Nasce a escola do Educador Nota 10: 'Vai ser linda', diz professor premiado que virou diretor

20/05/2019 14:11:00


Fonte: Jornal Extra

Tudo na Escola municipal Professora Ivone Ferreira Nunes é novo. A unidade foi inaugurada em 2019, fica numa comunidade em Senador Camará que não tem nem nome, e numa rua que ainda não recebeu CEP. Na direção da unidade, está uma mente fresca, sedenta por novos começos. Pela primeira vez, José Marcos Couto Júnior assume uma direção. Ele foi eleito Educador Nota 10 em 2018, um dos mais importantes prêmios da área no país. O profissional da rede municipal dava aula numa pequena escola de Realengo.

As ideias já estão saindo do papel. No último domingo, em vez do Dia das Mães, foi comemorado o Dia de Quem Cuida de Mim. A professora de alfabetização tem levado as crianças para aulas debaixo de uma árvore do lado de fora da escola. Já na parte dos fundos do colégio, cresce uma hortinha — junto dos planos do professor, que incluem aulas de circo e de judô na escola.

— Essa é uma comunidade muito nova. Ela nasceu em 2012 (com a inauguração de um conjunto do "Minha casa, minha vida"). Não tem nome ainda. Tem horas que chamam de Brasilite, em outras de Sapo II, Perereca... Então ela não tem uma identidade construída. E o meu projeto vencedor no ano passado fala justamente de construção de identidade.

O professor ganhou o Educador Nota 10 com um projeto chamado "Caravanas" em parceria com a colega Ana Beatriz Ramos de Souza, de 36 anos, que continua o projeto na Escola municipal Átila Nunes, onde a ideia nasceu. A dupla utilizava canções para discutir temas como gênero e raça. Um dos resultados do projeto foi, além da melhora de desempenho da turma, o livro "Que sejam lidos, que sejam vistos" com textos produzidos pelos alunos sobre a questão da invisibilidade social.

— O projeto me trouxe essa escola, me deu visibilidade para falar da minha ideia de educação e eu estudei muito para isso — diz.

‘Essa escola vai ser linda'

A escola foi projetada inicialmente para receber apenas alunos do 1º ao 4º anos. No entanto, um levantamento feito na área mostrou uma necessidade enorme de vagas de pré-escola. Por isso, foram abertas três turmas para crianças de 4 a 5 anos.

— Eu e o Paulo Victor, meu adjunto, temos experiência no segundo segmento (de 6º ao 9º ano). Então, estamos escutando demais as nossas professoras. Estou aprendendo muito — disse.

O professor tem planos ambiciosos. O sonho é ver alunos de escolas privadas atrás da unidade. Para isso, a ideia é que os pais sintam que são parte do projeto.

— Se os responsáveis comprarem a ideia e as crianças estiverem felizes, com as ideias que a gente e os professores têm, esse colégio vai bombar — sonha.

A projeção do professor contrasta com seu passado. O EXTRA esteve na unidade em março de 2016. Na época, era uma obra abandonada. Ela estava parada desde 2014, com gastos de R$ 2,3 milhões. A construção foi iniciada por Eduardo Paes e retomada na gestão do atual prefeito Marcelo Crivella.

Você vai continuar o projeto vencedor aqui?

Não com esse nome. Ele continua na outra escola. A gente não pensa que pode adaptar todos os projetos para todos os lugares. A gente vai pegar algumas coisas, mas aqui tem outras demandas: trabalhar a identidade desses meninos, tomar essa praça que tem aqui do lado.

Qual é o projeto pedagógico que você vai implantar?

Ainda não está fechado, mas já temos métodos maravilhosos. Para a alfabetização no 3º ano, uma professora trabalha com muita ludicidade, usando desenho e poesia. No pré, outra docente investe em aprendizado cruzado. Ela está no momento das crianças trabalharem motricidade. Em vez das crianças fazerem linhas retas, ela faz a letra A. Isso já ajuda a alfabetização.




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