Quatro décadas de dedicação ao funcionalismo público

01/01/2018 12:11:00


 

 

Com sua inseparável Remington 100, que o acompanha desde 1975, o jornalista Idalício Manoel de Oliveira Filho - carinhosamente chamado por seus colegas de "Seu Idalício" - produz diariamente dezenas de notas que apura no Diário Oficial. São notícias sobre atos das secretarias, informações de utilidade pública e a programação dos equipamentos culturais da cidade. Ele chegou à Prefeitura do Rio em 1977, durante o governo de Marcos Tamoio. Trabalhando no jornal A Noite, foi informado por um colega - o também jornalista Fernando Leite Mendes - de que havia uma vaga no governo municipal para chefiar o Centro de Divulgação, vinculado na época à Coordenadoria de Comunicação. Após entregar seu currículo e ser selecionado, ele nunca mais deixou o funcionalismo público.

 

Dos computadores, diz querer distância. Não se adaptou. Além de seu trabalho com redator, Idalício coleciona presenças em eventos oficiais, como mestre de cerimônia, e participou de episódios marcantes da história da cidade, como a passagem da Tocha Olímpica dos Jogos Rio 2016.

 

- Vivi momentos especiais na prefeitura. Um deles foi participar do revezamento da Tocha Olímpica. Foi realmente emocionante. Outro, quando confeccionaram uma placa com meu nome para batizar a redação, durante o governo Cesar Maia. Também foi marcante participar das solenidades de posse dos prefeitos - disse.

 

 

 

 

A poucos dias de completar 90 anos de idade (no próximo dia 14), Idalício Manoel de Oliveira Filho é o servidor – e aniversariante - homenageado do mês.

 

 

Como o senhor se tornou servidor?

Em 1977, recebi um convite do também jornalista Fernando Leite Mendes, que era muito amigo do prefeito Tamoio. Ele disse que havia uma vaga na Coordenação de Comunicação Social. Naquela época, trabalhava em dois jornais e cheguei à conclusão de que, para dar assistência à minha filha – então com cinco anos – preferi trabalhar em um só local, com um salário que equivalia ao que eu ganhava nos dois jornais. Nunca mais deixei o serviço público e, em abril deste ano, completei 40 anos na Prefeitura do Rio.

 

 

Como é a sua rotina? Fale um pouco sobre o seu trabalho.

Levanto às 5h30, chego à Prefeitura do Rio por volta das 7h e saio do trabalho às 16h. Durante o dia, produzo notas com base na leitura do Diário Oficial do Município. Além disso, ao longo desses anos, também tive a oportunidade de ser mestre de cerimônias. Dei posse a muitos prefeitos, desde Jamil Haddad. O prefeito Marcello Crivella foi o 10º governante de quem acompanhei a cerimônia de posse.

 

 

Nesses 40 anos de jornada como servidor, que momentos o senhor destacaria como inesquecíveis?

 

Participar, em 2016, do Revezamento da Tocha Olímpica foi o momento mais marcante como carioca e servidor da Prefeitura do Rio. Uma honra.

 

 

O senhor acompanhou muitas transformações na Prefeitura do Rio. Qual destacaria como mais significativa?

 

Sem dúvida, foi a questão tecnológica. O setor de comunicação evoluiu muito com isso. Naquela época, os releases que produzíamos eram distribuídos, ao final da tarde, via Telex. Agora, esse trabalho se tornou muito mais dinâmico. A tecnologia de hoje é excepcional. Mas segui 'batucando' em minha máquina.

 

 

E na cidade? Que transformações o senhor destacaria ao longo desses 40 anos com olhar de servidor?

 

As mudanças não foram poucas. Ao longo desses anos na Prefeitura do Rio, tive a oportunidade de acompanhar as obras realizadas na cidade. Vivi as maiores transformações urbanísticas no Rio, como a construção da Linha Amarela.

 

 

O que o senhor gosta de fazer nas horas livres?

 

Leio muito, especialmente os jornais. Também gosto de brincar com o meu neto, quando ele não está ocupado com jogos eletrônicos (risos).

 

 

Que locais da cidade destacaria como preferidos?

 

Em primeiro lugar, a Floresta da Tijuca. Depois, os morros. Conheci minha mulher na Pedra Bonita, por exemplo. Também gosto do Pão de Açúcar. Sou excursionista e, como tal, fiz muitos passeios. Seja com os leitores do Correio da Manhã, quando trabalhava lá, como nas horas livres. O Parque da Cidade também é um lugar muito bonito.

 

 

O que o carioca tem de especial?

 

A alegria do carioca e sua espontaneidade são ímpares. O carioca sabe viver, mesmo diante de tantas dificuldades. Ele consegue vencer as adversidades com alegria.

 

 

Que mensagem para 2018 o senhor deixa para os cariocas e, especialmente, servidores da Prefeitura do Rio?

 

Vivam a vida e tenham sempre esperança em dias melhores. Porque a esperança sempre foi a última que morre e sempre será a última que morrerá. As coisas vão melhorar!