dentre outras manifestações clínicas.
Quando cães são infectados, podem permanecer sem apresentar nenhum sinal clínico aparente por meses ou anos. Mas quando a doença se manifesta, podem apresentar:
• Perda de apetite
• Emagrecimento progressivo
• Feridas na pele (que demoram a cicatrizar), principalmente no focinho, orelhas, articulações e cauda
• Pelos opacos, descamação e perda de pelos
• Crescimento anormal das unhas
• Diarréia, vômito e sangramento intestinal.

 


Prevenção e Controle


É importante evitar a criação e proliferação do inseto vetor da doença (flebotomíneo), que se reproduz no meio de matéria orgânica e em criadouros de animais. Para isso deve-se:
• Evitar a criação de porcos e galinhas em área urbana
• Manter a casa e o quintal livres de matéria orgânica, recolhendo folhas e galhos de árvores, fezes de animais, restos de madeira e frutas
• Todo o lixo deve ser embalado e fechado em sacos plásticos
• Os proprietários de terrenos desocupados devem adotar as mesmas medidas descritas acima.

Como medidas de proteção individual são recomendadas o uso de mosquiteiros e telas de portas e janelas com malha fina, uso de repelentes e a não exposição nos horários de atividade do flebotomíneo (entre o pôr do sol e o amanhecer).

Os cães tembém necessitam de proteção contra a picada dos flebotomíneos. Para isso, recomenda-se:
• O uso de coleiras repelentes de insetos (impregnadas com deltametrina a 4%), que devem ser trocadas a cada seis meses
• Manter o animal em ambientes telados com malha fina durante o período de maior atividade do inseto transmissor
• Manter o abrigo dos animais sempre limpo, sem fezes ou restos de alimento
• Adotar a posse responsável de cães e gatos, não permitindo que os mesmos fiquem soltos nas ruas

Atualmente, existe uma vacina para uso em cães, disponível e aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No entanto, não existem estudos que comprovem a efetividade do uso dessa vacina na redução da incidência da leishmaniose visceral em humanos. Dessa forma, o seu uso está restrito à proteção individual dos cães e não como uma ferramenta de Saúde Pública, não sendo preconizado pelo Ministério da Saúde. A vacina está indicada somente para animais assintomáticos com resultados sorológicos não reagentes para leishmaniose visceral.

Não é permitido o tratamento da leishmaniose visceral canina com medicamentos de uso humano (Portaria Interministerial Nº1.426, de 11 de julho de 2008). Entretanto, o tratamento com medicamentos de uso exclusivo em cães foi autorizado, associado sempre ao uso contínuo de coleiras repelentes, segundo a Nota Técnica Conjunta n° 001/2016 MAPA/MS, assinada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento e pelo Ministério da Saúde. É importante salientar que os cães tratados não são curados parasitologicamente, permanecendo como reservatórios do parasito, apesar da melhora clínica.

A recomendação para cães infectados com a Leishmania infantum chagasi é a eutanásia, que deve ser realizada de forma integrada com as demais ações recomendadas pelo Ministério da Saúde. Vale ressaltar que essa medida é indicada como forma de controle por meio de inquéritos censitários apenas para os municípios com transmissão moderada e intensa.
 


Informações Importantes


A Secretaria Municipal de Saúde realiza, de forma gratuita, o atendimento dos casos suspeitos de leishmaniose visceral canina e o diagnóstico laboratorial no Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, localizado na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 1.120, na Mangueira.
 


Notificação


Casos suspeitos ou confirmados de leishmaniose visceral canina ou felina precisam ser notificados à Secretaria Municipal de Saúde, via preenchimento de um formulário eletrônico (FormSUS), cujo link está disponível na página da Vigilância Sanitária e no Facebook. Trata-se de um formulário de preenchimento simples, para que médicos veterinários da cidade do Rio de Janeiro ou outras pessoas possam informar a ocorrência de casos. Os dados são sigilosos e não serão divulgados. Essa notificação é importante para que a Secretaria Municipal de Saúde possa ter conhecimento sobre as áreas com maior risco para a ocorrência de casos humanos e animais, visando à adoção das medidas de controle pertinentes. Vale ressaltar que a Vigilância Sanitária não vai interferir na conduta clínica do médico veterinário, desde que ele siga a legislação vigente.
 


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