Secretário expõe os reflexos da crise brasileira na Educação, mas diz que há luz no fim do túnel

22/05/2017 15:28:00


O secretário municipal de Educação, César Benjamin, realizou um novo encontro com diretores da Rede de Ensino na última sexta-feira, dia 19 de maio. Reuniu, desta vez, 186 diretores de escolas, creches e Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) da 8ª Coordenadoria Regional de Educação. A 8ª CRE agrega 6.925 servidores da Prefeitura.

 

Os encontros serão realizados até o próximo dia 25 com o objetivo de conversar e ouvir quem está na ponta da Rede de Ensino. Ao longo da semana, o secretário já se reuniu com diretores da 1ª, 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e 9ª Coordenadorias Regionais de Educação. Para está semana estão agendadas reuniões com a 4ª e 11ª (dia 23) e 10ª e 7ª CRE (dia 25) CRE.

 

César Benjamin disse aos diretores que lotavam o auditório da Universidade Castelo Branco, em Realengo, Zona Oeste do Rio, que o Brasil vive a maior crise de sua história. "A crise que vem se desenrolando nos últimos anos só existe na história contemporânea em casos de guerra. Nenhum país perde 10% do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas de uma Nação) fora de situações de guerra. É uma crise colossal", afirmou o secretário de Educação, acrescentando um dado doloroso: essa crise incide especialmente sobre o Rio de Janeiro.

 

 

 

"A última Pesquisa Mensal do Emprego mostra que o desemprego avançou, e que 60% dos novos desempregados moram no Rio de Janeiro, cidade onde a indústria do petróleo desabou e o governo do Estado acabou", disse o secretário de Educação, lembrando que tudo isso afeta duramente a Prefeitura.

 

"Hoje, nós trabalhamos com um orçamento menor do que o do ano passado, que já não foi bom, e temos mais 93 escolas para gerir. Tudo isso com R$ 350 milhões do orçamento bloqueado fruto de receita prevista e não realizada, e restos a pagar no valor de R$ 116 milhões", afirmou César Benjamin, explicando que seriam necessários mais R$ 750 milhões para a Secretaria de Educação fazer frente a despesas urgentes e necessárias. "O que temos hoje só assegura recursos até o fim de julho", enfatizou.

 

Apesar do quadro descrito, Benjamin deu alguma esperança de reversão do quadro grave de falta de recursos, enumerando algumas medidas que, segundo ele vão impedir que a Educação seja jogada no abismo, a exemplo do aumento do IPTU. Citou também um conjunto de medidas prioritárias a serem adotadas, caso da reformulação da área de Recursos Humanos, que vai ganhar status de subsecretaria vinculada diretamente a ele.

 

"Acredito que no segundo semestre possamos ter algumas conquistas em áreas sociais prioritárias", disse o secretário, citando enfaticamente uma das mais urgentes, a revisão da situação da jornada de trabalho das merendeiras, pois não pode esperar que as 1500 ainda na ativa se machuquem para serem readaptadas.

 

 

"Das 4.500 merendeiras da Secretaria de Educação, 3 mil estão em readaptação por conta de lesões. Fui informado de que o tempo de vida útil de uma merendeira é de cinco anos, um tempo de vida igual aos dos escravos no Brasil Colônia. É preciso resolver essa questão tão justa, sendo que o ideal seria reformatar as cozinhas de todas as nossas escolas. Estamos formulando uma proposta.


O secretário enumerou outras injustiças que precisam ser equacionadas, como a situação funcional dos diretores, diretores-adjuntos e coordenadores pedagógicos, que precisam ter seus rendimentos nivelados aos dos professores 40 horas; realizar a migração de dois mil docentes ainda este ano para o regime de 40 horas; alterar a escolaridade dos agentes de apoio; e por fim equacionar a situação dos professores de Educação Infantil que ficam sozinhos com turmas de 25 a 30 alunos.

 

O secretário de Educação tocou ainda em outro assunto doloroso: a falta de conservação da rede. Segundo suas contas, cerca de 155 escolas estão em risco (seja por esgoto correndo no pátio, muro em risco de queda ou problemas graves no sistema elétrico), e outras 300 estão em situação precária, o que comprova a necessidade de fortalecer internamente a área de infraestrutura da própria Secretaria, para não depender de outros, pelo menos em casos de obras de pequeno e médio porte.

 

 

 

O balanço da crise no País, no Estado, no município, com reflexos dramáticos na Educação, foi exposto também pelo secretário em audiência na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Abaixo, o link para a fala de César Benjamin em sessão que tratava do Plano Municipal de Educação (PME). O PME está tramitando há dois anos no âmbito da Prefeitura, e há mais de um ano está parado na Câmara. Por isso, a Secretaria Municipal de Educação deixou de receber verbas federais.